Estrutura de Organização Criminosa
Uma estrutura sólida, caracterizada pela divisão de tarefas e com uma "finalidade delitiva", são evidências claras da existência de uma organização criminosa associada ao banqueiro Daniel Vorcaro, identificada pela Polícia Federal como "A Turma". Essa avaliação é feita pelo advogado criminalista Gabriel Vitorino da Silva, sócio-gestor do escritório Alan Januário Advocacia.
Prisões e Núcleos Identificados
Durante o inquérito que resultou na prisão do proprietário do Banco Master e outros envolvidos na quarta-feira, dia quatro de outubro, a Polícia Federal (PF) constatou que "A Turma" era composta por, no mínimo, quatro núcleos. Um desses núcleos foi classificado como "núcleo de intimidação e obstrução de Justiça", responsável por práticas de monitoramento ilegal.
Os indivíduos envolvidos além de Vorcaro incluem seu cunhado, Fabiano Zettel, que se entregou na sede da PF em São Paulo, Luiz Phillipi Mourão, conhecido pelo apelido de "Sicário", que teria cometido suicídio após a prisão, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
De acordo com o inquérito da PF, o grupo denominado "A Turma" tinha como função monitorar e intimidar adversários, assim como autoridades e jornalistas. A fundamentação para a solicitação da prisão preventiva baseou-se na identificação do “risco concreto de interferência nas investigações”.
Para Vitorino, a questão não se refere, em princípio, à "rigor" da Justiça, mas sim a um "juízo concreto de cautelaridade", especialmente considerando que há indícios de interferências na coleta de provas, risco para a investigação e possibilidade de reiteração de condutas delituosas, conforme indicado pelo advogado criminalista.
Decisão do Supremo Tribunal Federal
Na decisão que resultou nos pedidos de prisão, o ministro André Mendonça, responsável pelo caso no Supremo Tribunal Federal (STF), destacou que permitir a liberdade dos investigados "possibilitaria o funcionamento da organização criminosa, com risco real de destruição de provas".
Plano de Agressão
As investigações revelaram que o grupo criminoso mantinha uma estrutura destinada à vigilância e à coerção, com o objetivo de obter, de maneira ilegal, informações sigilosas e intimidar críticos. Um dos alvos dessa intimidação era o jornalista Lauro Jardim, vinculado ao jornal O Globo. Mensagens obtidas durante a investigação mostram um esquema para Forjar um assalto contra o colunista, com a intenção de "quebrar todos os seus dentes", como forma de retaliação.
Ocultação de Recursos Financeiros
Outro aspecto importante que justifica a prisão preventiva é a ocultação de R$ 2,2 bilhões pelo banqueiro na conta de seu pai, Henrique Moura Vorcaro. Esse movimento financeiro ocorreu durante a investigação, após a soltura de Vorcaro no final de 2025, o que reforça a alegação de reiteração criminosa por parte dos investigadores.
A Polícia Federal informou que apenas 10% do material coletado até o momento foi analisado. Para prevenir a continuidade das atividades ilícitas, o ministro Mendonça determinou a suspensão das operações das empresas ligadas aos investigados. De acordo com o relato do ministro do STF, essas empresas teriam sido constituídas "não para gerar riqueza e empregos, mas para atuar exclusivamente na prática de ilícitos", facilitando a lavagem de dinheiro.
Com supervisão de Gustavo Porto
Fonte: www.moneytimes.com.br


