IPO da Compass na B3
A Compass está prestes a precificar seu IPO na B3 nesta quinta-feira, dia 7, após o fechamento do mercado. Esta operação poderá simbolizar a retomada do mercado brasileiro de ofertas públicas, que ficou quase cinco anos sem novas listagens significativas.
A previsão é que a estreia na Bolsa aconteça na próxima segunda-feira, dia 11, sob o ticker PASS3.
Faixa de Oferta e Mercado
A faixa de preço da oferta foi definida entre R$ 28 e R$ 35 por ação, o que parte de um valor de mercado estimado entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões.
De acordo com informações apuradas, a demanda pela oferta já estaria superando em múltiplas vezes o livro, com uma considerável presença de investidores estrangeiros. Estima-se que a operação possa movimentar cerca de R$ 2,9 bilhões, considerando o intervalo de preço sugerido.
A operação se caracterizará como 100% secundária, o que significa que os recursos obtidos irão para os acionistas vendedores e não para o caixa da companhia.
Contexto e Estratégia da Compass
A Compass, controlada pela Cosan (CSAN3), entra no mercado sob uma tese que une a previsibilidade típica de ativos regulados de infraestrutura a uma expectativa de crescimento em razão da abertura do mercado livre de gás natural no Brasil.
No material de roadshow da oferta, a companhia descreve sua estratégia como uma “combinação de yield, crescimento e retorno”, sustentada por uma “disciplina na alocação de capital”. A Compass enfatiza que sua subsidiária Edge é “o player mais bem posicionado para liderar a abertura do mercado de gás”.
A operação englobará ativos consolidados no setor de distribuição, como a Comgás, além da Edge, que se concentra na comercialização de gás, biometano e gás natural liquefeito (GNL). A companhia opera em sete distribuidoras e afirma ter cerca de 40% do consumo de gás canalizado do Brasil, além de mais de 68% dos clientes conectados à rede nacional.
Perspectivas para o Novo Marco do Gás
A interpretação predominante entre analistas indica que o principal atrativo do IPO reside na combinação entre geração de caixa constante e a possibilidade de crescimento.
A equipe da EQI Research, liderada por João Neves, recomenda que os investidores participem da oferta. Segundo a análise, a Compass une “uma operação regulada, previsível e com crescimento orgânico contratado” a “uma divisão com uma opcionalidade de crescimento transformacional em um mercado ainda incipiente no Brasil”.
A EQI também observa um “potencial de valorização interessante” em relação à faixa indicativa da oferta, considerando que o IPO mostra uma “relação de risco e retorno atrativa”.
Conforme a visão da casa, o principal motor estrutural da tese está na gradual abertura do mercado brasileiro de gás, resultante do Novo Marco do Gás, aprovado em 2021. Essa mudança regulatória diminuiu a presença dominante da Petrobras (PETR4) na cadeia, criando espaço para novos atores em comercialização, suprimento e infraestrutura.
O material de roadshow da Compass reflete essa narrativa. Em um de seus slides, a companhia destaca que “o Brasil já tomou medidas para criar um mercado atrativo para investimentos privados no setor de gás”, mencionando a resolução antitruste da Petrobras, o Novo Marco do Gás e os investimentos em infraestrutura como fatores facilitadores da expansão do setor.
Crescimento da Subsidiária Edge
A Edge, uma das principais divisões da Compass, é vista como uma avenida significativa de crescimento. Atualmente, a divisão detém uma participação estimada em torno de 25% do mercado livre de gás e vem se expandindo rapidamente.
O relatório da EQI aponta que o volume de gás comercializado pela Edge mais que dobrou entre 2024 e 2025, com a demanda contratada já superando 4,6 milhões de metros cúbicos diários.
Outro aspecto frequentemente destacado pelos analistas é a posição estratégica do Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), localizado no Porto de Santos. Este ativo tem capacidade de até 14 milhões de metros cúbicos por dia, equivalente a aproximadamente um quarto do consumo nacional de gás natural.
Perfil da Comgás e Distribuidoras
No lado mais defensivo da tese, a Comgás e as distribuidoras sob o controle da Commit são percebidas como ativos semelhantes a utilities. O negócio opera sob concessão, proporcionando receitas mais previsíveis e enfrentando barreiras relevantes de entrada, além de contar com crescimento sustentado devido à expansão da rede e aumento da penetração do gás canalizado.
A EQI destaca que a Compass ainda possui um robusto pipeline de crescimento orgânico contratado até 2049, incluindo a expansão de 13,2 mil quilômetros de rede e um aumento de 71% na base de clientes da Comgás ao longo do período.
Os números projetados reforçam a perspectiva de crescimento. A EQI estima uma receita líquida consolidada de R$ 20,6 bilhões para 2026, subindo para R$ 24,6 bilhões em 2028. Já o lucro líquido previsto deve aumentar de R$ 1,33 bilhão em 2026 para R$ 2,4 bilhões em 2028.
Pontos de Atenção dos Investidores
Apesar das perspectivas otimistas, certos pontos de atenção permanecem nas considerações dos investidores.
Um dos principais aspectos é a alavancagem da companhia. A própria EQI ressalta que o ambicioso plano de expansão demandará investimentos significativos nos anos seguintes, o que pode elevar o risco associado à execução do capital de investimento e exercer pressão sobre o endividamento.
Além disso, mesmo com a promessa de estabilidade regulatória, uma parte substancial da geração de caixa depende das regras de concessão e das futuras revisões tarifárias, o que mantém o risco regulatório sob vigilância.
Outro ponto que chamou a atenção do mercado é o baixo free float inicial. Após a oferta base, estima-se que a Compass deve estrear na bolsa com cerca de 15,3% de suas ações em circulação.
Apesar disso, a percepção geral é que o IPO chega em um contexto favorável para ativos relacionados a infraestrutura e transição energética, especialmente aqueles que conseguem conciliar dividendos, previsibilidade e crescimento estruturais.
Na avaliação da EQI, o valor justo da Compass pode variar entre R$ 42 e R$ 44 por ação, o que está acima da faixa indicativa do IPO, sugerindo um potencial de valorização de aproximadamente 20% a 57%, dependendo do preço de precificação da oferta.
Fonte: www.moneytimes.com.br