FGC inicia pagamentos aos credores do Banco Master nesta segunda-feira (19)

Pagamentos do FGC aos Credores do Banco Master

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) anunciou que iniciará o pagamento aos credores do Banco Master a partir desta segunda-feira, 19 de setembro. Neste primeiro momento, cerca de 150 mil pessoas, tanto físicas quanto jurídicas, são esperadas para receber seus valores.

Pedidos de Ressarcimento

Até o momento, o FGC recebeu um total de 369 mil solicitações de ressarcimento de garantias de credores que adquiriram Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master. O CDB é uma forma de investimento em renda fixa, onde o investidor empresta dinheiro ao banco em troca de uma remuneração em forma de juros. Essa remuneração pode ser, conforme o tipo de aplicação, pré-fixada, onde os juros são definidos na hora da aplicação, ou pós-fixada, atrelada a indicadores como o CDI.

Início do Processo de Ressarcimento

O prazo para a apresentação dos pedidos de ressarcimento começou no sábado, dia 17 de setembro, por meio do aplicativo do FGC, destinado às pessoas físicas. Já as empresas podem realizar suas solicitações através do site oficial do Fundo Garantidor de Crédito. O FGC esclareceu que não cobra taxas para efetuar o pagamento das garantias e que nenhum tipo de antecipação, transferência de créditos garantidos ou utilização de intermediários será feita. Informou também que não há contato realizado por WhatsApp ou SMS.

Proteção do FGC

Os saldos de contas correntes e investimentos estão protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito, com um limite de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. Por exemplo, um investidor que possui R$ 180 mil aplicados e R$ 100 mil a receber em rendimentos terá direito a um total de até R$ 250 mil. Qualquer valor que ultrapassar este limite deverá ser solicitado durante o processo de liquidação conduzido pelo Banco Central (BC).

Processo de Liquidação do Banco Master

A liquidação do Banco Master implica que a instituição deixará de operar qualquer atividade bancária. Isso inclui a suspensão de contas correntes, aplicações financeiras, transferências, pagamentos e novos contratos. Os saldos existentes no momento em que o regime especial foi decretado são preservados, porém, passam a integrar a massa liquidanda, que agrega todos os ativos e passivos da instituição.

Após essa decretação, o cliente deixa de ser um correntista comum e se torna formalmente um credor do banco, o que altera significativamente a dinâmica de acesso aos seus recursos financeiros.

O primeiro passo após a liquidação é realizar um levantamento detalhado da condição financeira da instituição. O liquidante designado pelo Banco Central será responsável pela apuração dos valores devidos a cada cliente, identificando os ativos disponíveis, como créditos a receber, imóveis e participações, além de avaliar quanto pode ser recuperado ao longo do tempo.

Investigações Policiais Relacionadas

O Banco Master foi liquidado em 18 de novembro de 2025, coincidentemente no mesmo dia em que a Polícia Federal (PF) deflagrou a operação denominada "Compliance Zero", que investiga alegações de fraudes bancárias cometidas pela instituição e por pessoas associadas a ela, incluindo Daniel Vorcaro. A segunda fase da operação ocorreu em 14 de janeiro de 2026.

A pedido do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal deve agilizar nesta semana os depoimentos de ex-diretores do Banco Master e do Banco de Brasília (BRB). Esses depoimentos estavam previamente agendados para a semana seguinte e para o início de fevereiro. Na sexta-feira anterior, o ministro retirou o sigilo das decisões relacionadas ao processo.

Denúncias da PGR

A Procuradoria-Geral da República (PGR) comunicou ao STF que existem indícios substanciais de que o Banco Master teria explorado “vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização” visando desviar bilhões de reais, em benefício de seus controladores, em especial Daniel Vorcaro e pessoas associadas a ele.

Em uma manifestação enviada ao ministro Dias Toffoli, o procurador-geral descreveu um esquema complexo que envolvia gestão fraudulenta, manipulações de mercado e lavagem de dinheiro, tudo estruturado por meio de fundos de investimento e empresas de fachada, muitas delas operadas por intermediários conhecidos como “laranjas”.

Práticas Irregulares

Conforme a investigação conduzida pela Polícia Federal e acolhida pela PGR, o Banco Master captava recursos de terceiros no mercado através da emissão de CDBs e direcionava esses recursos para fundos dos quais era o único cotista. Esses fundos, em seguida, adquiriram notas comerciais e direitos creditórios de empresas ligadas a sócios do banco ou a pessoas próximas, sem respaldo econômico real.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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