O ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, declarou em um depoimento à Polícia Federal (PF) que a instituição excluiu R$ 51,2 bilhões dos ativos e passivos do Banco Master durante o processo de negociação para sua aquisição. A CNN obteve acesso ao conteúdo desse depoimento.
Durante o depoimento, o ex-presidente enfatizou que essa exclusão corrobora a tese de que o BRB não tinha a intenção de “salvar o Master.” A operação de aquisição do banco, que pertencia a Daniel Vorcaro, nunca foi finalizada, uma vez que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição.
Além dos R$ 51,2 bilhões que não foram levados em consideração nas negociações, Paulo Henrique Costa acrescentou que aproximadamente R$ 5 bilhões em ativos que haviam sido oferecidos pelo Banco Master foram negados após a avaliação de risco, jurídica e de compliance realizada pelo Banco de Brasília.
Costa também defendeu que o BRB aplicou um deságio de R$ 3 bilhões nas aquisições ou trocas de carteiras, indicando que os ativos foram adquiridos a um valor inferior ao real. Ele ainda mencionou que esses ativos teriam potencial para gerar uma receita financeira estimada em R$ 6 bilhões.
O ex-presidente do BRB foi demitido no dia 19 de novembro de 2025, após ser afastado no dia 18 de novembro de 2025 por uma decisão judicial decorrente da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
Ativos Negados
Além dos R$ 5 bilhões que foram negados após a auditoria, o BRB rejeitou aproximadamente R$ 2 bilhões em certificados de ações do antigo Besc (Banco do Estado de Santa Catarina), que foram oferecidos pelo Banco Master como substituição às carteiras problemáticas previamente adquiridas – conforme relataram fontes a respeito do caso.
Após investigações demonstrarem que o BRB havia adquirido R$ 12,7 bilhões em ativos inexistentes do Banco Master, iniciou-se um processo de substituição dessas carteiras problemáticas.
Os ativos deficientes do Besc foram “sumariamente negados” pelo BRB nesse processo, segundo uma fonte. O Besc foi incorporado ao Banco do Brasil em 2008, deixando de operar como uma instituição autônoma, mas seus papéis físicos, conhecidos como cártulas, continuaram a circular.
No contexto dos certificados do Besc, gestores de fundos adquiriram esses títulos, que possuíam valor baixo e quase nenhuma liquidez, alegando que seu valor era extremamente elevado. Dessa forma, eles justificavam retiradas para a realização de outros investimentos, como foi amplamente noticiado pela “Folha de S.Paulo”.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

