Especialista: Aumento do salário mínimo traz mais desafios do que soluções.

Especialista: Aumento do salário mínimo traz mais desafios do que soluções.

by Fernanda Lima
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O novo salário mínimo, estabelecido em R$ 1.621 e que entrou em vigor no dia 1º de janeiro, representa um avanço significativo para os trabalhadores brasileiros. Contudo, essa mudança pode acarretar um impacto considerável nas contas públicas. Em uma entrevista concedida ao CNN Prime Time, Alexandre Espírito Santo, coordenador de Economia da ESPM, discutiu as implicações fiscais decorrentes desse reajuste.

De acordo com o especialista, a questão fiscal tem sido o principal desafio enfrentado pela economia brasileira nos últimos anos, e o aumento do salário mínimo afeta diretamente o orçamento governamental. Alexandre enfatiza que “o problema não é o aumento do salário mínimo, que é positivo. O problema está nas consequências que surgem a partir disso”.

Impacto nos gastos públicos

O economista detalhou que o reajuste no salário mínimo impacta uma série de benefícios que estão atrelados a esse valor, como os pagamentos do INSS, do BPC (Benefício de Prestação Continuada), do seguro-desemprego e do abono. “Estes gastos adicionais podem exceder R$ 42 bilhões, R$ 43 bilhões”, afirmou. Esse montante representa uma pressão extra sobre um cenário fiscal já delicado, especialmente em um ano marcado por eleições.

Além disso, Alexandre Espírito Santo mencionou o projeto de lei orçamentária recentemente aprovado, que prevê um superávit de R$ 35 bilhões. Para ele, essa meta é considerada “mais uma peça de ficção”. Ele observa que é “muito provável que não alcancemos esse superávit, estando mais perto de um déficit em torno de R$ 100 bilhões”.

Perspectivas para a taxa de juros

Em relação ao impacto do aumento do salário mínimo sobre a política monetária, o economista acredita que o Banco Central irá continuar sua trajetória de redução gradual da taxa Selic. “Esperamos uma redução da taxa de juros durante a reunião de janeiro; no final de janeiro, nossa expectativa é de uma queda de 0,25 ponto percentual”, disse.

Alexandre também destacou que o Banco Central conseguiu restabelecer as expectativas inflacionárias, como evidenciado pelo IPCA-15 de dezembro, que indicou que o índice de inflação deve permanecer dentro da meta para o ano de 2025. Apesar desse aspecto positivo, ele alertou que o Brasil ainda enfrenta a segunda maior taxa de juros reais do mundo, o que atua “como um garrote, sufocando a economia”. A previsão é que a taxa Selic se situe entre 12% e 12,5% ao final de 2026.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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