FAQ: Por que os Estados Unidos acabaram de oferecer um auxílio de $20 bilhões à Argentina?

FAQ: Por que os Estados Unidos acabaram de oferecer um auxílio de $20 bilhões à Argentina?

by Patrícia Moreira
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Bailout da Argentina pela Administração Trump

Washington — A administração do presidente Donald Trump está implementando um resgate financeiro para a Argentina, uma ação que, segundo críticos, tem mais a ver com questões políticas do que com economia ou interesses norte-americanos.

Valor e Contexto do Resgate

Esse resgate envolverá a utilização de 20 bilhões de dólares provenientes dos contribuintes dos Estados Unidos para apoiar um país governado por um aliado próximo do presidente Trump: Javier Milei, um libertário que se destaca por suas propostas radicais e pelo uso de uma motosserra em suas mensagens políticas.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou na plataforma X, na última quinta-feira, que “a Argentina enfrenta um momento de liquidez aguda”. Ele acrescentou que “o Tesouro dos EUA está preparado, imediatamente, para adotar quaisquer medidas excepcionais necessárias para fornecer estabilidade aos mercados”.

Enquanto isso, o governo federal dos Estados Unidos está próximo de entrar em shutdown há quase duas semanas, e empresas e indústrias americanas continuam a sentir os efeitos da guerra comercial em curso promovida por Trump.

Situação Financeira da Argentina

Atualmente, a Argentina corre o risco de um colapso financeiro. A moeda do país sofreu uma queda acentuada após a derrota significativa do partido de Milei nas eleições do mês passado. Essas perdas abalaram a confiança dos investidores na capacidade de Milei de implementar suas reformas econômicas.

Desde que assumiu o cargo em 2023, Milei promoveu cortes drásticos nos gastos do governo, reduziu regulamentações e demitiu dezenas de milhares de trabalhadores do setor público. Sua administração já obteve alguns sucessos; em 2023, a inflação na Argentina caiu para o menor ritmo mensal dos últimos quatro anos.

Riscos de Contágio Econômico

A administração Trump argumenta que a crise financeira da Argentina poderia se espalhar para outras economias se não for contenida rapidamente. Além disso, autoridades do governo relataram que vêem um risco de que a Argentina, uma economia significativa na América do Sul, fortaleça suas relações com a China.

As próximas eleições legislativas na Argentina estão programadas para 26 de outubro, o que pode influenciar a estabilidade política e econômica do país.

Medidas do Resgate

Na quinta-feira, Bessent confirmou que o resgate à Argentina está avançando em duas frentes principais. Ele informou que a administração finalizou um acordo de troca de moeda no valor de 20 bilhões de dólares com o banco central da Argentina, permitindo que a moeda local seja trocada por dólares americanos. Essencialmente, isso funciona como um empréstimo de 20 bilhões de dólares, segundo especialistas.

Além disso, o secretário do Tesouro mencionou que a administração “comprou diretamente” uma quantidade não divulgada de pesos argentinos. Essa é apenas a quarta vez desde 1996 que os Estados Unidos adquirem a moeda de outro país, de acordo com o Federal Reserve Bank de Nova York. Essas medidas visam estabilizar os mercados financeiros argentinos.

Histórico de Resgates Financeiros

Os Estados Unidos já forneceram linhas de crédito a outros países em situações financeiras complicadas anteriormente, geralmente quando a estabilidade da economia global estava em risco ou quando um aliado geopolítico próximo, como o México, apresentava dificuldades que poderiam prejudicar credores e investidores norte-americanos.

Contudo, esse resgate específico não é considerado urgente, e está ocorrendo em um momento delicado, gerando críticas de que Trump estaria utilizando bilhões de dólares dos contribuintes para apoiar um de seus aliados pessoais.

Críticas ao Resgate

Heidi Crebo-Rediker, ex-economista-chefe do Departamento de Estado, e Douglas Rediker, ex-representante dos EUA no conselho executivo do Fundo Monetário Internacional, escreveram em coluna publicada no Financial Times que “a decisão do Tesouro de oferecer uma ‘troca’ na Argentina é realmente um sinal de que Washington está disposta a usar suas ferramentas financeiras para fins políticos de maneiras que se afastam das normas anteriores”.

Esse processo ocorre em meio ao fechamento do governo dos Estados Unidos, que resultou na suspensão de mais de um milhão de trabalhadores federais ou na realização de seus trabalhos sem remuneração.

A senadora democrática Elizabeth Warren, de Massachusetts, expressou em um comunicado que “é inexplicável que o presidente Trump esteja sustentando um governo estrangeiro enquanto fecha o nosso”.

Impactos sobre os Agricultores Americanos

Como resultado, as políticas de Trump têm afetado negativamente os agricultores americanos, que enfrentam dificuldades devido às suas iniciativas na reforma do comércio global. O resgate à Argentina pode piorar ainda mais essa situação.

A China, um grande comprador de soja americana, interrompeu as compras do produto em maio como resposta à guerra comercial liderada por Trump. Em seguida, após a Argentina eliminar temporariamente os impostos sobre grãos, a China comprou dezenas de milhares de toneladas de soja argentina, substituindo as compras que normalmente seriam feitas dos Estados Unidos.

O senador republicano Chuck Grassley, de Iowa, questionou por que os EUA estariam ajudando a resgatar a Argentina enquanto o país perde seu maior mercado devido a políticas que prejudicam os agricultores americanos.

Benefícios ao Mercado Financeiro

Além de Milei e do Tesouro argentino, críticos afirmam que o resgate pode beneficiar ricos gestores de fundos que possuem significativas dívidas e ativos argentinos. O resgate poderia resultar em um grande lucro para Rob Citrone, um bilionário gestor de hedge funds com investimentos significativos na Argentina. Segundo o jornalista Judd Legum, “a relação pessoal e profissional de Bessent com Citrone se estende por décadas”.

Warren, em sua declaração, afirmou que “Trump prometeu ‘América em Primeiro Lugar’, mas está colocando a si mesmo e seus amigos bilionários em primeiro lugar, passando a conta para os americanos”. Oito democratas, incluindo Warren, apresentaram um projeto de lei no Congresso para impedir o resgate à Argentina.

Bessent, por sua vez, afirmou recentemente à CNBC que “essa ideia de que estamos ajudando americanos ricos com interesses financeiros lá não poderia ser mais falsa”, acrescentando que “o que estamos fazendo é manter um interesse estratégico dos EUA na hemisfério ocidental”.

Fonte: www.cnn.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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