EUA poderiam atacar a Ilha Kharg do Irã com o envio de mais tropas?

EUA poderiam atacar a Ilha Kharg do Irã com o envio de mais tropas?

by Patrícia Moreira
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## Preparativos dos EUA no Oriente Médio

Acompanhando a situação no Oriente Médio, os Estados Unidos estão se preparando para enviar milhares de tropas adicionais para a região, o que levanta especulações sobre a possibilidade de um ataque terrestre ao Irã, em meio a relatos conflitantes sobre negociações de paz.

De acordo com informações, o Pentágono está considerando a mobilização de aproximadamente 3.000 soldados da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército, além de duas Unidades Expedicionárias de Fuzileiros Navais, para apoiar operações militares no Irã. A CNBC entrou em contato com a Casa Branca e está aguardando um posicionamento.

Especialistas em assuntos militares observaram que o número de tropas adicionais sendo enviadas para a região parece estar alinhado com planos para operações discretas e de curta duração, ao invés de uma campanha terrestre prolongada. Essa mobilização direciona a atenção para duas ilhas estratégicas do Irã e suscita questionamentos sobre uma possível manobra para apreender materiais nucleares da República Islâmica.

O coronel reformado do Exército dos EUA, Daniel Davis, estimou que o número de “atiradores” ou tropas terrestres disponíveis não ultrapassaria cerca de 4.000 a 5.000.

## Cenários de Alvo e Operações Potenciais

Davis comentou que, dada a quantidade limitada de tropas que está sendo enviada, existem três cenários que os EUA poderiam teoricamente executar em relação às ilhas iranianas.

### Possibilidade de Captura da Ilha de Qeshm

O primeiro cenário envolve a possibilidade de apreender a Ilha de Qeshm, que se localiza “na curva do estreito de Ormuz”, conforme afirmou Davis. A Ilha de Qeshm, situada na costa sul do Irã, é a maior do Golfo Pérsico. Este local, que se encontra próximo ao vital estreito de Ormuz, tem surgido como um potencial alvo dos EUA, em meio a informações de que mísseis antinavio, minas, drones e embarcações de ataque estão preservados em túneis subterrâneos.

### Considerações sobre Kharg e Material Nuclear

O segundo alvo em consideração poderia ser a Ilha de Kharg, que é central para a indústria petroleira do Irã. Um terceiro cenário mencionado seria a possibilidade de uma incursão para capturar mais de 400 quilos de material reprocessado, desde que os EUA consigam localizar esses materiais e comprovem que estão suficientemente concentrados para viabilizar a operação.

A Ilha de Kharg, frequentemente referida como a “linha de vida do petróleo” do Irã, é uma ilha de corais localizada a cerca de 15 milhas da costa iraniana. Estima-se que aproximadamente 90% das exportações de petróleo do país passem por essa ilha antes de os petroleiros seguirem pelo estreito de Ormuz. A importância econômica da ilha para o Irã a torna particularmente vulnerável a possíveis ações militares, embora analistas afirmem que a captura da ilha provavelmente exigiria uma operação com tropas terrestres, a qual os EUA parecem relutantes em realizar.

## Vigilância e Preparação Teheranense

Kevin Donegan, vice-almirante reformado e ex-comandante da Quinta Frota da Marinha dos EUA, expressou sua perspectiva ao dizer que “a ideia geral é negar capacidades do Irã para utilizar aquelas ilhas”. Ele reforçou que “muitos perigos podem vir de minas, mísseis e mísseis de cruzeiro… mas muitos desses já foram eliminados ou significativamente degradados. Portanto, a missão é absolutamente executável. A verdadeira questão é quanto tempo levará para realizá-la e quando o fluxo poderá ser restaurado”.

Além disso, um dos principais legisladores de Teerã afirmou que estão prevendo um ataque potencial por parte dos “inimigos do Irã”, que poderia tentar ocupar uma das ilhas do país.

### Resposta do Parlamento Iraniano

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad-Bagher Ghalibaf, declarou em uma rede social que “todos os movimentos inimigos estão sob a total vigilância das nossas forças armadas”. Ele acrescentou que, “se eles ultrapassarem os limites, toda a infraestrutura vital daquele país regional se tornará, sem restrições, alvo de ataques implacáveis”.

## Forças dos EUA e Campanhas Militares

Ruben Stewart, pesquisador sênior para guerra terrestre no think tank Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), afirmou que o número de forças dos EUA que está se preparando para ser deslocado não é coerente com uma campanha terrestre sustentada. Stewart observou que “o que está notavelmente ausente são as unidades blindadas pesadas, profundidade logística e estruturas de comando necessárias para uma guerra terrestre prolongada. Em termos práticos, trata-se de uma força que pode agir rapidamente e de forma seletiva, mas não é capaz de sustentar operações profundas dentro do Irã ou por um período longo”.

Ele acrescentou ainda que “capturar a Ilha de Kharg é tecnicamente viável, mas esse ato tem potencial para aumentar as tensões, dado seu papel central nas exportações de petróleo do Irã. Em contrapartida, garantir o material nuclear do Irã seria a menos realista das ações, pois exigiria uma presença terrestre contínua muito maior”, concluiu.

## Uso de Forças como Leverage Coercitivo

O nível relativamente limitado de tropas que está sendo implantado pode ser compreendido como uma ferramenta de alavancagem coercitiva. A administração do presidente dos EUA, Donald Trump, busca aumentar seu poder de negociação e sinalizar que há opções disponíveis caso a diplomacia não prospere.

A Casa Branca informou que Trump tem se engajado em diálogos “produtivos” com o Irã nos últimos três dias e afirmou que a operação militar no Irã está “adiantada”. No entanto, o Irã, por sua vez, tem repetidamente negado estar em negociações com Washington.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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