Decisão do Governo sobre Usinas Termelétricas
A combinação entre o risco climático e a tensão no Oriente Médio levou o governo a acelerar a inclusão de novas usinas termelétricas no sistema elétrico nacional. Em uma reunião estratégica realizada na quarta-feira, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico tomou a decisão de antecipar para setembro a operação de cinco termelétricas que foram contratadas por meio de leilões de reserva de capacidade.
Capacidade Adicional ao Sistema Interligado Nacional
Essas usinas, em conjunto, acrescentarão 1,8 gigawatt de potência ao Sistema Interligado Nacional. Essa medida funciona essencialmente como uma forma de seguro contra dois problemas que começaram a preocupá-lo simultaneamente: o potencial impacto de um El Niño mais intenso sobre a geração de energia hidrelétrica e a pressão da crise geopolítica que afeta os preços internacionais do petróleo e do diesel.
Importância da Antecipação de Contratos
Se os reservatórios e a geração das hidrelétricas não atingirem os níveis esperados, o sistema precisará recorrer ao acionamento das usinas termelétricas para garantir o abastecimento energético. Sem a antecipação dos contratos, o governo precisaria contratar energia no mercado de curto prazo, onde se localizam algumas das usinas mais caras e que estão mais expostas à volatilidade dos preços dos combustíveis.
Cálculos realizados pelo Ministério de Minas e Energia indicam que o acionamento de usinas térmicas sem contratos vigentes pode custar pelo menos 25% a mais do que o despacho de empreendimentos que foram previamente contratados em leilão. Essa diferença de custo pode acabar pressionando os encargos do setor elétrico e, em última instância, refletir na conta de luz dos consumidores.
Mudança no Planejamento da Operação Elétrica
Nos bastidores, a decisão é interpretada como uma mudança significativa no planejamento da operação elétrica. Além de monitorar fatores como chuvas, níveis de reservatórios e previsões climáticas, o governo passou a considerar com maior atenção os riscos geopolíticos que podem elevar o custo dos combustíveis utilizados pelas termelétricas.
A análise feita em Brasília é de que é preferível investir agora na disponibilidade dessas usinas para evitar uma conta ainda mais alta no futuro. Com a instabilidade do mercado internacional de energia, o setor elétrico brasileiro deixou de focar exclusivamente nas condições climáticas e passou a observar com mais atenção os eventos ocorridos no Oriente Médio.
Fonte: veja.abril.com.br