Consequências do Fechamento do Estreito de Ormuz
O especialista em investimentos internacionais, Beny Fard, conversou com a CNN e alertou sobre as sérias repercussões que um eventual fechamento do Estreito de Ormuz poderia causar na economia mundial, em particular sobre os preços do petróleo e a inflação global.
O aumento nos preços do petróleo, provocado por tensões na região do Oriente Médio, tem um efeito em cadeia que pressiona os valores dos combustíveis e, consequentemente, a inflação de diversos produtos de consumo diário.
Fard destacou que, sob a perspectiva dos cidadãos americanos, o grande desafio para o presidente Donald Trump é gerenciar esse conflito de forma a evitar um aumento significativo nos preços do petróleo além das previsões atuais.
O especialista ressaltou que, até a manhã de hoje, aproximadamente 50 bilhões de dólares haviam sido movimentados por investidores globais em busca de segurança nos títulos do tesouro norte-americano.
Os efeitos econômicos não se limitam apenas aos Estados Unidos. A valorização do dólar, resultado desse cenário, provoca a desvalorização das moedas de países emergentes, como o Brasil, o que, por sua vez, pressiona as taxas de juros no médio e longo prazos. Fard explicou que isso gera uma valorização do dólar e uma desvalorização das moedas, afetando também o câmbio em diversas nações emergentes como o Brasil.
O especialista enfatizou que essa dinâmica é resultado de um processo em que o fortalecimento do dólar atrai mais recursos para os Estados Unidos, impactando outros países que se encontram em situações semelhantes.
Importância Estratégica do Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é um ponto vital para o comércio global, especialmente no que diz respeito ao fluxo de petróleo. Um bloqueio prolongado desse estreito afetaria não apenas as nações vizinhas, mas também países que dependem da passagem de commodities e bens de consumo pela região.
Fard enfatizou que países como China, Índia e Japão sofreriam impactos diretos. “A China, por exemplo, não é autossuficiente em relação à produção de petróleo e necessita importar um volume significativo. A Índia depende de importações para mais de 90% do seu consumo de petróleo, assim como o Japão”, ressaltou o especialista.
Curiosamente, um fechamento do estreito também resultaria em prejuízos para o regime iraniano, pois sua economia baseia-se na exportação de commodities, que em grande parte transitam pela região em questão, conforme explicado por Fard.
Efeitos no Brasil e na Cadeia Global
Embora o Brasil esteja geograficamente distante do conflito, o país também enfrentaria consequências significativas. Além de ser um exportador de commodities para o Oriente Médio e utilizar portos da região como entrepostos, o Brasil depende da importação de insumos essenciais.
“Nós importamos insumos, incluindo fertilizantes, e dependemos deles para nossa cadeia agrícola, que é responsável por uma parte substancial do nosso superávit primário”, alertou o especialista.
Fard também apontou que a situação atual expõe a fragilidade do modelo de globalização que foi implementado desde a década de 1990. Ele observou que a ruptura das cadeias de valor durante e após a pandemia resultou em um aumento do custo do capital globalmente, com uma inflação que não era observada há várias décadas em numerosos países, além de uma crescente desconfiança sobre a possibilidade de novas rupturas em cadeias produtivas.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

