EUA e Brasil disputam o imenso mercado de soja da China

Crescimento das Importações de Soja na China

Beijing — À medida que o Brasil aumenta sua participação nas compras de soja feitas pela China, diminuindo a fatia dos agricultores americanos, os Estados Unidos estão buscando recuperar esses compradores ao enfatizar a qualidade das suas culturas.

Carlos Salinas, diretor executivo para a Ásia Oriental do U.S. Soybean Export Council, destacou, em uma apresentação realizada na terça-feira durante a China International Supply Chain Expo em Pequim, as diferenças significativas entre a produção de soja na América do Norte e na América do Sul.

Ele comparou uma série de fatores climáticos entre uma cidade no Brasil e uma no estado de Illinois, nos Estados Unidos, levando em conta dados como a pluviosidade nos 30 dias que antecedem a colheita: 231 milímetros no Brasil, em contraste com 72 milímetros nos EUA. Salinas comentou: "Isso impacta a condição da cultura. Isso afeta a qualidade."

O evento, que teve uma duração de meio dia, foi organizado em conjunto com o China Council for the Promotion of International Trade, com o objetivo de avançar uma cadeia de suprimento de soja sustentável e resiliente entre os Estados Unidos e a China.

Jim Sutter, CEO do U.S. Soybean Export Council, afirmou à CNBC durante o evento que a organização incentiva os compradores de soja a se educarem sobre esses temas, buscando aprofundar-se. Ele também observou novas maneiras de medir a qualidade e a nutrição, especialmente no que se refere à alimentação animal.

Tensão Comercial entre EUA e China

As exportações de soja americanas se tornaram uma moeda de troca no agravamento das tensões comerciais entre os EUA e a China nos últimos anos. Pequim, que é o maior importador de soja do mundo, diversificou suas fontes de suprimento, passando a incluir o Brasil e a Argentina, como uma maneira de garantir sua segurança alimentar.

Uma década atrás, tanto os Estados Unidos quanto o Brasil respondia por aproximadamente 40% das importações de soja da China. Em 2018, contudo, o Brasil começou a assumir uma crescente participação após a imposição da primeira rodada de tarifas dos EUA sobre produtos chineses, segundo cálculos da CNBC com base em dados da alfândega chinesa acessados por meio da Wind Information.

Nos primeiros cinco meses de 2026, mais de 60% das importações de soja da China vieram do Brasil, enquanto os Estados Unidos contribuíram com 23% e a Argentina com 10%, segundo dados reveladores.

As exportações de soja dos EUA para a China caíram drasticamente, com uma queda de 76% no ano passado, totalizando US$ 3,1 bilhões, uma queda acentuada em comparação ao pico de US$ 17,9 bilhões em 2022. Mesmo assim, com 7,37 milhões de toneladas métricas, as sojas americanas continuaram a ser a maior exportação agrícola dos Estados Unidos para a China durante o ano civil anterior.

Convencer os compradores chineses a aumentar suas aquisições demandará tempo.

No mês passado, a Casa Branca anunciou que a China se comprometeu a comprar ao menos US$ 17 bilhões em produtos agrícolas dos EUA anualmente até 2028, após a reunião entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim. Esse valor seria "além dos compromissos de compra de soja firmados em outubro de 2025."

Após um encontro entre Trump e Xi na Coreia do Sul no outono passado, os EUA informaram que a China concordou em comprar ao menos 25 milhões de toneladas métricas de soja americana em cada um dos três anos subsequentes.

A China cumpriu a compra total de 12 milhões de toneladas métricas de soja americana que tinha prometido adquirir no ano de marketing que termina em agosto de 2026, e quase toda essa quantidade já foi embarcada, conforme relatado por Sutter.

Quanto às 25 milhões de toneladas métricas seguintes, Sutter mencionou que as compras começaram na semana passada.

Em 17 e 18 de junho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos informou que exportadores privados relataram vendas de 132.000 toneladas métricas de soja com destino à China no ano de marketing que se encerrará em 31 de agosto de 2027, além de vendas de uma quantidade maior de soja para destinos desconhecidos ao longo de dois anos. Sutter observou que esses destinos desconhecidos muitas vezes acabam se revelando como sendo a própria China.

Sinais de Oportunidade no Mercado

Existem ainda indícios de uma leve recuperação no mercado. Jerry Slocum, diretor do United Soybean Board e agricultor em Mississippi, comentou à CNBC que, "na última semana e meia, os chineses se comprometeram a comprar quase um milhão de toneladas da safra que começaremos a colher em setembro."

Slocum também enfatizou que está vislumbrando os acordos firmados entre os dois presidentes se concretizando, mas não esperava receber novos pedidos na terça-feira, evidenciando que ainda há certa incerteza no mercado.

Além de sua participação no evento de terça-feira, Slocum destacou os esforços da sua fazenda familiar, que opera há cinco gerações, para preservar a qualidade do solo através de práticas como a rotação de culturas.

Visitas e Reuniões Agrícolas

A US Heartland China Association organizou uma delegação que esteve em Zhengzhou, na província de Henan, e Pequim na semana passada, participando de uma mesa redonda sobre agricultura.

Darrell Irwin, professor assistente da Universidade de Connecticut na área de Sociologia e que participou da visita, comentou: "Faz algumas semanas que americanos estão em solo chinês observando a cooperação agrícola que China e Estados Unidos tiveram em um passado recente, quando era em uma escala muito maior."

Ele também observou que o setor agrícola "não tem o mesmo volume de comércio que tinha em 2019, quando houve uma queda considerável."

Apesar do otimismo, é provável que a rápida recuperação das importações de soja dos EUA pela China não aconteça tão cedo. Sutter expressou a expectativa de que os volumes de exportação fiquem entre 25 milhões e 30 milhões de toneladas métricas nos próximos anos, antes de possivelmente alcançar 40 milhões de toneladas na sequência.

Fonte: www.cnbc.com

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