Resultados do Terceiro Trimestre da São Martinho
Os resultados do terceiro trimestre da safra 2025/26 (3T26) da São Martinho (SMTO3) indicam que a companhia deve enfrentar um ciclo menos favorável, devido a um contexto mais desafiador para o setor. A produtora de açúcar e etanol reportou um lucro líquido de R$ 424,1 milhões, representando um crescimento de 168,5% em comparação ao ano anterior. Estes números foram avaliados como mistos, com impacto neutro nas análises iniciais do mercado. Apesar disso, por volta das 11h40 desta terça-feira (10), as ações da empresa apresentavam uma alta de 4,15%, impulsionadas pela percepção de analistas de que a companhia está bem posicionada para enfrentar o atual ciclo econômico.
Recomendações de Analistas
Analistas do BTG Pactual e Itaú BBA recomendaram a compra das ações da São Martinho, com preços-alvo fixados em R$ 39 e R$ 31, respectivamente. Por outro lado, a XP Investimentos mantém uma recomendação neutra para a ação, estipulando um preço-alvo de R$ 14,80.
Análise do Cenário Atual
A avaliação dos analistas aponta que “o ano fiscal de 2026 não será marcante”, o que já era uma expectativa planejada. A quantidade de cana moída ficou abaixo do ideal, não alcançando o potencial da SMTO3, o que dificultou uma alavancagem operacional significativa. Os preços do etanol, embora tenham apresentado uma recente recuperação, ainda permanecem perigosamente próximos dos custos de produção da cana. Além disso, os preços do açúcar estão sofrendo uma queda acentuada, e as operações de hedge estão apenas amenizando parcialmente essa situação, conforme explicam Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG.
No entanto, apesar desse cenário desafiador, a São Martinho conseguiu registrar uma margem Ebitda ajustada excepcional de quase 50%, 180 pontos-base acima do registrado no ano anterior e 500 pontos-base superior às estimativas dos analistas.
Posicionamento Estratégico da Companhia
Os analistas do BTG fazem um paralelo entre o momento difícil do setor e a ideia de que “mar calmo nunca fez bom marinheiro”. Nesse sentido, eles percebem a São Martinho em uma posição vantajosa, tanto do aspecto operacional quanto na alocação de capital. Um exemplo dessa estratégia é o investimento em capacidade de produção de etanol a partir do milho.
Os R$ 740 milhões investidos inicialmente em 2022 já estão gerando aproximadamente R$ 300 milhões em Ebitda anualizado e mais de R$ 250 milhões em Ebit em um período inferior a três anos. Os analistas expressam otimismo em relação aos retornos da próxima fase da usina de milho.
Se a SMTO3 conseguir oferecer uma safra mais robusta no ano fiscal de 2027, associada a uma necessária redução de custos e uma recuperação nos preços do açúcar, as ações da empresa podem apresentar um potencial de valorização atrativo, conforme os analistas enfatizam.
A Visão do Itaú BBA e da XP para SMTO3
O Itaú BBA avaliou os resultados da São Martinho como neutros, ligeiramente abaixo das expectativas iniciais, principalmente devido à decisão estratégica de adiar parte das vendas de etanol. Apesar de o setor sucroenergético estar passando por um momento desafiador, os analistas continuam a enxergar a companhia como um operador de alta qualidade. Contudo, a ausência de catalisadores no curto prazo pode restringir o interesse dos investidores pela ação durante o ano de 2026.
A XP, por sua vez, classificou os resultados da companhia como mistos. De acordo com a instituição, as principais discrepâncias em relação às projeções estavam relacionadas a despesas de depreciação e amortização (D&A) que se mostraram menores que o esperado, além dos volumes de vendas de etanol também estarem abaixo das estimativas. Isso ocorreu porque a São Martinho optou por adiar parte das vendas para o quarto trimestre de 2026, buscando obter preços mais favoráveis.
A estratégia de postergar vendas é avaliada positivamente, considerando a possibilidade de um cenário de preços de etanol mais favorável.
Considerações sobre a Necessidade de Milho e Vendas de Açúcar
A companhia comunicou, de maneira positiva, que já assegurou perto de 60% da sua necessidade de milho para o ciclo 2026/27 a preços praticamente estáveis. Por outro lado, apenas 20% da previsão de vendas de açúcar para o mesmo período foram travadas, o que, aliado à visão neutra em relação aos preços do açúcar, deve resultar em uma queda significativa nos preços da commodity, conforme apontaram Leonardo Alencar, Pedro Fonseca e Samuel Isaak, da XP.
Fonte: www.moneytimes.com.br


