Aumento Acelerado do Comércio Chinês em Junho
Crescimento das Exportações
O crescimento comercial da China em junho superou amplamente as expectativas. A demanda global por hardware de inteligência artificial e a pressa dos varejistas dos Estados Unidos para antecipar aumentos tarifários impulsionaram as remessas. Os dados da alfândega mostraram que as exportações totais aumentaram 27% em relação ao ano anterior, em termos de valor em dólares americanos. Este incremento representa o mais forte desde outubro de 2021, acelerando em comparação com o crescimento de 19,4% registrado em maio e superando as estimativas de economistas, que projetavam um crescimento de 18,2%.
Aumento das Importações
As importações também experimentaram um crescimento significativo, com uma elevação de 36% em junho, o aumento mais expressivo desde junho de 2021. Esse crescimento foi mais acelerado do que o de 27,4% observado em maio e superou as previsões de economistas, que indicavam uma expectativa de crescimento de 24%. O superávit comercial no mês de junho alcançou a cifra de 125,6 bilhões de dólares.
Atividade Industrial
A atividade fabril também teve um desempenho positivo em junho, com pedidos destinados aos Estados Unidos apresentando ganhos acentuados em relação ao ano anterior, conforme destacou uma pesquisa do China Beige Book no mês passado. Essa dinâmica resultou em um aumento nas tarifas de frete. Os fabricantes estão se preparando para a possibilidade de tarifas adicionais em decorrência das investigações sob a Seção 301, conduzidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a expectativa de que a tarifa única de 10% expire em 24 de julho.
Desafios Econômicos e Impactos Externos
A China enfrenta um desequilíbrio crescente entre oferta e demanda, uma vez que o forte desempenho industrial e as exportações, impulsionadas pelo crescente investimento global em inteligência artificial, continuam a estimular o crescimento de forma ampla. Contudo, o consumo e o investimento privado estão mostrando sinais de enfraquecimento, exacerbados por uma prolongada crise no setor imobiliário e pela volatilidade nos preços do petróleo no mercado global.
O aumento do investimento global em inteligência artificial também tem ajudado a amortecer os impactos dos conflitos no Oriente Médio e do choque nos preços do petróleo em escala mundial.
Expectativas para o PIB
A China está programada para divulgar os dados de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre na quarta-feira. Economistas consultados pela Reuters estão prevendo que essa expansão tenha desacelerado para 4,5% durante o segundo trimestre, após um crescimento sólido de 5% no primeiro trimestre.
Além disso, as projeções para a produção industrial e vendas no varejo de junho, que também serão anunciadas na quarta-feira, indicam um aumento de 4,7% na produção industrial e uma diminuição de 0,1% nas vendas no varejo. O investimento urbano é estimado para registrar uma queda de 4,9% no primeiro semestre do ano, aprofundando-se em relação à redução de 4,1% nos primeiros cinco meses, conforme dados de uma pesquisa da Reuters.
Expectativas de Políticas de Estímulo
Os investidores estão agora atentos a uma reunião esperada do Politburo no final de julho, em busca de indícios sobre possíveis estímulos que poderão moldar a política para o restante do ano. Entretanto, os analistas acreditam que não haverá estímulos significativos a menos que o crescimento desacelere de forma mais acentuada, tendo em vista que as exportações se mantêm resilientes e o foco de Pequim é conter a capacidade industrial excessiva para combater a deflação.
Fonte: www.cnbc.com