Declaração Conjunta dos Estados do Golfo
Os estados do Golfo emitiram, na última quinta-feira, uma declaração conjunta condenando os ataques “flagrantes” e “criminosos” do Irã contra sua infraestrutura de energia, sinalizando uma disposição para agir em “autodefesa” no futuro.
Os países do Golfo enfatizaram que os ataques realizados a partir do território iraquiano por facções armadas e proxies leais ao Irã são uma preocupação particular e uma violação do direito internacional. “Embora valorizemos nossas relações fraternais com a República do Iraque, fazemos um apelo ao governo iraquiano para que tome as medidas necessárias para interromper imediatamente os ataques… em direção a países vizinhos”, destacou a declaração conjunta dos Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Barein, Arábia Saudita, Catar e Jordânia.
A declaração ressalta que a cessação de tais ataques é essencial “para preservar relações fraternais e evitar uma maior escalada”. Além disso, os estados do Golfo reafirmaram seu “pleno e intrínseco direito à autodefesa contra essas ações criminosas”, conforme o Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que assegura o direito dos estados à autodefesa, tanto individual quanto coletivamente, em caso de agressão.
Os países também se reservaram o direito “de tomar todas as medidas necessárias para salvaguardar nossa soberania, segurança e estabilidade”. Os vizinhos do Golfo do Irã foram repetidamente alvos de ataques, incluindo o uso de drones e mísseis iranianos, como parte de represálias da República Islâmica contra os bombardeios dos EUA e de Israel desde o final de fevereiro.
Consequências dos Ataques
Os ataques, que foram lançados tanto de dentro do Irã quanto de fora por grupos aliados ao regime, provocaram danos em terminais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), resultando em anos de reparos dispendiosos em alguns casos.
Esta não é a primeira vez que os estados do Golfo emitem declarações enérgicas condenando ataques iranianos à infraestrutura e às instalações energéticas, que são vistas como parte da estratégia de Teerã para persuadir seus vizinhos a convencer os EUA e Israel a interromper suas operações militares.
No entanto, a declaração conjunta e a menção de “autodefesa” sinalizam uma mudança de tom por parte dos vizinhos do Golfo do Irã, que historicamente incentivaram a desescalada das tensões e, até o momento, adotaram uma posição mais neutra e conciliatória em relação à guerra entre os EUA e Israel.
O Irã se desculpou por ataques contra seus vizinhos, ao mesmo tempo em que justificou essas ações, afirmando à CNBC que as bases militares dos EUA em territórios vizinhos eram alvos “legítimos”.
Paciência dos Estados do Golfo se Esgotando
Sinais claros indicam que a paciência coletiva dos países do Golfo está se esgotando. Funcionários do Golfo advertiram que “um preço deve ser pago” pelos ataques, que atrasaram o desenvolvimento econômico da região por anos e prejudicaram a reputação da área como um refúgio seguro para negócios e turismo.
Adoção de uma Postura Mais Rigorosa
Nas últimas 24 horas, potências regionais — em especial os Emirados Árabes Unidos — indicaram um endurecimento de sua postura em relação ao Irã, apesar dos aparentes esforços da Casa Branca para encontrar uma saída do conflito, promovendo negociações de paz com a República Islâmica, que nega que tais discussões estejam ocorrendo.
O embaixador dos Emirados Unidos nos Estados Unidos, Yousef Al Otaiba, afirmou em um artigo de opinião no Wall Street Journal que um “simples cessar-fogo não é suficiente” diante das negociações de paz não confirmadas entre Teerã e Washington, intermediadas por terceiros.
Sultan Al Jaber, diretor executivo da empresa estatal de petróleo dos Emirados, comentou em um discurso ao Middle East Institute em Washington que o controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz equivale a “extorsão em escala global”.
Na mesma semana, Sheikh Nawaf al-Sabah, CEO da Kuwait Petroleum Corp., declarou que o Irã está impondo um bloqueio econômico contra o Golfo Pérsico ao fechar o acesso marítimo. O CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, alertou anteriormente que a guerra com o Irã teria “consequências catastróficas” para a economia mundial.
A CNBC solicitou comentários adicionais de vários estados do Golfo e está aguardando respostas.
Fonte: www.cnbc.com