Especialista afirma que tarifas de Trump impactaram o mercado acionário dos EUA

Especialista afirma que tarifas de Trump impactaram o mercado acionário dos EUA

by Fernanda Lima
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Volatilidade no Mercado Financeiro em 2025

O mercado financeiro dos Estados Unidos enfrentou um período de intensa volatilidade ao longo de 2025, com destaque para as tarifas implementadas pelo presidente Donald Trump. Esse cenário resultou em uma queda significativa de 10% no índice S&P 500 em apenas dois dias, logo após o anúncio das tarifas em abril.

Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, apontou que as tarifas foram utilizadas como uma ferramenta e moeda de troca pela administração americana, impactando diversos países em uma estratégia que buscava proporcionar vantagens econômicas para os Estados Unidos. “Não tem como eu começar, é impossível começar sem falar das tarifas que Donald Trump botou ali em abril e foi, sem dúvida, um dos maiores drivers do ano de 2025”, declarou Praça.

Outro fator que teve um impacto significativo no mercado foi o avanço da inteligência artificial, que continuou a impulsionar as ações do setor tecnológico. “A maior parte do S&P 500, a maior parte relacionada a essa alta do S&P 500 que nós tivemos em 2025, está relacionada a ações de tecnologia”, ressaltou o especialista. A NVIDIA, por exemplo, atravessou a marca de 5 trilhões de dólares em valor de mercado, convertendo-se na empresa mais valiosa do mundo, o que gerou preocupações sobre uma possível bolha no setor.

Mudanças nas Políticas Monetárias e Valorização de Metais

As alterações nas políticas monetárias dos bancos centrais também desempenharam um papel importante na dinâmica do mercado. O Federal Reserve (Fed) iniciou um ciclo de cortes nas taxas de juros, enquanto o Banco Central Europeu também optou por reduzir suas taxas. Além disso, o Banco do Japão interrompeu sua trajetória de juros negativos. Essas decisões tiveram repercussões diretas nos investimentos globais e nas expectativas em relação à economia americana.

A valorização dos metais preciosos foi outro aspecto ressaltado por Praça. “A gente teve o ouro passando dos 4 mil dólares a onça-troy, prata dobrando de valor, mais que dobrando de valor, e isso mostra uma forte busca por proteção”, comentou. O comportamento do Bitcoin, que não seguiu o mesmo desempenho, sugere uma preferência dos investidores por ativos tangíveis como forma de proteção contra conflitos geopolíticos e a guerra tarifária.

Interrupção da Cadeia de Suprimentos

A imposição de tarifas resultou em uma interrupção significativa na cadeia global de suprimentos. Grandes empresas como Apple e Nike, que têm suas produções localizadas fora dos Estados Unidos, foram obrigadas a reconsiderar suas estratégias operacionais. Um exemplo notório ocorreu quando a Apple empenhou seis aviões transportando aproximadamente 1,5 milhão de iPhones para os Estados Unidos, antes do início da aplicação das tarifas, numa tentativa de criar um estoque e evitar repassar o aumento de preços aos consumidores.

“As empresas acabam priorizando, mudando as estratégias e priorizando resiliência. Porque simplesmente o risco é muito alto”, analisou Praça, enfatizando como as frequentes alterações nas políticas tarifárias, como a imposição e a revogação de tarifas, geraram um ambiente repleto de incertezas para as empresas.

Perspectivas para 2026

Com relação ao ano de 2026, Praça destacou alguns fatores que devem estar no foco da atenção dos investidores. O primeiro deles é a expectativa pela decisão da Suprema Corte americana sobre a legalidade das tarifas implementadas por Trump. Se a decisão se mostrar desfavorável ao governo, as tarifas poderiam ser consideradas inválidas, e haveria também a necessidade de restituir cerca de 50% do valor arrecadado, totalizando aproximadamente 200 bilhões de dólares.

Os conflitos geopolíticos continuarão a suscitar preocupações, especialmente com as tensões existentes na Venezuela, Rússia, Ucrânia e Oriente Médio. “Os conflitos seguem no radar e piorando, essa é a verdade”, alertou o especialista.

Por último, o mercado de inteligência artificial permanecerá sendo objeto de análise, com indagações sobre a sustentabilidade do rápido crescimento observado, considerando limitações de eletricidade, espaço e capacidade de armazenamento. “A partir do momento que começar a esfriar um pouco, vêm alguns reportes, alguns relatórios um pouco mais para baixo, a gente pode esperar aí talvez uma reprecificação dos ativos de risco”, finalizou Praça.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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