Investimentos da Europa em Títulos do Tesouro dos EUA
Desde a declaração de suas tarifas comerciais no chamado “Dia da Libertação”, em abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou um aumento significativo nas reservas estrangeiras de títulos do Tesouro americano. De acordo com informações divulgadas pelo Citi, até novembro, a Europa foi responsável por um investimento de 240 bilhões de euros no total de 301 bilhões de euros desse aumento.
Estes dados indicam que, em novembro, as reservas estrangeiras de títulos do Tesouro dos EUA alcançaram um nível histórico. No último fim de semana, Trump fez novas ameaças de aumentar tarifas sobre diversos países europeus, a menos que os EUA recebessem permissão para adquirir a Groenlândia, o que levou analistas, incluindo especialistas do Deutsche Bank, a questionar se investidores europeus começariam a vender ativos americanos.
Preocupações similares já haviam surgido no ano anterior, particularmente diante de incertezas sobre a segurança dos títulos do Tesouro e a força do dólar, especialmente quando Trump entrou em conflito com aliados a respeito de comércio e segurança, além das críticas direcionadas ao Federal Reserve.
Possível Superestimação dos Investimentos
É importante mencionar que os dados dos EUA podem, em alguns casos, superestimar a participação de investidores europeus em títulos do Tesouro. Isso se deve ao fato de que a região abriga importantes centros financeiros que são utilizados por investidores de outras áreas para negociar ou manter ativos.
Venda de Títulos por Fundos Nórdicos
Recentemente, houve movimentações significativas por parte de fundos de pensão nórdicos. O fundo sueco Alecta anunciou que liquidou a maior parte de suas participações em títulos do Tesouro dos EUA durante o último ano. Por outro lado, o fundo dinamarquês AkademikerPension declarou que também pretende vender suas participações até o final deste mês.
Na quarta-feira, a calma voltou ao mercado financeiro após Trump descartar a possibilidade de uma aquisição forçada da Groenlândia e retirar suas ameaças de taxas adicionais. A tensão se dissipou um pouco, mas o foco dos investidores permanceu na ideia de “vender produtos americanos” diante dos riscos contínuos associados às notícias dos EUA. Analistas do Citi, liderados pelo estrategista sênior de taxas de juros para a Europa, Aman Bansal, observaram que o contexto dos fluxos financeiros após o “Dia da Libertação” pode ser relevante para a análise atual.
Preocupações em Relação à Segurança de Ativos
Um tema central que atraiu a atenção dos investidores no ano passado foi a possibilidade de que inquietações sobre a segurança dos ativos americanos pudessem tornar os investimentos na Europa mais atraentes. Dados atualizados até novembro, fornecidos pelo Banco Central Europeu (BCE), indicam que houve um aumento na taxa mensal de aquisição de títulos da dívida da zona do euro por investidores estrangeiros desde abril, segundo observações do Citi.
Para concluir, os dados sugerem que existe um aumento do apetite global por renda fixa da zona do euro, além de contínuos fluxos robustos em direção aos títulos do Tesouro dos EUA, sem sinais de vendas substanciais por parte dos investidores europeus desde o “Dia da Libertação”.
Fonte: www.moneytimes.com.br

