O programa Eco Invest Brasil alcançou um marco histórico com seu terceiro leilão, que gerou uma demanda capaz de mobilizar cerca de R$ 80 bilhões em investimentos em equity, ou seja, na compra de participação em empresas. Conforme anunciado pelo Tesouro Nacional na quarta-feira (28), desse total, R$ 24 bilhões são provenientes de recursos públicos.
De acordo com Rogério Ceron, o resultado superou todas as expectativas previamente estabelecidas para o programa. “Não esperávamos uma demanda tão elevada. O pedido para viabilizar esses R$ 80 bilhões consistia em R$ 24 bilhões de capital catalítico, que corresponde ao funding público com uma taxa de juros competitiva para apoiar esses investimentos,” explicou. Apesar disso, devido a limitações orçamentárias, foi liberado um total de R$ 15,2 bilhões, que permitirão a criação de uma carteira de R$ 53 bilhões em fundos.
Mecanismo de alavancagem e proteção cambial
O programa estipula que para cada R$ 1 de recurso público destinado às instituições financeiras, deve haver uma alavancagem mínima de três vezes esse valor. A liberação dos recursos se dá de forma gradual, iniciando com 25% dos valores, seguida por novas parcelas que serão liberadas mediante comprovação do aporte proporcional dos investidores. Ceron ressaltou que, além do equity próprio, os projetos frequentemente contam com captações adicionais no mercado, potencializando o impacto dos investimentos realizados.
Uma inovação significativa do programa é a oferta de proteção cambial para investidores estrangeiros. “Os investidores externos poderão contar com proteção cambial nesses fundos. Se uma variação excessiva ocorrer, acima de 10% do que é considerado uma desvalorização natural nesse período, eles estarão cobertos,” afirmou Ceron. Essa proteção é disponibilizada pelas instituições financeiras participantes como uma contrapartida para que elas possam acessar os recursos a taxas competitivas, sem gerar riscos adicionais para o Tesouro Nacional.
Segundo Ceron, a recepção por parte dos investidores estrangeiros foi extremamente positiva. “Houve uma grande receptividade dos investidores externos, que enxergaram essa oportunidade de entrar no Brasil com proteção cambial,” comentou. Ele ainda acrescentou que 20% dos recursos devem ser investidos em startups de base tecnológica que atuam em áreas de fronteira, como biofertilizantes, baterias, armazenamento e veículos elétricos. Esses setores têm potencial para destacar o Brasil como uma plataforma de geração de tecnologia e exportações.
O leilão contou com a participação de seis instituições financeiras, sendo três delas de caráter privado e três de caráter público, com destaque para o Itaú. Ceron esclareceu que há um limite de 50% para cada instituição, com o intuito de evitar a concentração excessiva de recursos e garantir que o acesso às linhas de financiamento seja democratizado.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br