Disputa em Torno da OPA da Oncoclínicas
A disputa envolvendo a Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Oncoclínicas assume novos desdobramentos com a divulgação de comunicações entre advogados envolvidos no processo. Em uma conversa obtida pelo Radar Econômico, Otavio Yazbek, que foi contratado pelo Goldman Sachs para atuar como parecerista, sugeriu à advogada Maria Guido, que representa o banco americano pelo escritório Mattos Filho, que considerasse entrar em contato com o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU) para interromper a operação. Yazbek fez questão de destacar que possuía um contato próximo ao ministro em sua mensagem: “Se vocês acharem que é o caso de ir à CGU, tenho um contato próximo com o ministro”, escreveu.
Reclamação Formal à CGU
A sugestão de Yazbek emergiu após uma reportagem publicada pelo jornal O Globo, a qual trouxe à tona uma reclamação formal apresentada por acionistas minoritários da Oncoclínicas. Esses acionistas, que apoiam a proposta da OPA, denunciaram à CGU a conduta de técnicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A alegação central do pedido é que os diretores da CVM se manifestem sobre as condições da operação, buscando, assim, aumentar a pressão institucional relacionada ao caso. Vale lembrar que Yazbek possui um histórico como diretor da CVM.
Conflito de Interesses entre Acionistas
A disputa pela OPA coloca em lados opostos alguns dos principais acionistas da Oncoclínicas. De um lado estão a Centaurus Capital e o Goldman Sachs; do outro, a gestora de ativos estressados Latache, acompanhada de acionistas minoritários que sustentam a necessidade de convocar uma oferta pública de aquisição. Esses acionistas alegam que o fundo Josephina, que é controlado pela Centaurus, ultrapassou o limite de 15% de participação acionária, um limite estabelecido para a rede de tratamento oncológico.
Posicionamento do Escritório Mattos Filho
Em comunicado, o escritório Mattos Filho informou que “o doutor Otávio Yazbek foi contratado como consultor e vem representando o cliente em conjunto com o Mattos Filho perante as diferentes autoridades governamentais”. O escritório ainda destacou que Yazbek emitiu pareceres no contexto de sua atuação. Adicionalmente, foi mencionado que “as reuniões com a CVM, a CGU e quaisquer outras autoridades são parte do trabalho regular de assessoria jurídica, e essas reuniões foram e serão solicitadas pelos canais oficiais pela equipe jurídica envolvida”. O escritório enfatizou que, em todas as interações com as autoridades competentes, o Mattos Filho segue estritamente os trâmites formais e éticos estabelecidos.
Esclarecimento de Yazbek
Yazbek, por sua vez, afirmou que suas conversas se restringem a “contatos profissionais, sem qualquer outra oferta de trânsito”. Ele também ressaltou que “qualquer reunião teria que ser solicitada pelas vias formais” para garantir a legitimidade do processo.
Fonte: veja.abril.com.br