Eike Batista considera a 'supercana' como concorrente do etanol de milho e critica a E2G da Raízen (RAIZ4).

Eike Batista considera a ‘supercana’ como concorrente do etanol de milho e critica a E2G da Raízen (RAIZ4).

by Ricardo Almeida
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Eike Batista e a Supercana: Uma Nova Aposta no Agronegócio

Eike Batista já foi considerado o homem mais rico do Brasil e o sétimo mais rico do mundo. No entanto, seu império desmoronou com o colapso da OGX, que não conseguiu entregar a quantidade de petróleo prometida. Agora, o empresário retorna ao cenário econômico com uma nova e polêmica empreitada, desta vez no setor do agronegócio: a chamada “supercana”.

Promessas Superlativas

Assim como tudo que envolve Eike, os números apresentados são impressionantes. Ele promete que a supercana terá a capacidade de produzir duas a três vezes mais etanol por hectare em comparação à cana convencional, assim como de 10 a 12 vezes mais biomassa. Contudo, essa proposta gera ceticismo entre especialistas do setor, incluindo Rubens Ometto, do Grupo Cosan (CSAN3), que decidiu não investir na supercana.

Declarações de Eike

Em uma entrevista exclusiva ao Money Times, Eike se mostrou confiante em relação ao projeto e criticou o etanol de segunda geração (E2G) — um foco de investimento significativo da Raízen (RAIZ4), uma das empresas vinculadas à Cosan. Ele alegou que “desconstruíram o [Rubens] Ometto para investir nesse E2G, que é muito caro e tem um custo de capex [investimentos] elevado”. A Cosan não fez comentários a respeito das declarações.

Expectativas Futuras

O empresário acredita que o projeto começará a gerar receita em 2028 e prevê que, em um prazo de 20 anos, pelo menos 30% da área atualmente dedicada à cana convencional no Brasil será substituída pela supercana. Se toda a cana fosse substituída, Eike estima que o Brasil poderia produzir até 2 bilhões de toneladas dessa nova variedade.

As Origem da Supercana

A supercana não se originou apenas com Eike. Ela foi desenvolvida pela extinta Vignis, uma empresa criada por Luis Carlos Rubio e Sizuo Matsuoka, que investiu anos na criação da cultivar durante o período de 2015 a 2017, fornecendo mudas para a Odebrecht Agroindustrial (atualmente conhecida como Atvos). Eike menciona: “As pessoas esquecem que a Vignis plantou a supercana para a Odebrecht Agroindustrial entre 2015 e 2017”.

Entretanto, o projeto enfrentou dificuldades devido à crise da Odebrecht e à operação Lava Jato. Eike comentou: “Para minha sorte, a Odebrecht quebrou em cima deles”. Apesar disso, ele continuou investindo na supercana e plantou 200 hectares próximos ao Porto de Açu, em Quissamã, obtendo uma colheita de 180 toneladas por hectare. O grupo de investimentos Brasilinvest, liderado pelo empresário Mário Garnero, comprometeu-se a investir US$ 500 milhões no projeto.

A empresa BRXe, que detém a iniciativa, planeja desenvolver uma área de 70 mil hectares com a supercana, além de construir três unidades de moagem capazes de processar 4 milhões de toneladas cada, concomitantemente a uma usina para produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação).

Desconfiança do Mercado

Apesar das promessas, o mercado permanece cético em relação à supercana. Ricardo Mussa, ex-CEO da Raízen, apontou várias dificuldades operacionais, afirmando: “Ela possui uma densidade enorme, o que torna a colheita e o esmagamento desafiadores. A taxa de conversão em biomassa é excelente, mas a viabilidade ainda não foi alcançada”.

Marcelo Di Bonifácio, analista da StoneX especializado em açúcar e etanol, ressaltou a escassez de pesquisas técnicas sobre a supercana, com as informações sendo majoritariamente divulgadas pela imprensa. “Fica pouco claro como essa variedade se comporta em regiões e climas distintos”, completou Di Bonifácio.

Eike, por sua vez, rebate essas críticas com otimismo, afirmando: “A nossa cana é apenas mais densa. É só adaptar os equipamentos com maior potência. Isso é engenharia de prateleira”. Ele se mostra convicto de que a maior produtividade da supercana já foi demonstrada e que testes feitos com a variedade RB867515 – a mais plantada no Brasil – e as cinco melhores variedades da supercana indicaram 181 toneladas por hectare para quatro das variedades, enquanto a “top 1” registrou impressionantes 205 toneladas por hectare, consideravelmente acima da média nacional de 82,87 toneladas por hectare.

Críticas a Ometto e ao E2G

A discussão sobre a supercana ganhou destaque novamente este ano, quando Rubens Ometto, controlador da Cosan, afirmou, um dia após o anúncio do investimento da Brasilinvest, que a holding já havia analisado o projeto e optado por não prosseguir. Ometto também qualificou o etanol de segunda geração (E2G) como uma “inovação real”.

Ao ser questionado sobre as afirmações, Eike atribuiu o insucesso da tentativa da Cosan em adotar a supercana à falta de tempo dedicado ao projeto. Ele comentou: “O [Rubens] Ometto disse que testou a supercana, mas isso ocorreu por um ano, em um momento em que ela não era adequada para produzir açúcar. Ele colocou a variedade para operar em uma planta convencional, que possui uma densidade quase o dobro (22% contra 12,5%). É evidente que não funcionaria”.

De maneira irônica, Eike criticou a aposta do grupo de Ometto no E2G, comentando: “As pessoas se apegam a empresas de renomada reputação, mas se você me disser que a Raízen é um grupo referência, eu direi: Houston, we have a problem.” A Cosan não se manifestou em relação a essas declarações.

Estado Atual do Projeto da Supercana

Eike informou que atualmente estão em seleção final 39 variedades, das quais seis apresentam níveis de ATR (Açúcar Total Recuperável) de 147 kg por tonelada, superando os 130 kg da cana convencional. Ele detalhou que suas usinas terão moendas mais robustas que as tradicionais.

Foco da Produção

O empresário enfatizou que o foco será a produção de etanol, SAF e utilização do bagaço da cana para a fabricação de embalagens. Segundo Eike, “não adianta adquirirmos empresas em recuperação judicial. Queremos operar nossa cana em uma planta projetada especificamente para ela, o que resultará em um boom industrial, considerando que 100% dos equipamentos são fabricados no Brasil”.

Supercana e a Competição com o Milho

Eike acredita firmemente que sua supercana, ao contrário da cana convencional, possui condições de competir com o etanol de milho, que ele argumenta estar “destruindo a cana”. De acordo com o Bank of America, com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o Brasil possui atualmente 30 usinas de etanol de milho, incluindo plantas flexíveis, enquanto nenhuma nova usina de etanol de cana está em projeto no país.

Eike observa que “provavelmente 100% dos usineiros de cana estão enfrentando dificuldades, pois o preço do etanol de milho está levando muitos deles à ruína”. Além da maior produtividade, ele argumenta que a supercana ainda oferece um grande diferencial: “Transformamos o bagaço em embalagens recicláveis que têm valor entre US$ 6.000 e US$ 8.000, ao invés de serem queimadas por apenas US$ 20 como energia nas usinas”.

Perspectivas Futuras: Uma Nvidia da Biotecnologia?

Eike expressou entusiasmo com a recente modernização da Lei de Proteção de Cultivares (9.456/1997), que estende os direitos de propriedade intelectual e incentivos para pesquisa em melhoramento genético. Essa atualização amplia de 18 para 25 anos a proteção das cultivares de ciclos longos, incluindo a cana-de-açúcar.

Eike afirmou: “As revoluções são sempre feitas com tecnologia e ciência. Rubio e Sizou, nossos parceiros, cruzaram 300 mil indivíduos por ano desde 2011. Não nos limitamos a adquirir germoplasmas locais; compramos bancos de dados do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) e espécies ancestrais da cana, além de recorrer ao CIRAD da França. Estamos adotando uma abordagem científica inovadora”.

Ele reiterou que há muita desinformação e que a ideia de modificação genética da planta não é correta. “Realizamos apenas um melhoramento convencional com cruzamentos entre diversas plantas”, esclareceu. “O objetivo é que, em 20 ou 30 anos, toda a cana no Brasil tenha origem em uma de nossas 50 variedades. Disponibilizamos 2,8 terabytes de dados para esse fim”.

Eike finalizou suas declarações com um apelo aos críticos do projeto, comparando sua visão a uma gigante tecnológica: “Somos uma entidade diferenciada. Ninguém acreditou que a Nvidia, inicialmente uma produtora de chips para videogames, se tornaria a maior empresa do planeta. Alguém fez a diferença no passado. O nosso hardware é derivado da biotecnologia”.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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