Número de endividados no Brasil
O cartão de crédito é considerado, por muitos brasileiros, como uma extensão da renda. Ele é prático, amplamente aceito e oferece diversos benefícios. Contudo, também apresenta armadilhas, especialmente quando chega o momento de pagar a fatura e o dinheiro não é suficiente.
Em janeiro de 2026, o Brasil registrou um recorde preocupante, com 81,3 milhões de pessoas endividadas, de acordo com o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas do Serasa. Dentre esse total, 26,3% enfrentavam pendências relacionadas a bancos e cartões de crédito.
Diante desse cenário, é crucial compreender as opções de pagamento da fatura — além das consequências subsequentes — para evitar um descontrole financeiro que pode se tornar problemático.
Pagamento mínimo
O pagamento mínimo refere-se ao menor valor que o banco exige para garantir que o cliente não fique inadimplente. Geralmente, esse valor gira em torno de 15% da fatura, mas englobando mais do que apenas uma fração das compras realizadas.
Entre os componentes que são considerados para o cálculo desse pagamento estão:
- Uma parte das compras do mês atual;
- Uma parte do saldo que foi mantido em aberto da fatura anterior;
- Cem por cento de encargos, incluindo juros, IOF, multas e saques;
- Parcelas de acordos que já estavam em vigor, caso existam.
Assim, optar apenas pelo pagamento mínimo evita a inadimplência imediata, mas não soluciona a dívida em si.
Efeito colateral: o rotativo do cartão de crédito
Quando o cliente decide realizar o pagamento parcial da fatura, o saldo restante automaticamente se torna parte do crédito rotativo, o que pode ser problemático.
O crédito rotativo no cartão de crédito é uma das linhas de crédito mais onerosas disponíveis no país. Como não há garantia de pagamento por parte do consumidor, os bancos incutem um prêmio de risco elevado nas taxas de juros — que variam de uma instituição financeira para outra, mas que geralmente são bastante altos.
Além dos juros, outros encargos também são aplicados, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Este normalmente é cobrado à razão de 0,38% sobre o valor atrasado, mais 0,0082% por dia até que a dívida seja totalmente quitada.
O resultado dessa situação é evidente: a dívida tende a aumentar rapidamente, mesmo que não sejam realizadas novas compras.
Rotativo ou parcelamento: qual é a melhor opção?
Quando não é viável pagar o valor total da fatura, os consumidores possuem duas alternativas principais: manter-se no rotativo ou parcelar a dívida.
O uso do rotativo é normalmente considerado a pior alternativa a longo prazo, pois os juros são elevados e a dívida pode não apenas se acumular, mas também aumentar continuamente a cada mês.
Por outro lado, o parcelamento da fatura pode ser enxergado como um acordo com o banco. Nesse acordo, a quantia devida é segmentada em parcelas fixas, que já incluem juros. Essa opção oferece maior previsibilidade aos consumidores, embora o custo total também seja elevado.
Em termos gerais, especialistas afirmam que o parcelamento tende a ser menos prejudicial em comparação à permanência no rotativo ao longo de vários meses.
Quando vale a pena pagar o mínimo do cartão de crédito
Realizar o pagamento mínimo da fatura pode ser vantajoso em situações específicas, particularmente quando o consumidor tem a segurança de que conseguirá quitar o restante da dívida no mês seguinte.
Nesses casos, o impacto dos juros incorridos é reduzido, já que o saldo que permanece no rotativo não se sustenta por muito tempo.
Entretanto, se não houver uma perspectiva clara de pagamento rápido, o ideal geralmente é optar pelo parcelamento. Embora implique em custos, essa alternativa pode promover uma melhor organização financeira e evitar o crescimento descontrolado da dívida.
Como decidir sem cair em armadilhas
Antes de tomar uma decisão sobre se optar pelo pagamento mínimo, rotativo ou parcelamento, é aconselhável fazer as contas necessárias e utilizar as ferramentas disponibilizadas pelos próprios bancos.
As simulações podem ser de grande ajuda na hora de planejar e compreender:
- O total que você acabará pagando;
- Como o valor das parcelas afetará seu orçamento;
- Qual a melhor opção considerando seu fluxo de caixa.
Para aqueles que estão com dívidas no cartão de crédito, a regra é simples: a melhor alternativa não é necessariamente a mais barata em termos numéricos, mas sim a que o consumidor pode realmente cumprir.
Fonte: www.moneytimes.com.br