Proposta de Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada de Trabalho
A proposta de fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, atualmente em discussão no Congresso Nacional, não deve resultar nos ganhos de produtividade esperados. Esta avaliação foi feita pelo economista Felipe Tavares, da BGC Liquidez, em entrevista à Hora H na quinta-feira (11).
Análise do Economista
O economista acredita que partir da premissa de que haverá um aumento na produtividade com a nova escala de trabalho é uma suposição bastante forte. Ele observa que o Brasil enfrenta dificuldades significativas para obter ganhos claros de produtividade em sua economia, especialmente considerando os últimos 40 a 50 anos, período em que essas melhorias têm sido desafiadoras de serem alcançadas.
Tavares explicou que a argumentação a favor da medida se baseia em um raciocínio matemático. O raciocínio diz que, se a mesma quantidade de produtos é produzida com menos trabalhadores, a produtividade aumentaria. Contudo, para que tal situação se concretize, seria necessário assegurar que o volume de produção permaneça constante mesmo com uma redução no número de funcionários. "A probabilidade de você ter ganho de produtividade é muito pequena", afirmou o economista.
Expectativa de Aumento de Custos
Tavares adverte que o cenário mais plausível indica que as empresas poderão precisar contratar mais trabalhadores para manter a produção nos mesmos níveis, o que acarretaria um aumento significativo nos custos. Ele pontua que essa mudança provocaria uma desorganização completa da estrutura de custos dentro das empresas, obrigando-as a contratações extras para operarem como antes. Isso, por sua vez, traria pressão sobre os preços e poderia ocasionar um verdadeiro desarranjo inflacionário.
Setores Mais Afetados
O economista destaca que os setores que mais sofreriam com essa mudança seriam os de serviços, especialmente comércio, hotelaria e shoppings, que operam sete dias na semana em jornadas extensas. Nesses setores, a necessidade de cobrir turnos poderia levar à contratação de mais funcionários do que o esperado.
Adicionalmente, Tavares ressaltou que aproximadamente 95% a 97% das empresas no setor de comércio são micro e pequenas, as quais possuem pouca margem para absorver custos adicionais. "Se a empresa não consegue repassar esses custos para o preço final, ela enfrenta a ameaça de fechamento", afirmou.
Escassez de Mão de Obra
Além da pressão sobre custos, Tavares também apontou para um obstáculo adicional: a escassez de mão de obra em setores como supermercados e comércio. Ele observou que várias atividades enfrentam dificuldades para encontrar pessoas que se encaixem na forma como a jornada de trabalho está estruturada atualmente.
Consequências Sociais
O economista também levantou a questão de possíveis consequências sociais negativas que podem advir da implementação da proposta. Segundo sua análise, o efeito inflacionário combinado com uma eventual redução na produção pode deteriorar ainda mais o poder de compra das famílias, levando-as a uma situação pior do que a atual.
Tavares concluiu, enfatizando que é cruel vender a ideia de que haverá um aumento de produtividade onde se poderá trabalhar menos e ainda ganhar o mesmo. Ele alerta que, muitas vezes, essa condição pode não ser viável, comprometendo expectativas de melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
