Excesso de energia renovável atrai mineradoras de criptomoedas ao Brasil

Excesso de energia renovável atrai mineradoras de criptomoedas ao Brasil

by Fernanda Lima
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Empresas de Mineração de Criptomoedas no Brasil

Empresas que atuam na mineração de criptomoedas estão estabelecendo negociações com geradoras de energia brasileiras, como a Renova Energia, para explorar o excedente de energia renovável do país, evitando assim pressões na rede elétrica durante períodos de alta demanda.

Contexto das Negociações

Após o anúncio de investimento da Tether, uma das maiores empresas do setor de criptomoedas, ocorrido em julho, os contatos entre mineradoras e geradoras de energia se intensificaram. Atualmente, há pelo menos seis negociações em andamento, englobando projetos de porte pequeno e médio, além de um empreendimento maior que pode alcançar até 400 megawatts (MW), de acordo com informações obtidas por segmentos de seis distintas empresas consultadas pela Reuters.

Potencial do Excesso de Energia

Embora o uso de máquinas de mineração de criptomoedas tenha gerado problemas de sobrecarga em redes elétricas de outros países, no Brasil, onde a prática ainda é inicial, tais operações podem contribuir para a resolução do problema persistente de desperdício de energia limpa. Estimativas de associações setoriais indicam que o desperdício já custou cerca de US$ 1 bilhão às empresas geradoras de energia nos últimos dois anos.

A Tether destacou que pretende fazer uso da recente aquisição da Adecoagro para implementar um projeto de mineração de bitcoin no Brasil, utilizando fontes renováveis, incluindo a energia gerada a partir das operações de cana-de-açúcar.

Projetos Mencionados

A Renova Energia revelou à Reuters que está em fase de desenvolvimento de um de seus primeiros grandes investimentos na mineração de criptomoedas. Este projeto, avaliado em US$ 200 milhões, é destinado a um cliente cuja identidade foi mantida em sigilo e está localizado no Estado da Bahia. Este empreendimento contará com cerca de 100 megawatts, distribuídos em seis data centers que serão alimentados por um parque eólico já em operação na região.

Sergio Brasil, CEO da Renova, afirmou que a empresa busca expandir suas operações e entrar em novos segmentos. Ele observou que, ao fornecer toda a infraestrutura necessária para a mineração de criptomoedas, a empresa se posiciona à frente da concorrência.

Mineradoras de criptomoedas são capazes de expandir suas operações rapidamente, conforme a disponibilidade de energia, oferecendo uma solução de consumo que se adapta ao excesso energético sem sobrecarregar a rede nos horários de pico.

Excesso de Energia no Brasil

O excesso de energia disponível no Brasil é resultado de anos de incentivos financeiros que fomentaram investimentos em energia solar e eólica. Contudo, o ritmo de desenvolvimento da geração superou a expansão da infraestrutura de transmissão, levando a desperdícios de até 70% da energia gerada em algumas usinas.

John Blount, um dos fundadores da Enegix, empresa de mineração de criptomoedas com sede no Cazaquistão, destacou o significativo potencial no Brasil e mencionou planos de desenvolver data centers móveis conectados diretamente a usinas geradoras.

A Enegix está considerando acordos na região Nordeste, que possui o maior excedente energético, criando oportunidades de uso da energia solar e eólica no Piauí.

Interesses de Empresas Estrangeiras

A Penguin, operando a partir do Paraguai e uma das principais mineradoras de criptomoedas do mundo, também está em processo de negociação de projetos no Brasil, embora tenha optado por não divulgar detalhes específicos.

Outro nome no setor, a Bitmain, uma das maiores fabricantes de equipamentos para mineração, está avaliando possibilidades no país. Um executivo da empresa, que pediu para permanecer anônimo, compartilhou que estão em andamento negociações privadas.

Vistas como "Diamantes"

A instalação de fazendas de mineração de criptomoedas gerou um interesse significativo entre as geradoras de energia, especialmente aquelas que estão enfrentando cortes na produção de suas usinas.

A Casa dos Ventos, que é sócia da francesa TotalEnergies, e a Atlas Renewable Energy, associada ao GIP, confirmaram suas intenções de investimento nesse setor perante à Reuters.

A subsidiária da Engie no Brasil e a Auren Energia, controlada por Votorantim e CPP Investments, também estão considerando projetos para monetizar o uso de energia não aproveitada, embora as empresas não tenham se manifestado publicamente sobre questões específicas.

De acordo com o advogado Raphael Gomes, que trabalha em diversos projetos relacionados ao setor de criptomoedas, as geradoras de energia enxergam essas mineradoras como potenciais consumidores extremamente valiosos, comparando-os a "diamantes".

As empresas estão explorando diferentes modelos de negócio, incluindo a possibilidade de adquirir equipamentos para minerar criptomoedas por conta própria.

Iniciativas em Andamento

Na Bahia, a Eletrobras, que é a maior geradora de energia do Brasil, está em fase de instalação de máquinas de mineração ASIC. Essa iniciativa é parte de um projeto-piloto que conta com uma microrrede alimentada por energia de turbinas eólicas, painéis solares e baterias.

Juliano Dantas, vice-presidente de inovação da Eletrobras, comentou que a empresa deseja compreender melhor o funcionamento dessa nova indústria.

Essa iniciativa pode permitir que as empresas de energia se posicionem para atuar em conjunto com data centers, conforme o governo brasileiro busca atrair esse setor como parte de uma estratégia voltada para o fortalecimento de uma economia baseada em fontes de energia renovável.

Entretanto, o avanço dessa nova indústria no Brasil levanta preocupações sobre o uso da água, já que este recurso é necessário para o resfriamento das máquinas. Algumas regiões que possuem elevado excedente energético enfrentam problemas de seca.

O Brasil também enfrenta desafios significativos em relação à infraestrutura e carece de regulamentações específicas que tratem da mineração de criptomoedas.

Bruno Vaccotti, executivo da Penguin, comentou sobre as dificuldades enfrentadas: "Fomos atrás de 400 MW — foi como uma jornada de Sísifo, um pouco difícil. Ainda estamos explorando o Brasil, mas não é tão fácil".

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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