Fabricante de chips de IA Cerebras solicita IPO após cancelar documentos em 2025

Cerebras Inicia Processo de IPO na Nasdaq

Cerebras, uma empresa especializada na produção de chips para modelos de inteligência artificial, protocolou na sexta-feira um pedido de abertura de capital na Nasdaq, utilizando o símbolo "CBRS".

Desempenho Financeiro

De acordo com o pedido de abertura de capital apresentado, a Cerebras reportou um lucro líquido de 87,9 milhões de dólares sobre uma receita de 510 milhões de dólares no ano de 2025. A receita teve um crescimento próximo de 76% em relação a 2024, quando a empresa registrou um prejuízo líquido de 485 milhões de dólares. Além disso, a empresa informou que tinha 24,6 bilhões de dólares em obrigações de desempenho restantes até 31 de dezembro, prevendo reconhecer 15% desse total em 2026 e 2027.

Relacionamento com Clientes

Na primeira tentativa de abrir capital em 2024, a Cerebras revelou que uma de suas duas principais fontes de receita, a G42, apoiada pela Microsoft e localizada nos Emirados Árabes Unidos, havia contribuído com 87% dos ganhos no primeiro semestre daquele ano. Contudo, na filing mais recente, a G42 foi responsável por apenas 24% da receita da Cerebras em 2025. Em contrapartida, a Universidade Mohamed bin Zayed de Inteligência Artificial, uma instituição pública dos Emirados Árabes Unidos, provou ser um cliente significativo, representando 62% da receita da empresa no mesmo ano.

Mudanças na Estratégia de Negócio

Por muitos anos, a Cerebras buscou vender seus chips a diferentes empresas, mas recentemente passou a operar os chips dentro de seus próprios data centers, oferecendo serviços na nuvem a seus clientes. A empresa agora conta com grandes nomes do setor como Amazon, Microsoft, Alphabet, Oracle e CoreWeave entre seus concorrentes.

Acordo com OpenAI

Em janeiro, a Cerebras anunciou um plano de fornecer até 750 megawatts de poder computacional à OpenAI até 2028. O acordo está avaliado em mais de 20 bilhões de dólares, com a inclusão de 250 megawatts disponíveis anualmente entre 2026 e 2028. Além disso, a OpenAI poderá adquirir mais 1,25 gigawatts de capacidade computacional através da Cerebras até o final de 2030.

A relação expandida da OpenAI com a Cerebras é considerada valiosa, conforme reportado anteriormente pela The Information. Em dezembro, a Cerebras emitiu à OpenAI opções para a compra de até 33,4 milhões de ações da classe N sem direito a voto. Em janeiro, a Cerebras recebeu um empréstimo de 1 bilhão de dólares da OpenAI, com uma taxa de juros anual de 6%, para construir infraestrutura de data center e prestar serviços como parte de um acordo mais amplo. O empréstimo pode ser reembolsado em dinheiro ou na forma de produtos e serviços no contexto do acordo. A conversão das opções para ações só ocorrerá na totalidade se a OpenAI adquirir 2 gigawatts de poder computacional da Cerebras.

Desempenho e Riscos

A Cerebras manifestou que a aliança com a OpenAI representa uma parte substancial de suas receitas projetadas para os próximos anos. Contudo, a OpenAI mantém o direito de rescindir parcial ou totalmente seu contrato com a Cerebras se a fornecedora de chips não cumprir os prazos de entrega de poder computacional ou se a qualidade do serviço for considerada abaixo do estipulado.

Acordos Recentes

Em março, a Cerebras formalizou um acordo com a Amazon, que permitirá a criação de serviços de nuvem baseados nos chips da Cerebras, num investimento que pode chegar a 270 milhões de dólares na compra de ações da classe N da empresa. Durante a teleconferência de resultados de março da Oracle, o CEO Clay Magouyrk mencionou que a Oracle está oferecendo chips da Cerebras e de outros fornecedores, embora seu catálogo na época não incluísse preços para os produtos da Cerebras. O pedido feito na sexta-feira não fez menção a qualquer relação comercial com a Oracle.

Concorrência no Mercado de IA

A Cerebras fornece à OpenAI poder computacional em nuvem para operar uma ferramenta de codificação assistida por IA. Muitas das empresas que constroem e implantam modelos de IA generativa dependem das unidades de processamento gráfico, ou GPUs, da Nvidia. A AMD também já ganhou espaço na infraestrutura de IA.

De acordo com informações disponíveis em seu site, a Cerebras afirma que seus chips Wafer Scale Engine 3 operam com maior velocidade e a um custo inferior em comparação com as GPUs. A empresa tem conseguido novos negócios ao enfatizar a alta velocidade que seus processadores de grande escala podem oferecer, especialmente na resposta a consultas de usuários finais.

Futuro da Cerebras

A Cerebras anunciou planos para um IPO em 2024, mas retirou o pedido no ano passado para adicionar informações mais detalhadas sobre seu desempenho financeiro e estratégias.

Os investidores que atuam no varejo estão ansiosos por IPOs de grandes empresas de tecnologia em crescimento, após um período de escassez iniciado em 2022. Empresas de IA como Anthropic e OpenAI estão considerando a possibilidade de abrir capital ainda este ano.

No mês de fevereiro, a Cerebras informou que havia levantado 1 bilhão de dólares em financiamento, avaliando a empresa em 23 bilhões de dólares. Em setembro, dias antes de retirar o pedido de IPO, a Cerebras anunciou ter levantado um financiamento de 1,1 bilhão de dólares, com uma valorização de 8,1 bilhões de dólares.

Informações Gerais sobre a Empresa

Fundada em 2016 e com sede em Sunnyvale, Califórnia, a Cerebras contava com 708 funcionários até 31 de dezembro. Andrew Feldman, cofundador e CEO da startup, vendeu sua empresa de servidores, a SeaMicro, para a AMD em 2012 por 355 milhões de dólares. Feldman já mencionou que, em 2018, o CEO da Tesla, Elon Musk, tentou comprar a Cerebras. Entre os investidores da empresa, constam Alpha Wave, Benchmark, Eclipse, Fidelity e Foundation Capital, conforme revelado no pedido de abertura de capital. O site da Cerebras também lista Sam Altman, CEO da OpenAI, como um investidor.

As instituições financeiras Morgan Stanley, Citigroup, Barclays e UBS estão entre os principais subscritores do IPO, de acordo com o pedido regulatório apresentado na sexta-feira. Há alguns dias, a Cerebras obteve do Morgan Stanley uma linha de crédito rotativo com acesso a até 250 milhões de dólares, com a possibilidade de aumentar o limite para 850 milhões de dólares após a abertura de capital.

A Cerebras declarou que não possui os data centers que utiliza para oferecer serviços em nuvem, mas que pode construir seus próprios data centers no futuro.

CNBC relatou anteriormente que a empresa planejava protocolar o pedido na sexta-feira, citando duas fontes familiarizadas com o assunto. Essas fontes pediram anonimato para discutir questões internas. A Cerebras não se pronunciou sobre o assunto.

Fonte: www.cnbc.com

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