A Disparidade Entre Gêneros no Brasil
A observação das solteiras no Brasil, que frequentemente expressam que “está faltando homem no Brasil” ou “não há mais homem para mim”, ganhou um respaldo que agora se evidencia com dados: há um número significativamente maior de mulheres em comparação aos homens no país.
Essa informação foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou recentemente um recorte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025 na última sexta-feira (17).
De acordo com esta pesquisa, existem aproximadamente 103 milhões de homens e 108 milhões de mulheres no Brasil. Isso resulta em uma diferença superior a 5 milhões, estabelecendo uma razão de 95,4 homens para cada 100 mulheres.
Variação Regional
Embora o IBGE indique que a quantidade de mulheres supera a de homens em escala nacional, essa diferença não é uniforme e varia conforme a localização dentro do país, levando a situações que podem contrariar essa tendência.
Por exemplo, em São Paulo, a discrepância é de 1,2 milhão, com 22 milhões de homens e 23 milhões de mulheres. No Rio de Janeiro, a desigualdade é menor, apenas 770 mil, evidenciando quase metade da diferença observada em São Paulo.
Em regiões como o Nordeste, os números também apresentam variações significativas. Na Bahia, por exemplo, há meio milhão de mulheres a mais do que homens. O Ceará e Pernambuco seguem a tendência, com diferenças de 300 mil.
Curiosamente, existem estados onde a população masculina é predominante, como Tocantins, Santa Catarina, Mato Grosso e Maranhão, onde a diferença não supera 30 mil homens. Essa predominância masculina pode ser explicada pela natureza das atividades econômicas na região, que frequentemente atraem mais homens, especialmente em setores como mineração e agronegócio.
A Influência da Idade
A PNAD também revelou que a discrepância entre os gêneros não é apenas uma questão de localização geográfica, mas também está diretamente relacionada à idade.
A maior disparidade ocorre entre as populações mais idosas, onde há um número significativamente maior de mulheres. Nas faixas etárias de 60 anos ou mais, por exemplo, existem cerca de 19 milhões de mulheres para 15 milhões de homens, o que resulta em 4,2 milhões de homens a menos.
Por outro lado, ao se analisar as faixas etárias mais jovens, os dados mostram uma mudança: entre 65 e 30 anos, as mulheres ainda são a maioria, mas entre os 25 e 29 anos, observa-se um equilíbrio, e nas faixas de 24 a 18 anos, a quantidade de homens ultrapassa a das mulheres, sendo estes os predominantes.
Essa situação pode ser atribuída à maior longevidade das mulheres e ao fato de que os homens apresentam taxas mais altas de mortalidade precoce, muitas vezes relacionadas a acidentes e violência.
Perspectivas Futuras
Ao se analisar a evolução da quantidade de homens e mulheres ao longo dos anos, a pesquisa do IBGE indica que a população feminina sempre superou a masculina. No entanto, a disparidade entre os gêneros vem aumentando ao longo do tempo.
Em 2012, por exemplo, a diferença era de 4,37 milhões, com cerca de 100 milhões de mulheres e 96 milhões de homens. Para o ano de 2026, esta diferença deverá subir para 5,31 milhões.
Embora a expectativa geral indique que nascem mais homens do que mulheres, em torno de 3% a 5% mais, essa relação se inverte ao longo da vida. A diferença populacional não é apenas uma questão de nascimentos, mas está intimamente ligada à expectativa de vida de cada gênero.
Um Olhar Sobre a Situação Atual
A diferença na quantidade de homens e mulheres não precisa ser vista como uma preocupação negativa para as mulheres. Segundo um estudo conduzido por Paul Dolan, que é professor de Ciência Comportamental na London School of Economics, as mulheres solteiras e sem filhos costumam relatar índices mais altos de felicidade e saúde em comparação às que estão casadas.
De acordo com as observações do pesquisador, os homens se beneficiam mais com o casamento, adotando comportamentos mais saudáveis e recebendo apoio emocional, enquanto muitas mulheres acabam enfrentando uma sobrecarga de responsabilidades, dividindo-se entre obrigações profissionais e domésticas, como o cuidado da casa e dos filhos. (Sob supervisão de Ricardo Gozzi.)
Fonte: www.moneytimes.com.br