Substituição na liderança da DP World
O CEO do maior porto de Dubai foi substituído pela empresa, após detalhes de sua relação passada com o difunto criminoso sexual Jeffrey Epstein serem tornados públicos.
Na sexta-feira, a DP World anunciou em comunicado que havia designado Essa Kazim como presidente de seu conselho de diretores e Yuvraj Narayan como novo CEO do grupo, substituindo Sultan Ahmed bin Sulayem.
Os arquivos mais recentes divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos relacionados a Epstein revelaram que o financista se referiu a Sulayem como um “amigo pessoal próximo” e o chamou de um de seus amigos mais confiáveis em outros documentos.
Sulayem estava no comando do maior operador portuário de Dubai como presidente desde 2007 e como CEO desde 2016.
O comunicado não mencionou Sulayem, mas afirmou que as novas nomeações apoiam a estratégia da empresa para um crescimento sustentável e reforçam seu papel no fortalecimento das cadeias globais de suprimentos, além de apoiar a posição de Dubai como um importante centro para comércio e logística.
A CNBC buscou um comentário de Sulayem por meio da DP World, onde ele atuou como presidente e CEO, mas não recebeu uma resposta.
Kazim foi, até recentemente, o Governador do Centro Financeiro de Dubai (DIFC). Narayan ocupou o cargo de vice-CEO e CFO na DP World desde 2005.
Sulayem é uma das figuras empresariais mais proeminentes de Dubai, pertencendo a uma das principais famílias do emirado. Seu pai foi assessor da família reinante Al Maktoum, e Sulayem desempenhou um papel crucial na ascensão de Dubai como um centro econômico.
Ele supervisionou o crescimento do porto de Jebel Ali em Dubai, transformando-o em um importante centro de transporte marítimo em águas profundas, além de expandir a DP World em um império logístico internacional que atualmente supervisiona portos que lidam com uma décima parte do comércio mundial de contêineres.
Além disso, liderou a Nakheel Properties, uma desenvolvedora de propriedade do governo de Dubai, embora tenha sido substituído em meio a uma grande reestruturação do conselho, após os problemas de dívida da Dubai World durante a crise financeira de 2008.
Aproximação com Epstein
A extensão da relação de Sulayem com Epstein veio à tona nas últimas semanas, após a divulgação dos últimos arquivos.
Os registros mostram que o empresário emiratense mantinha contato com Epstein mesmo após a condenação do financista por solicitação de prostituição a uma menor em 2008. Sulayem não foi acusado de qualquer delito criminal.
As autoridades enfatizaram que a menção nos arquivos de Epstein não indica evidências de irregularidades, nem prova que o nome fazia parte de uma suposta lista de clientes ou esquema de chantagem.
Pressão dos parceiros da DP World
Esta semana, a pressão sobre Sulayem para que se demita aumentou após parceiros internacionais pausarem novos negócios com a DP World, exigindo que a empresa tomasse as “ações necessárias”.
O segundo maior fundo de pensão do Canadá, La Caisse, que investiu mais de 5 bilhões de dólares ao lado da DP World na última década, informou que suspendia “o desembolso adicional de capital com a empresa”.
Em um comunicado enviado à CNBC, a La Caisse afirmou que era “importante distinguir a empresa, DP World, do indivíduo, Sultan Ahmed bin Sulayem, que é o foco da situação atual”.
“Nesse sentido, deixamos claro para a empresa que esperamos que ela esclareça a situação e tome as ações necessárias”, acrescentou o fundo de pensão.
Um porta-voz do British International Investment, que investe com a DP World em quatro portos africanos, informou que também interromperia novos investimentos.
“À luz das alegações, não faremos novos investimentos com a DP World até que as ações necessárias sejam tomadas pela empresa”.
Fonte: www.cnbc.com

