Em meio a uma tempestade perfeita, agricultores e traders estão 'navegando às escuras' devido à falta de informações durante a paralisação nos EUA.

Em meio a uma tempestade perfeita, agricultores e traders estão ‘navegando às escuras’ devido à falta de informações durante a paralisação nos EUA.

by Ricardo Almeida
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Falta de Dados Afeta Comércio de Grãos nos EUA

Dados essenciais para o comércio global de grãos e soja nos Estados Unidos estão inacessíveis devido à paralisação do governo federal. Essa situação está impactando traders de commodities e agricultores, que não têm acesso a estimativas de produção, dados de exportação e relatórios de mercado, especialmente durante o período crítico da colheita de outono.

Impacto para os Agricultores

O apagão de dados ocorre em um momento particularmente difícil para os agricultores, que enfrentam a realidade de preços baixos para os grãos, além de incertezas relacionadas ao impacto de condições climáticas adversas e doenças agrícolas nas lavouras de milho e soja. Essas informações são cruciais para o planejamento e a rentabilidade das atividades agrícolas.

Paralisações anteriores do governo, ocorridas durante o primeiro mandato do ex-presidente Donald Trump, apresentaram efeitos menos disruptivos, conforme análise de especialistas. Tais interrupções aconteceram após a temporada de colheita, ao contrário da atual situação.

Guerra Comercial e Implicações

Atualmente, Trump está em meio a uma guerra comercial com a China, a qual é o maior importador de soja do mundo, e essa disputa tem afastado o país de negociações com os produtores estadunidenses. Os traders estão atentos a quaisquer indícios de um possível acordo, mas o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) não está confirmando as vendas de exportação como costumava fazer.

Esta falta de informações atualizadas do governo sobre a colheita e o estado das lavouras prejudica agricultores e traders, que dependem dos relatórios do USDA para precificar e realizar hedge de commodities, que vão desde milho e soja até gado e suínos.

A Visão do Mercado

“Os mercados estão operando às cegas”, declarou Sherman Newlin, agricultor localizado em Illinois e analista da Risk Management Commodities. Entre os importantes relatórios que estão suspensos, encontra-se o relatório semanal de vendas de exportação do USDA, bem como os anúncios diários de vendas e o relatório mensal de Oferta e Demanda Agrícola Mundial (WASDE), o qual estava programado para ser liberado numa quinta-feira.

O relatório WASDE traria atualizações significativas sobre a produção de milho e soja nos Estados Unidos e sobre a demanda global, em um momento crucial, quando os agricultores estão colhendo grandes safras.

Suspensão da Comunicação pela CFTC

Adicionalmente, a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) também suspendeu a divulgação de dados semanais sobre posições especulativas nos mercados, informação que pode influenciar os preços agrícolas. A CFTC não pôde ser contatada imediatamente para fornecer um comentário sobre o caso, enquanto o USDA responsabiliza os democratas pela interrupção nos dados.

Em um comunicado à Reuters, o USDA afirmou: "Enquanto os democratas continuam votando para prolongar a paralisação do governo, relatórios importantes como o WASDE e de progresso da colheita estão sendo adiados, privando os agricultores de informações essenciais para comercializar suas safras e planejar o próximo ano."

Adaptação dos Investidores

Sem essas atualizações, os investidores estão buscando informações através de conversas diretas com agricultores, imagens de satélite e análises do movimento técnico dos preços na Bolsa de Chicago. No entanto, essa falta de dados resultou em uma diminuição da transparência no mercado, criando um ambiente desigual, segundo a perspectiva de alguns traders.

Empresas globais que atuam no setor de grãos, como Cargill, Bunge Global e Archer-Daniels-Midland, mantêm grandes estoques e dados proprietários. Essa situação, conforme afirmam traders, proporciona a essas companhias uma vantagem competitiva sobre empresas menores. No entanto, as empresas em questão não comentaram sobre este assunto até o momento.

Mercados em Hesitação

O volume das negociações nos futuros de grãos diminuiu, pois os investidores demonstram relutância em assumir grandes posições sem as informações normalmente fornecidas pela CFTC, que revelam as posições dos fundos. “Sem esse tipo de dado, quem vai querer assumir um grande risco?”, questionou Newlin.

Ole Houe, diretor da IKON Commodities em Sydney, observou que a falta de dados afeta mais os traders nos Estados Unidos, enquanto os participantes da Ásia, América do Sul e Europa possuem outras fontes de informação nas quais podem confiar.

Expectativas para o Futuro

Traders afirmam que é viável sobreviver ao mês de outubro sem os dados mensais do USDA, visto que já se tem conhecimento de que as safras americanas são robustas. Entretanto, alertam que poderão enfrentar um impacto significativo uma vez que as atualizações sejam retomadas no futuro.

“Toda a indústria de grãos aguarda esse relatório mensal”, comentou Erica Maedke, vice-presidente da Ever.Ag Insights, referindo-se ao WASDE. “No próximo mês, as estimativas de todos estarão alteradas”.

Enquanto este cenário se desenrola, analistas estão se apoiando em conversas com agricultores e em dados de armazéns de grãos para ter uma noção mais clara sobre a situação do mercado. Além disso, traders estão monitorando os preços à vista da soja, além das negociações futuras, para entender se os agricultores estão segurando a venda ou se o fornecimento está restrito devido à demanda das exportações.

Dados Privados em Destaque

“É como observar um elefante e visualizar apenas uma parte dele”, ilustra Maedke. “O USDA nos oferece a visão completa todos os meses. Sem a presença dessa informação, a perspectiva é muito limitada.”

Empresas particulares, como StoneX e S&P Global Commodity Insights, têm divulgado suas próprias previsões de produção, indicando um rendimento menor para o milho. Entretanto, os dados do USDA, que combinam imagens de satélite, entrevistas com agricultores e amostras de campo, continuam sendo a principal referência no mercado.

“No geral, os números fornecidos pelo USDA são os mais objetivos que temos”, declarou Diana Klemme, da Grain Service Corporation, localizada em Atlanta. “Eles podem não ser infalíveis, mas o mercado opera com base nessas informações. Sentimos sua falta."

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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