Resultados da Gerdau no Quarto Trimestre de 2025
No quarto trimestre de 2025, a Gerdau (GGBR4) reportou um lucro líquido ajustado de R$ 670 milhões, o que representa uma queda de 38% em comparação com o terceiro trimestre. Esse resultado foi considerado em linha pelas principais instituições financeiras, com as operações nos Estados Unidos compensando a fraqueza observada no Brasil.
Desempenho das Ações
Por volta das 12h30, as ações da Gerdau apresentavam uma retração de 2,55%, sendo negociadas a R$ 21,06, em meio a uma leitura mais cautelosa sobre a dinâmica do mercado doméstico.
Indicadores Financeiros
O Ebitda ajustado alcançou R$ 2,374 bilhões, apresentando uma queda de 13% no trimestre, com margem de 14%. A receita líquida totalizou R$ 16,97 bilhões, refletindo um recuo de 6% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Análise do Mercado
Em um relatório da XP, assinado por Lucas Laghi e Guilherme Nippes, os resultados foram considerados “neutros”, levemente acima das estimativas. Os analistas observaram que “a América do Norte apresenta robustez operacional, com ambiente de preços firme e uma carteira de pedidos elevada, enquanto o Brasil continua a enfrentar um cenário mais desafiador.”
Pressões no Setor Brasileiro
No mercado brasileiro, o setor enfrenta pressão devido ao aumento da presença de aço importado, especialmente da China. Essa dinâmica limita o repasse de preços e provoca a compressão das margens de lucro. Essa situação pode ser um fator explicativo para a margem mais baixa observada na operação brasileira.
Ambiente Favorável nos Estados Unidos
Em contrapartida, a operação nos Estados Unidos continua em um ambiente mais favorável, sustentado por tarifas de importação e uma demanda resiliente nos segmentos não residenciais e de infraestrutura. Isso permitiu uma maior disciplina de preços nas operações da Gerdau naquele país.
Análises de Especialistas
O Itaú BBA, em uma análise conduzida por Daniel Sasson, classificou os resultados da empresa como “ligeiramente positivos”. O relatório destaca que “os Estados Unidos continuam a ditar a performance da companhia. Mesmo enfrentando uma sazonalidade mais fraca, as margens permanecem elevadas, e há espaço para melhorar ainda mais no primeiro trimestre de 2026, apoiadas por preços mais altos.”
Da mesma forma, o BB Investimentos, sob a supervisão de Mary Silva, também seguiu com a mesma linha de análise. A equipe destacou que “a operação na América do Norte continua sustentada por fundamentos robustos e deve equilibrar os resultados diante da fraqueza observada no Brasil.”
Dados da Divisão da América do Norte
A divisão da América do Norte reportou um Ebitda de R$ 1,8 bilhão, com margem de 21,1%. Embora os embarques tenham caído 6% no último trimestre, houve um aumento de 14% em comparação anual.
Expectativas para o Mercado
Para a XP, “o ambiente de precificação continua construtivo, com a carteira de pedidos em torno de 85 dias, acima da média histórica.”
Resultados da Operação Brasileira
Por outro lado, a operação brasileira apresentou um Ebitda de R$ 509 milhões, o que representa uma queda de 33%, com margem de 7,1%. Esta margem é a mais baixa desde 2015, conforme apontado pelo Itaú BBA.
A deterioração observada no Brasil é significativa, com piora no mix de produtos e aumento dos custos por tonelada, resultantes de paradas para manutenção e uma dinâmica competitiva mais intensa. A equipe do Itaú BBA destacou essa realidade em sua análise.”
Geração de Caixa e Dividendos
Apesar das dificuldades operacionais enfrentadas no Brasil, a geração de caixa da Gerdau se destacou, segundo análises. O fluxo de caixa livre totalizou R$ 1,4 bilhão, com uma dívida líquida em R$ 7,8 bilhões e uma alavancagem de 0,76 vezes Ebitda. Essa performance demonstra que “o balanço continua robusto e abre espaço para a continuidade de recompra de ações e distribuição de dividendos,” conforme observou o Itaú BBA.
Dividendo e Recomendações das Corretoras
A companhia anunciou dividendos de R$ 0,10 por ação e também aprovou um novo programa para a recompra de até 56,4 milhões de suas ações. A XP reiterou a recomendação de compra, estabelecendo um preço-alvo de R$ 23. O BB Investimentos também mantém a recomendação de compra, com um preço-alvo de R$ 22. Por sua vez, o Itaú BBA recomenda a ação como “outperform” (equivalente a compra), com um preço-alvo de R$ 24 para 2026.
Fonte: www.moneytimes.com.br