Energia solar em Itaipu pode duplicar a capacidade da usina.

Energia solar em Itaipu pode duplicar a capacidade da usina.

by Ricardo Almeida
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Usina de Itaipu: Um Panorama da Geração de Energia

Dimensões do Reservatório

O reservatório de água da usina de Itaipu, situado na fronteira do Brasil com o Paraguai, na Região Sul do país, abrange uma área de aproximadamente 1.300 quilômetros quadrados. Sua extensão atinge quase 170 km, indo desde a barragem até a margem oposta, com uma largura média de 7 km entre as duas margens.

Energia Hidrelétrica e Solar

A totalidade da capacidade hidrelétrica na área inundada do Rio Paraná é capaz de gerar até 14 mil megawatts (MW) de energia elétrica. Além disso, esta energia pode ser complementada pela geração elétrica a partir de painéis solares colocados sobre o espelho d’água. Esse tipo de experimentação vem sendo investigado por técnicos brasileiros e paraguaios desde o final do ano passado.

Foram instalados um total de 1.584 painéis fotovoltaicos em uma área inferior a 10 mil metros quadrados (m²) sobre o lago, localizados a apenas 15 metros de um trecho da margem no lado paraguaio, onde a profundidade é de aproximadamente 7 metros.

A usina solar de Itaipu apresenta uma capacidade de geração de 1 megawatt-pico (MWp), que equivale ao consumo de 650 residências. É importante salientar que essa energia gerada é destinada exclusivamente ao consumo interno, sem qualquer comercialização e sem ligação direta com a rede de geração hidrelétrica.

Objetivos da Ilha Solar

O objetivo atual da chamada "ilha solar" de Itaipu é funcionar como um laboratório de pesquisa para futuras aplicações comerciais. Engenheiros vinculados ao projeto estão analisando diversos aspectos, como a interação das placas solares com o ambiente. Isso inclui potenciais impactos sobre a fauna local, como peixes e algas, mudanças na temperatura da água, influência dos ventos no desempenho dos painéis e a estabilidade da estrutura, dos flutuadores e da ancoragem ao solo.

A longo prazo, a ideia é expandir a geração de energia elétrica utilizando essa tecnologia, o que poderá exigir atualizações no próprio Tratado de Itaipu, assinado em 1973 entre Brasil e Paraguai, que possibilitou a construção dessa extensiva obra de engenharia compartilhada.

Potencial de Geração

Conforme mencionado pelo superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, Rogério Meneghetti, se considerarmos um potencial meramente teórico, a cobertura de 10% do reservatório com placas solares poderia gerar capacidade semelhante à de outra usina de Itaipu. Embora essa ideia não esteja nos planos atuais, devido ao tamanho da área necessária e à dependência de estudos adicionais, ela ressalta o potencial inerente à pesquisa em andamento.

Estimativas preliminares indicam que seriam necessários, no mínimo, quatro anos de instalação para alcançar uma geração solar de 3 mil megawatts, algo equivalente a 20% da capacidade instalada da hidrelétrica atualmente.

O investimento necessário para as obras foi avaliado em US$ 854,5 mil, o que corresponde a aproximadamente R$ 4,3 milhões com a cotação atual. As atividades de instalação foram realizadas por um consórcio binacional formado pelas empresas Sunlution, do Brasil, e Luxacril, do Paraguai, vencedores da licitação.

Diversificação de Fontes de Energia

Projetos com Hidrogênio Verde

A diversificação das fontes de energia da Itaipu Binacional não se restringe aos estudos de energia solar; ela também envolve projetos inovadores focados no hidrogênio verde e em baterias. Essas iniciativas estão sendo desenvolvidas no Itaipu Parquetec, um ecossistema de inovação e tecnologia estabelecido em 2003 pela Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu (PR). O parque conta com a colaboração de universidades e empresas públicas e privadas e já formou mais de 550 doutores e mestres em diversas áreas.

O Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio, localizado no Itaipu Parquetec, tem como propósito desenvolver hidrogênio verde. Essa forma de hidrogênio é denominada "verde" ou sustentável porque sua produção não resulta na emissão de gás carbônico (CO₂), substância responsável pelo efeito estufa e pelo aquecimento global.

A técnica empregada no Itaipu Parquetec é a eletrólise da água, que faz a separação dos elementos químicos das moléculas de água (H₂O) utilizando equipamentos automatizados em laboratório. O hidrogênio verde é bastante versátil, podendo ser utilizado como insumo sustentável para diversos setores industriais, incluindo siderurgia, indústria química, agronegócios e outros. Na usina, uma planta dedicada à produção de hidrogênio verde atua como plataforma para o desenvolvimento de projetos-piloto.

Iniciativas de Pesquisa

De acordo com Daniel Cantani, gerente do Centro de Tecnologia de Hidrogênio do Itaipu Parquetec, a usina opera como uma plataforma tecnológica que atende projetos de pesquisa científica e demandas da indústria nacional. Algumas empresas brasileiras têm desenvolvido veículos movidos a hidrogênio, como ônibus e carretas, e estão utilizando o Itaipu Parquetec como um local para testes e validações.

Uma realização notável foi apresentada na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém. Um barco movido a hidrogênio, fruto de pesquisa no Itaipu Parquetec, foi entregue para atuar na coleta seletiva de resíduos nas comunidades ribeirinhas próximas à capital paraense.

Gestão Energética e Baterias

Outro destaque do Itaipu Parquetec é um centro dedicado à gestão energética. Este centro foca na pesquisa do desenvolvimento de células e na fabricação e reaproveitamento de baterias para armazenamento de energia. Esses sistemas são especialmente voltados para empresas e instalações fixas que demandam reservas energéticas.

Biogás e Combustíveis Sustentáveis

Geração de Biogás

A Itaipu está investindo na geração de biogás proveniente de resíduos orgânicos gerados pelos restaurantes na usina e de materiais apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA-Vigiagro) em fiscalizações de fronteira. Ao invés de esses resíduos serem descartados em aterros, eles são convertidos em biogás e biometano.

A reinauguração da Unidade de Demonstração de Biocombustíveis, que faz parte do complexo da usina, ocorreu em um evento acompanhado pela Agência Brasil no dia 13 de abril. Essa unidade é gerida pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), uma iniciativa da Itaipu focada em soluções para combustíveis limpos.

O biocombustível é produzido através de um processo de biodigestão em grandes tanques, onde resíduos orgânicos são transformados em combustível capaz de abastecer os veículos que operam dentro da usina. Em quase nove anos de atividade, a usina processou mais de 720 toneladas de resíduos, gerando biometano suficiente para percorrer aproximadamente 480 mil quilômetros, o que equivale a 12 voltas ao redor do planeta.

Desenvolvimento de SAF

Adicionalmente, a planta está desenvolvendo experimentalmente o bio-syncrude, um óleo sintético que pode ser empregado na produção de SAF (Sustainable Aviation Fuel, ou Combustível Sustentável de Aviação em português).

De acordo com Daiana Gotardo, diretora técnica do CIBiogás, acredita-se que nos próximos dez anos haverá um aumento significativo no uso de combustíveis avançados, incluindo hidrogênio e SAF, especialmente em virtude da nova legislação referente ao futuro dos combustíveis, que impõe mandatos a serem cumpridos. Portanto, biometano e SAF figuram entre os tópicos centrais do momento atual.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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