Os Impactos da Guerra no Irã sobre o Cenário Econômico
Kenneth Rogoff, renomado economista e ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), expressou suas opiniões sobre as consequências da guerra no Irã, ressaltando que os juros podem continuar elevados e prejudiciais para os tomadores de empréstimos.
Expectativas sobre Taxas de Juros
Rogoff indicou que as taxas de juros devem permanecer significativamente altas após a guerra no Irã. Ele acredita que o aumento dos preços do petróleo está contribuindo para uma série de pressões inflacionárias já presentes na economia global, e o efeito sobre as taxas de juros de longo prazo não deverá ser facilmente revertido. Em entrevista à CNN, na semana passada, ele afirmou: "Acho que a grande questão é que as taxas de juros vão ser mais altas. Especificamente, trato dos rendimentos dos títulos de longo prazo e das taxas de hipoteca. Eu acho que elas vão continuar altas e isso é doloroso."
Aumento das Taxas de Juros de Longo Prazo
Desde o início da guerra no Irã, as taxas de juros de longo prazo já experimentaram um aumento significativo. Os investidores demonstram preocupação crescente com a inflação devido à forte alta nos preços do petróleo. Isso resultou na expectativa de um aumento contínuo das taxas ao longo do tempo, uma vez que o Banco Central dos Estados Unidos (Fed) busca controlar o crescimento dos preços.
A taxa dos títulos do Tesouro dos EUA para dez anos, referência clara dos custos de empréstimos na economia, estava em torno de 4,33% na última terça-feira, apresentando um aumento de 37 pontos base desde o final de fevereiro. Por outro lado, a taxa fixa de hipoteca para 30 anos alcançou aproximadamente 6,46% na semana passada, com um incremento de 48 pontos base no mesmo período.
Fatores que Contribuirão para o Aumento das Taxas de Juros
Rogoff destacou alguns dos fatores inflacionários que, segundo ele, elevarão as taxas:
Aumento dos Gastos Militares
Os mercados estão preocupados com o quanto os Estados Unidos investirão em defesa caso o conflito se prolongue. Essa situação se soma às preocupações já existentes sobre o déficit orçamentário e a inflação, uma vez que a dívida é intrinsecamente inflacionária. Um aumento nos níveis de endividamento pode provocar taxas mais altas se os investidores começarem a duvidar da capacidade do país de quitar sua dívida. Isso implicaria em um aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro para atrair investidores, o que, por sua vez, eleva os custos de empréstimos. "Existe mais incerteza, pois todos veem que muito dinheiro precisará ser direcionado para os gastos militares. Isso certamente terá um efeito duradouro", declarou Rogoff.
Fragmentação Geopolítica
A economia global se tornou mais fragmentada nos últimos anos, o que pode elevar a inflação, visto que os países podem não continuar a enviar mercadorias do local mais barato ou eficiente. O Estreito de Ormuz, uma passagem crucial para o petróleo e outros bens, simboliza como o comércio está se fragmentando, segundo Rogoff, sugerindo que essa tendência pode levar a taxas mais altas.
Tarifas
A fragmentação do comércio mundial ganhou impulso quando o ex-presidente Donald Trump implementou uma série de tarifas recíprocas no ano passado. Essas tarifas são consideradas inflacionárias por natureza. "Acabamos em um mundo mais dividido, e as taxas de juros vão ser mais altas", acrescentou Rogoff.
Preços do Petróleo Mantendo-se Elevados
Rogoff mencionou também a "boa chance" de que os preços do petróleo permaneçam elevados por pelo menos um ano, em virtude das severas interrupções no fornecimento provenientes do Oriente Médio. O petróleo Brent, referência internacional, estava sendo comercializado a cerca de 110 dólares o barril na última terça-feira, mantendo-se próximo ao seu pico de 2026.
O economista comentou: "Acho que este é realmente o maior choque negativo que atingiu a economia dos Estados Unidos desse tipo nos últimos cinquenta anos. Se você observar onde os mercados acreditam que o petróleo estará em um ano, parecem pensar que se normalizará, mas boa sorte com isso."
Fonte: www.businessinsider.com


