Especialistas afirmam que tarifas prejudicam resultados nos EUA, segundo o WW.

Especialistas afirmam que tarifas prejudicam resultados nos EUA, segundo o WW.

by Fernanda Lima
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Tarifas de Donald Trump e seus Efeitos no Comércio Global

Desde sua volta à Casa Branca, o ex-presidente Donald Trump tem utilizado tarifas como uma estratégia para alterar a dinâmica do comércio internacional e tentar promover intervenções políticas.

A Tática das Tarifas

Ao anunciar ou ameaçar a imposição de tarifas sobre um determinado país ou produto, Trump busca que comportamentos considerados por ele como negativos sejam alterados. No entanto, especialistas afirmam que essa abordagem não tem produzido os resultados esperados. Segundo Marcello Estevão, diretor-gerente e economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais, “sanções e tarifas podem gerar vitórias táticas quando há metas bem definidas e uma ampla coalizão de países apoiando, mas como uma política de uso contínuo e maximalista, tendem a ser contraproducentes”.

O Caso do Brasil

No contexto brasileiro, Trump solicitou a libertação de Jair Bolsonaro e pediu que o governo não prosseguisse com a regulamentação das grandes empresas de tecnologia. Após essas solicitações, Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e o governo federal tentou avançar com um projeto de regulação econômica voltado para as gigantes da tecnologia.

Demandas à China

Em relação à China, Trump fez várias solicitações, destacando a redução dos controles de exportação de minerais raros, que são fundamentais para a produção de chips e outros dispositivos eletrônicos. Essa restrição por parte de Pequim ocorreu no cenário da guerra comercial desencadeada pelo presidente republicano. Eventualmente, os dois países chegaram a um entendimento, que resultou na diminuição das tarifas e na retomada parcial das exportações desses materiais.

Eficácia das Tarifas

Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, indica que a estratégia de tarifas tende a funcionar de maneira mais eficaz com países de menor tamanho, mas esbarra em dificuldades quando aplicada a grandes economias. Ele observou que “quando se fala em sanções em economias dessa magnitude, os resultados frequentemente são muito ruins”.

Na avaliação de Vinicius Rodrigues Vieira, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e de Economia da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), essa postura representa “um ato desesperado dos EUA para controlar a ascensão chinesa”. Contudo, ainda segundo o professor, os “instrumentos são demasiadamente fracos frente à capacidade da China de desenvolver novas tecnologias”.

História das Intimidações

As intimidações ligadas à guerra comercial tiveram início antes mesmo de Trump assumir a presidência e se prolongaram ao longo de seus meses no cargo. Ele chegou a ameaçar tarifar e abrir investigações comerciais contra diversos países ou blocos econômicos em ao menos 37 ocasiões, conforme o think tank Atlantic Council.

Embora algumas dessas ameaças não tenham se concretizado, essa incerteza contribuiu para instabilidades nos mercados internacionais. Apesar disso, a alíquota média das tarifas impostas pelos Estados Unidos alcançou seu nível mais alto desde 1934, com um percentual de 17,9%. Nenhum país ficou isento das tarifas de Trump, sendo que os mais impactados foram Brasil, China e Índia.

Impactos Econômicos na População

Os efeitos das tarifas têm se refletido diretamente nos consumidores, gerando aumento da inflação e impactando o mercado de trabalho. Por exemplo, o preço da carne teve um aumento superior a 8%, enquanto o preço do café cresceu quase 19%. O setor produtivo tem sido o mais afetado em relação ao emprego, com uma queda no número de postos de trabalho desde o que foi chamado de "Dia da Libertação", em abril.

Fonseca, especialista na área, assinala que até fevereiro os EUA enfrentavam uma deflação, mas que, devido aos efeitos das tarifas, “agora é uma situação positiva”. Ele adverte que “em algum momento, a conta vai chegar, e já está chegando especialmente aos consumidores americanos e, sobretudo, aos trabalhadores que deram sua confiança a Trump para que ele reindustrializasse a América”.

Queda de Popularidade de Trump

Esses fatores têm impactado negativamente a popularidade do presidente, segundo uma pesquisa da CNN. Trump alcançou uma taxa de aprovação de 37%, a menor registrada em seu segundo mandato, enquanto a insatisfação da população com os rumos do país aumentou para 68%.

A Casa Branca também observou a oposição conquistar vitórias significativas em eleições recentes. O Partido Democrata triunfou nas eleições para a prefeitura de Nova York, além dos governos dos estados da Virgínia e Nova Jersey.

O Futuro Político

Em um ano, os cidadãos americanos retornarão às urnas para as eleições legislativas, que renovam metade da Câmara dos Representantes e do Senado — as denominadas midterms. Vinicius enfatiza que, se Trump não conseguir melhorar a situação econômica do país, “2026 poderá ser um ano de derrotas significativas para o Partido Republicano”.

De acordo com o especialista, “nós temos uma situação em que será possível medir se de fato temos a paciência do eleitor americano para conceder a Trump uma nova oportunidade de administrar seu segundo mandato de forma estável”.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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