Possível Taxação sobre Produtos Brasileiros
Os Estados Unidos estão considerando a implementação de uma taxa de 25% sobre uma variedade de produtos brasileiros, uma medida que pode impactar significativamente um volume expressivo de exportações do Brasil.
A proposta está sendo analisada no contexto de uma investigação conduzida pelo escritório do representante comercial americano, que também organizará uma audiência pública a respeito das políticas e práticas comerciais brasileiras.
A investigação se insere na chamada seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. Lucinda Pinto, analista de economia da CNN Brasil, aponta que os produtos mais suscetíveis a essa possível tarifa são principalmente aqueles de natureza industrializada.
O total de exportações brasileiras que poderá ser afetado pela nova taxação é em torno de US$ 11,7 bilhões, o que representa uma fração de um total de US$ 37,7 bilhões referentes às exportações destinadas aos Estados Unidos.
Entre os itens que podem estar sob essa nova taxação incluem-se madeira de coníferas perfilada, sebo bovino, portas e caixilhos de madeira, mel natural, transformadores elétricos, além de espingardas e carabinas de caça.
Lucinda Pinto destacou que “é uma lista mais longa”, sublinhando que o volume de produtos envolvidos é “bem expressivo”.
É importante ressaltar que dois produtos de grande relevância na pauta de exportação brasileira, o café e a carne bovina, não estão incluídos na lista de itens que sofrerão a nova tarifa, conforme explicou a analista.
Impacto por Estado
Conforme um levantamento realizado pela consultoria Íntegra Associados, os estados que mais produzem e exportam os produtos listados para os Estados Unidos são principalmente São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Entretanto, os estados que devem sentir o impacto de maneira mais direta, devido à sua dependência desse fluxo de exportação, são Santa Catarina, Alagoas e Paraíba.
A indústria moveleira de Santa Catarina foi mencionada como um setor particularmente vulnerável a essas alterações. Esta região serrana do estado é reconhecida como uma grande exportadora dentro do setor, com aproximadamente 120 mil empregos associados a essa cadeia produtiva.
Lucinda Pinto afirmou que “Santa Catarina vai sentir bastante o efeito dessa tarifa, se ela de fato for aprovada”.
Do ponto de vista macroeconômico, a Íntegra Associados considera que o impacto sobre o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro deve ser pouco perceptível, uma vez que apenas 10,8% de todas as exportações do Brasil têm os Estados Unidos como destino final.
No entanto, os efeitos setoriais são considerados significativos.
Lucinda Pinto observou que “não se trata de um efeito macro, mas apresenta um efeito micro importante”.
Ela também comentou que as indústrias que são mais dependentes do mercado americano “devem perder competitividade, perder receita, perder resultado e eventualmente ter um impacto no mercado de trabalho”.
Portanto, os efeitos dessa taxação são restritos a alguns setores específicos e apresentam variações regionais que são relevantes.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br