FGTS para quitar dívidas: pode levar ao aumento do endividamento? Opinião de especialistas.

FGTS para quitar dívidas: pode levar ao aumento do endividamento? Opinião de especialistas.

by Fernanda Lima
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Desenrola 2.0: Medidas a Serem Anunciadas

As medidas da segunda versão do Programa Desenrola Brasil, identificado como Desenrola 2.0, devem ser divulgadas ainda nesta semana. O anuncio foi confirmado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, na tarde de segunda-feira, dia 27.

Endividamento das Famílias

Diante de um panorama em que 49,9% das famílias estão endividadas, conforme os dados do Banco Central (BC), a proposta permitirá que os trabalhadores utilizem recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar suas dívidas.

Críticas ao Uso do FGTS

A utilização do FGTS para esse fim tem gerado críticas consistentes entre especialistas, que avaliam a medida como uma solução superficial para um problema estrutural mais profundo. Algumas análises apontam que essa prática pode até agravar a situação.

Riscos do Efeito Rebate

Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, alerta para o risco significativo de um efeito rebote com o Desenrola 2.0. Ele argumenta que, ao quitar dívidas, o consumidor tende a retomar um nome limpo em cadastros como o Serasa, o que facilita o acesso ao crédito e o aumento de limites disponíveis.

No curto prazo, essa reabertura ao crédito pode estimular o consumo e aquecer a economia, mas as consequências disso aparecem rapidamente. Patzlaff explica que, em poucos meses, o indivíduo pode se endividar novamente, dessa vez sem contar com o FGTS como fonte de reserva. Tal situação implica na redução do patrimônio e na transferência de riqueza para o sistema financeiro.

Situacão de Inadimplência

A falta de poupança ou ativos pode levar a um cenário de inadimplência, um problema considerado ainda mais sério, conforme ressaltado por Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. Vale afirma que isso se assemelha a "enxugar gelo" e que as medidas paliativas não resolvem a questão estrutural. O endividamento e a inadimplência tendem a continuar em ascensão.

Atualmente, o Brasil enfrenta um cenário com aproximadamente 27,5 milhões de pessoas em inadimplência recorrente, com uma dívida média em torno de R$ 1,1 mil, conforme dados da Assertiva.

Possíveis Consequências do Desenrola 2.0

Diante deste contexto, especialistas ressaltam que o Desenrola 2.0 pode não apenas falhar em solucionar o problema do endividamento, mas também contribuir para sua intensificação.

Custo do Crédito no Brasil

Embora a facilidade na obtenção de crédito seja evidente, o custo dessa dívida é uma questão a ser considerada. O Brasil possui uma ampla oferta de crédito, mas a taxa que se paga por esse acesso é elevadíssima.

A taxa básica de juros está fixada em 14,75%, com perspectivas de cortes muito limitados na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), marcada para o dia 29. Nos cartões de crédito rotativo, os juros ultrapassam 400% ao ano, enquanto os níveis de inadimplência se aproximam de 64%.

Vale observa que se esperava uma queda na Selic, mas o Banco Central deve proceder com cautela, em especial considerando a recente alta no preço do petróleo, que pode pressionar o IPCA a cerca de 5% ao ano. Nesse contexto, recomenda-se um uso criterioso do crédito.

Comportamento do Consumidor

Entretanto, essa cautela ainda não reflete o comportamento médio dos consumidores brasileiros, de acordo com a avaliação de Ruy Archer, gerente de recuperação de crédito do Sistema Ailos. Segundo ele, existe um problema cultural na gestão das finanças pessoais. A educação financeira não evoluiu no mesmo ritmo em que a oferta de crédito se expandiu.

Fabio Murad, economista e sócio-fundador da Ipê Avaliações, identifica três fatores principais como raízes do problema:

  • Falta de educação financeira prática
  • Custo do crédito extremamente elevado
  • Ambiente econômico desfavorável, caracterizado por inflação persistente, moeda fraca e alta carga tributária

Murad ressalta que esses elementos fazem com que dívidas menores rapidamente se tornem um grande problema, criando uma bola de neve.

Necessidade de Soluções Estruturalmente Duradouras

Gabriel Ramalho, especialista em crédito consignado, também argumenta que soluções mais permanentes precisam enfrentar esses fatores estruturais. Sem isso, o Brasil continuará preso a ciclos de endividamento, onde os consumidores entram, saem e retornam à inadimplência.

Detalhes sobre o Desenrola 2.0

No começo deste mês, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), informou à CNN Brasil sobre a possibilidade de utilização do FGTS para renegociação de dívidas, além de mencionar que o governo planeja destinar cerca de R$ 7 bilhões para o programa, que pode beneficiar até 10 milhões de brasileiros.

Com o anúncio oficial previsto para esta semana, algumas diretrizes já estão emergindo:

  • Público-alvo: trabalhadores que apresentem uma renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105)
  • Descontos: de 20% a 90% sobre o montante das dívidas
  • Juros: compromisso dos bancos em reduzir as taxas de refinanciamento para menos de 2% ao mês, com o suporte do Tesouro Nacional

A implementação do programa será feita em fases, iniciando com as pessoas físicas. Segundo o ministro, o uso do FGTS estará limitado a até 20% do saldo disponível.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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