Exportação de Sorgo do Brasil
A exportação de sorgo do Brasil no primeiro semestre do ano está enfrentando restrições devido a uma oferta limitada. Exportadores estão competindo com produtores de ração e etanol de grãos na procura pelo cereal. Essa situação persiste, apesar da recente abertura do mercado chinês para o sorgo brasileiro, conforme afirmou Gabriel Cordeiro, diretor-geral da Hang Tung no Brasil, em entrevista à Reuters.
Expectativas para o Segundo Semestre
A trading Hang Tung, uma das maiores comercializadoras de sorgo globalmente, com transações anuais que variam entre 2,5 milhões e 3 milhões de toneladas de diversas origens, projeta um aumento nas operações com o sorgo brasileiro para a segunda metade do ano, especialmente com a chegada da safra nacional e as expectativas em relação à demanda proveniente da China.
"Estamos atualmente em período de entressafra. Portanto, a previsão é de que o volume de exportações seja limitado", comentou Cordeiro. Ele enfatizou que, no segundo semestre, com a colheita em andamento, uma movimentação maior deve ocorrer. O período considerado mais adequado para exportações de sorgo seria a partir de julho, uma vez que esta é uma cultura de segunda safra.
O Potencial do Brasil no Mercado de Sorgo
Embora o Brasil não seja tradicionalmente um exportador de sorgo, as perspectivas de crescimento são encorajadoras, especialmente após a China ter autorizado, em novembro do ano passado, dez empresas brasileiras a exportar o cereal. Esta mudança ocorre em um contexto de guerra comercial entre Pequim e Washington, ocorrida em 2025, quando a China começou a buscar fornecedores alternativos aos Estados Unidos, seu fornecedor histórico, até que um acordo de trégua fosse alcançado entre os dois países.
"O Brasil demonstra interesse em produzir mais, mas a produção estava limitada em termos de liquidez. Com a abertura do mercado chinês, que compra entre 6 milhões e 9 milhões de toneladas a cada ano, a situação de liquidez dos produtores tende a melhorar", destacou Cordeiro. No entanto, o diretor não especificou quanto a Hang Tung pretende originar no Brasil.
Produção e Demanda do Sorgo
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil deva colher 6,7 milhões de toneladas de sorgo na temporada 2025/26, o que representa um aumento de quase 10% em relação ao ciclo anterior. Esse volume é mais do que o triplo da colheita registrada há cinco anos.
Conforme Cordeiro, também há um incentivo recente por parte das indústrias de etanol de grãos, que estão adquirindo sorgo para a produção de biocombustíveis. A participação da China no mercado brasileiro poderá aumentar à medida que a safra cresça, similar ao que já ocorre nos mercados de soja e milho.
Importações da China e Primeiras Exportações
O Brasil fez sua primeira exportação de sorgo para a China desde 2014, em janeiro, mas o volume foi limitado a aproximadamente 25 toneladas, equivalente ao espaço de um contêiner, segundo dados do governo brasileiro. Uma avaliação anterior do mercado indicou que essa transação pode ter sido realizada por um importador pequeno, ou possivelmente por um comprador interessado em entender o produto brasileiro.
Uma remessa maior, de 32 mil toneladas de sorgo, está prevista para ser embarcada ao Marrocos no início de março, conforme informações da agência marítima Cargonave, que foram confirmadas pelo exportador Agribrasil. Considerando esse volume, as exportações totais do Brasil devem superar os embarques realizados durante todo o ano passado, que foram de apenas 105 toneladas, de acordo com dados oficiais.
Perspectivas Futuras e Desafios
Entretanto, a expectativa é de que os embarques aumentem consideravelmente, especialmente se a China decidir intensificar suas compras no Brasil. Apesar de dez estabelecimentos brasileiros terem sido habilitados para exportar sorgo à China no ano passado, ainda existem alguns "pequenos esclarecimentos" e ajustes que precisam ser realizados para que os embarques ganhem maior impulso, como a inclusão de mais empresas no rol de habilitações.
"Certa quantidade de companhias ainda aguarda a liberação, e essa é uma das questões que está sendo discutida para ampliar o fluxo de exportações", concluiu Cordeiro.
Fonte: www.moneytimes.com.br