Tensão nas Ações dos Estados Unidos
Queda no Mercado
Em Nova Iorque — As ações dos Estados Unidos registraram uma queda significativa na quinta-feira, à medida que a apreensão se espalhou por Wall Street em decorrência de turbulências no mercado de crédito e da exposição de bancos regionais a empréstimos problemáticos.
O índice Dow Jones caiu 410 pontos, o que representa uma desvalorização de 0,9%. O índice S&P 500 também caiu 0,9%, enquanto o Nasdaq Composite, mais voltado para tecnologia, teve uma queda de 0,8%.
Volatilidade em Alta
A volatilidade no mercado de ações voltou a ser uma preocupação, impulsionada por tensões comerciais entre Estados Unidos e China, além de preocupações relacionadas com os preços historicamente altos das ações e problemas emergentes no setor bancário.
As ações de bancos regionais sofreram perdas significativas na quinta-feira, depois que duas instituições financeiras divulgaram problemas com seus mutuários, aumentando as preocupações sobre a saúde do mercado de crédito, o que poderia causar repercussões negativas no mercado de ações e na economia como um todo.
Revelações sobre Empréstimos
As ações do Zions Bancorp (ZION) despencaram 12% após o banco anunciar que enfrentaria uma perda de 50 milhões de dólares no terceiro trimestre em consequência de um empréstimo inadimplente. Já o Western Alliance Bancorp (WAL) registrou uma queda de 10,5% após divulgar que estava processando um mutuário por alegações de fraude.
"Preocupações em relação à qualidade do crédito estão afetando Wall Street hoje, à medida que cresce o temor de que existam vários grandes credores expostos a empréstimos problemáticos com garantias limitadas," afirmou José Torres, economista sênior da Interactive Brokers.
Banco Jefferies em Dificuldades
Essas divulgações ocorrem em um momento em que os credores de automóveis, First Brands e Tricolor Holdings, declararam falência em setembro, aumentando as ansiedades de que grandes bancos possam estar atolados em empréstimos que podem não ser quitados.
O Jefferies (JEF) viu suas ações desvalorizarem 10% na quinta-feira, já que o banco enfrenta as consequências de sua exposição ao First Brands.
"Todos estão perguntando se isso é um sinal de alerta," comentou Michael Block, estrategista de mercado da Third Seven Capital. "Eles deveriam ser os mais inteligentes do ambiente."
"Todos estão esperando por um evento significativo," disse Block. "Ocorre um pequeno evento na forma do Jefferies. Pode ser um falso alerta ou pode indicar que, onde há fumaça, há fogo."
Aumento da Incerteza
O índice de medo de Wall Street, conhecido como VIX, subiu 20% e atingiu seu nível mais alto desde maio. Aproximadamente 80% das empresas que compõem o S&P 500 estavam com ações em queda, e o índice KBW Nasdaq Regional Bank despencou 6,5%.
Os futuros do ouro dispararam 2,5%, ultrapassando 4.300 dólares por onça troy, à medida que os investidores se precipitaram em direção a refúgios seguros. Os futuros da prata também registraram um aumento de 3%, alcançando um novo recorde histórico.
Atratividade dos Títulos
Os investidores também adquiriram títulos, fazendo com que os rendimentos caíssem. O rendimento dos títulos de 10 anos caiu para menos de 4%, alcançando seu nível mais baixo desde abril, enquanto o rendimento dos títulos de dois anos caiu para 3,42%, atingindo seu menor nível desde 2022.
Preocupações de JPMorgan
Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, expressou preocupações sobre o ambiente de crédito durante a teleconferência sobre os resultados financeiros de sua empresa na terça-feira. O JPMorgan revelou que tinha uma exposição de 170 milhões de dólares à Tricolor.
"Esses são sinais iniciais de que pode haver algum excesso no mercado," disse Dimon durante a teleconferência. "Se tivermos uma recessão, certamente veremos muito mais problemas relacionados ao crédito."
"Eu vejo os preços dos ativos sendo muito altos, e os spreads de crédito sendo muito baixos. Eu me sentiria mais confortável se essa não fosse a realidade, porque isso significa uma boa queda em potencial," comentou Dimon durante uma reunião da Instituição de Finanças Internacionais.
"Me parece que o mercado está acreditando que tudo vai ficar bem, e eu não estou tão certo disso," concluiu Dimon.
Fonte: www.cnn.com


