A Ousadia de Uma Nova Direção Política em Hongria
U.S. President Donald Trump cumprimenta o Presidente russo Vladimir Putin na Joint Base Elmendorf-Richardson em 15 de agosto de 2025, em Anchorage, Alasca.
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A Salvação da Democracia Liberal
A queda do líder conservador e nacionalista da Hungria, Viktor Orbán, está sendo celebrada como uma vitória significativa para a democracia liberal e para a União Europeia. Os líderes da Polônia, França e Alemanha, assim como a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foram algumas das figuras importantes da UE que parabenizaram o primeiro-ministro eleito, Péter Magyar, na segunda-feira, após sua vitória decisiva nas eleições húngaras realizadas no domingo.
Orbán, que foi primeiro-ministro do país, frequentemente utilizou o poder de veto da Hungria para bloquear decisões da UE, criticou duramente o bloco e dificultou a ajuda à Ucrânia em apoio ao seu aliado, Vladimir Putin. Em particular, ele obstruiu bilhões de dólares em empréstimos e financiamentos direcionados a Kyiv. Críticos da UE também argumentam que a criação pelo líder da Hungria de um “estado iliberal” desrespeitou os compromissos de respeito ao Estado de Direito assumidos pelo país ao aderir ao bloco.
Von der Leyen declarou: “A Hungria escolheu a Europa. Um país retoma seu caminho europeu. A união se torna mais forte.”
Reação dos Mercados Financeiros
Os mercados financeiros também pareceram aprovar a mudança, com o forint húngaro alcançando a maior valorização em quatro anos e os rendimentos das obrigações do governo a 10 anos caindo até 50 pontos base na manhã de segunda-feira. Tanto o Kremlin quanto a Casa Branca viam Orbán, que é cético em relação à Europa, como um espírito semelhante ideologicamente e um entrave para a UE.
A Hungria sob Orbán atuou como um bloqueador nas políticas da UE em questões como imigração, energia e apoio à Ucrânia. Sua derrota para o candidato de 45 anos, Magyar — um ex-membro do partido Fidesz de Orbán, que fundou o partido de oposição de centro-direita Tisza há apenas dois anos — será considerada um golpe tanto para Moscou quanto para Washington. Vale lembrar que os EUA enviaram o Vice-presidente JD Vance à Hungria em um gesto de apoio a Orbán, imediatamente antes da eleição.
Timothy Ash, estrategista sênior de mercados emergentes na RBC BlueBay Asset Management, afirmou que os “vencedores” da eleição húngara são “a Hungria, a Europa, a Ucrânia, o pequeno cidadão”. E os “perdedores”? “Trump, Putin, Vance, os grandes interesses”, disse Ash por e-mail à CNBC.
A Reação de Moscou e Washington
A Casa Branca ainda não se pronunciou publicamente sobre os resultados da eleição. Um porta-voz do Kremlin afirmou que Moscou respeitava o resultado eleitoral e buscaria “laços pragmáticos” com a nova liderança do país. Uma maioria clara dos eleitores húngaros rejeitou a “democracia iliberal” de Orbán, suas atitudes anti-UE e suas inclinações pró-Putin, comentou Holger Schmieding, economista-chefe do Berenberg Bank.
Schmieding afirmou: “Nenhum responsável político europeu fez mais para enfraquecer a coesão interna e a influência externa da UE nos últimos cinco anos do que Orbán”, citando as tentativas do primeiro-ministro de amenizar sanções contra a Rússia e bloquear a assistência à Ucrânia, sendo a mais recente a rejeição a um empréstimo de 90 bilhões de euros (aproximadamente 105,2 bilhões de dólares) para a Ucrânia.
Agora, a Rússia pode enfrentar sanções mais rigorosas da UE, enquanto o bloco pode ser capaz de oferecer assistência financeira maior à Ucrânia, acrescentou Schmieding.
O Fim do Orbánismo?
A vitória de Magyar, que conquistou 138 das 199 cadeiras do governo húngaro, proporciona ao partido Tisza uma “supermaioria”. Isso permite que o novo governo promova reformas e políticas abrangentes. Analistas afirmam que Magyar provavelmente tentará reverter as mudanças que Orbán e seu partido Fidesz realizaram na constituição húngara, além de tentar reduzir sua influência sobre as leis e a mídia do país.
No entanto, como é um conservador e ex-defensor do “orbánismo”, permanece uma dúvida sobre até que ponto Magyar se desviará da abordagem de Orbán. Em uma postagem no Facebook na segunda-feira, Magyar declarou que trabalharia por uma Hungria livre, europeia, bem-funcionante e solidária nos próximos quatro anos.
Essa mensagem é bem-vinda para as autoridades em Bruxelas, que expressaram preocupação com as tendências cada vez mais autocráticas de Orbán e a pressão que ele exerceu sobre o Judiciário e a imprensa desde 2010.
A Divergência Política com a Europa
Alguns analistas disseram à CNBC que é importante não superestimar o grau em que a direção política da Hungria se alinharia com a corrente política majoritária da Europa. Questões como a adesão da Ucrânia à UE, a dependência energética da Rússia e as relações com os Estados Unidos e as políticas de imigração em nível europeu provavelmente permanecerão como temas de contestação.
A Rússia continua a manter um controle rígido sobre a matriz energética da Hungria. Carsten Nickel, diretor-gerente da Teneo, afirmou à CNBC que a saída de Orbán não significaria que “a Europa começaria a falar com uma única voz em todas essas questões da noite para o dia”.
Zsuzsanna Vegh, funcionária de programas do German Marshall Fund, acrescentou que levará tempo para a Hungria se desvincular de sua dependência do petróleo e gás russos. O país do Leste Europeu continuou a importar suprimentos energéticos da Rússia, apesar da guerra em curso na Ucrânia.
Vegh disse: “Em termos de fatos concretos, a Hungria continua a depender da Rússia em relação à energia, energia nuclear, petróleo e gás, portanto, será um processo complicado de renegociação.” Ela enfatizou que essa relação necessitará ser repensada, e que esse será um dos grandes desafios que o governo de Magyar enfrentará nos próximos meses e anos.
Ainda assim, espera-se que o novo governo adote uma abordagem muito mais colaborativa e cooperativa em relação à União Europeia, com Magyar já mencionando, em seu discurso de vitória no domingo, as prioridades de política externa que colocam o compromisso da Hungria com a Europa em destaque. Ele, efetivamente, reafirmou as prioridades clássicas de política externa do país, que buscam inserir a Hungria firmemente dentro da União Europeia.
Fonte: www.cnbc.com