Desafios do Primeiro Trabalho
Quando Ronin Segrest, de 17 anos, começou a trabalhar no Ocean Oasis Water Park e Beach Club em Wildwood, Nova Jersey, no verão de 2025, estava ansioso para se tornar um salva-vidas. No entanto, ele não antecipou a dificuldade de se desconectar de seu telefone durante os turnos de seis a sete horas.
Foi “um ajuste”, afirma. “Eu definitivamente estava pensando em quem estava me mandando mensagens ou no que estava perdendo.”
Política de Proibição de Celulares
A Morey’s Piers, que é proprietária e operadora do Ocean Oasis Water Park e de diversas outras atrações no calçadão de Wildwood, mantém uma rígida política de proibição de celulares para seus funcionários durante o expediente. Com essa normativa, a empresa se junta a uma crescente lista de empregadores que contratam adolescentes — assim como algumas instituições de ensino — que estabelecem uma linha clara contra o uso de celulares.
Segundo as últimas pesquisas sobre o tema realizadas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), cerca de 50% dos adolescentes com idades entre 12 e 17 anos passam quatro horas ou mais em telas diariamente. O aumento do tempo dedicado a telas fora do trabalho escolar está associado a um maior risco de sintomas de depressão e ansiedade, entre outros efeitos negativos, conforme apontado pelo CDC.
Condições Necessárias para o Desenvolvimento
“Os adolescentes precisam de duas abordagens diferentes” para ajudá-los a estabelecer barreiras em relação aos celulares, diz Andrew Tepper, psicoterapeuta baseado em Nova York. Ele menciona que lidera retiros para muitos de seus clientes adolescentes, onde os incentiva a ficarem longe de seus aparelhos. Os jovens precisam de ambientes onde o uso de dispositivos não é permitido e outros em que podem usá-los livremente, aprendendo a se autocontrolar.
“Ambas as experiências são essenciais para o desenvolvimento do cérebro adolescente”, acrescenta Tepper.
Motivos por Trás da Proibição
Embora os motivos dos empregadores para restringir o uso de celulares por adolescentes possam incluir segurança, produtividade ou aprendizagem de habilidades, os benefícios para os jovens podem ser ainda mais significativos.
Segurança e Performance no Trabalho
Denise Beckson, vice-presidente e diretora administrativa da Morey’s Piers, está na empresa desde que tinha 14 anos. “Meu primeiro trabalho aqui foi no parque aquático”, conta, “e eu cuidava dos pulseiras enquanto as pessoas deixavam o parque no final do dia.”
A cada verão, a empresa contrata cerca de 500 jovens entre 14 e 19 anos, de acordo com Beckson. Eles já possuem uma proibição de uso de celulares para os funcionários, que são orientados a deixar seus dispositivos em armários fixos durante o expediente.
A justificativa para essa proibição é a segurança. “Temos um adolescente de 16 anos trabalhando em um equipamento de milhões de dólares”, afirma Beckson, “ajustando pessoas que vão a 60 milhas por hora de cabeça para baixo.” Salva-vidas, como Segrest, também precisam garantir a segurança de pessoas em toboáguas e piscinas — o que não é possível se estiverem distraídos rolando o telefone.
No entanto, a proibição de celulares foi instaurada também com foco em performance e aprendizado de habilidades. Durante seu tempo livre, aqueles que trabalham em barracas de pizza precisam ter a iniciativa de “pensar que devem estar reabastecendo todos os condimentos”, salienta Beckson. “Poderia estar limpando o balcão ou sorrindo para os clientes que passam no calçadão.”
“Se eu tiver o celular, assim que houver um tempo livre, é isso que estarei fazendo”, completa. “Não estou aprendendo todas as etapas subsequentes que me tornam mais valioso no local de trabalho.”
Foco nas Tarefas do Dia a Dia
A indústria de acampamentos de verão contrata mais de 1 milhão de funcionários anualmente, incluindo muitos adolescentes e jovens adultos, segundo um representante da American Camp Association. Muitos acampamentos não permitem que os funcionários utilizem ou carreguem celulares enquanto supervisionam os campistas.
O Red Arrow Camp, um acampamento masculino em Woodruff, Wisconsin, sempre teve uma política de proibição de celulares para os campistas. Em 2021, a proibição foi estendida aos funcionários. Este ano, o acampamento teve 25 conselheiros de cabana, entre os quais 18 e 19 anos.
Os três princípios principais do acampamento são desconectar, descobrir e desenvolver, explica Rich Pruszynski, diretor executivo. O objetivo é ajudar os campistas a estarem presentes, a aprenderem atividades novas e a desenvolverem habilidades como o trabalho em equipe. A proibição dos celulares entre os conselheiros ajuda a modelar esse comportamento, segundo Pruszynski.
No entanto, para os jovens funcionários, essa proibição também diz respeito a “estar presente e conectado”, acrescenta. “Ela nos permite focar intensivamente na tarefa em mãos. Não temos aquele aparelho no bolso que fica tocando, fazendo barulho ou vibrando, distraindo-nos.”
Impactos Emocionais e Benefícios da Conexão Pessoal
Os jovens funcionários estão sentindo o impacto de ter seus celulares retirados temporariamente.
Ronin Segrest levou cerca de um mês para se acostumar a não ter seu celular, mas após esse período, notou diferenças perceptíveis. A ausência do aparelho permite que ele sente-se consigo mesmo, por exemplo. “Eu resolvo problemas que nunca aconteceram”, diz.
Além disso, isso facilitou o contato com outras pessoas, sejam clientes ou não. “A principal coisa que me fez perceber é que ficar no celular o tempo todo não é, tipo, dopamina real”, observa. Conversar com as pessoas o deixa muito mais feliz do que apenas textos ou rolagens.
Dawson Sennes, de 20 anos, foi campista no Red Arrow Camp de 2018 a 2022 e começou a trabalhar como conselheiro de cabana aos 19 anos. Ele experimentou pela primeira vez a proibição do celular como campista adolescente. “A falta de conexão com o mundo exterior foi — é com certeza um choque”, conta.
No entanto, já se acostumou a passar os verões offline, e os benefícios são palpáveis. “No acampamento, você experimenta uma ampla gama de emoções”, diz Sennes, “muitos altos e baixos.” Os conselheiros de cabana precisam constantemente gerenciar as emoções das crianças sob sua supervisão.
Em casa e na escola, é muito mais fácil se distrair com uma tela e ignorar o que está sentindo, acrescenta Sennes. “Mas quando você está aqui, precisa lidar com suas emoções. Precisa sentar-se com elas.”
No acampamento, ele complementa: “Definitivamente, me sinto mais vivo.”
Fonte: www.cnbc.com