Fitch Ratings Confirma Classificação de Risco do Brasil
A agência de classificação de risco Fitch Ratings confirmou o rating soberano de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira no nível “BB”, mantendo também a perspectiva estável para a avaliação do país. Esta decisão reflete o reconhecimento da resiliência da economia brasileira, ao mesmo tempo que evidencia que há desafios estruturais significativos que ainda limitam uma possível melhoria na classificação.
Desafios Estruturais
De acordo com a Fitch, fatores como o elevado endividamento público, a rigidez das despesas obrigatórias, o crescimento econômico potencial reduzido e questões institucionais continuam a pesar sobre a avaliação de risco do Brasil. A incerteza fiscal é destacada como um dos principais riscos macroeconômicos, com uma maior clareza sobre o rumo das reformas estruturais aguardada somente após as eleições presidenciais previstas para outubro.
Comparação Internacional
O rating “BB” atribuído ao Brasil está abaixo do nível de investimento, conhecido como “investment grade” no jargão do mercado financeiro. Entre os países que possuem a mesma nota de classificação, estão Uzbequistão, Geórgia e Jamaica, que, assim como o Brasil, possuem uma perspectiva estável.
Projeções Futuras
As previsões da Fitch indicam que as contas públicas do Brasil deverão se deteriorar nos próximos anos. O déficit do governo geral está projetado para atingir 8,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, um aumento em relação aos 8,1% estimados para o ano de 2025. Este resultado permanece significativamente acima da mediana de 3,5% observada entre países com classificação semelhante. Para 2027, espera-se uma redução do déficit para 8%, impulsionada pela melhoria do resultado primário e por menores custos com juros.
Situação Fiscal
Apesar da expectativa de alívio parcial, a situação fiscal do Brasil continua sob pressão. A dívida bruta do governo deverá ultrapassar 80% do PIB em 2026, após atingir 78,6% em 2025. Segundo a análise da Fitch, déficits elevados e recorrentes aumentam a vulnerabilidade do país a choques externos e a variações de percepção por parte dos investidores globais.
Atividade Econômica
No que diz respeito à atividade econômica, a Fitch prevê uma desaceleração do crescimento brasileiro em 2027, com uma projeção de 1,7%. Essa desaceleração reflete os efeitos acumulados de juros elevados e uma possível diminuição dos estímulos fiscais que foram observados nos últimos anos.
Inflação em Foco
A inflação também permanece como um fator significativo a ser monitorado. Após registrar uma taxa de 4,7% em maio de 2026, a expectativa da Fitch é que o índice encerre o ano em 5%, valor que excede o teto da meta oficial estabelecida pelas autoridades. Os principais fatores que contribuem para essa inflação incluem a persistência da inflação em serviços, a pressão sobre os preços de alimentos e os impactos decorrentes de choques globais nos preços de energia.
Política Monetária
Diante desse cenário inflacionário e dos desafios fiscais, a flexibilização da política monetária tende a ser realizada de forma cautelosa. A Fitch projeta que a taxa Selic encerrará 2026 em 13%, indicando que o processo de redução de juros será mais lento do que o já esperado anteriormente pelo mercado financeiro.
Expectativas de Melhorias na Classificação
A agência observa que futuras melhorias na classificação de risco do Brasil dependerão da capacidade do país em avançar na consolidação fiscal, estabilizar a trajetória da dívida pública e elevar o potencial de crescimento econômico de forma sustentável. Por outro lado, a possibilidade de um eventual rebaixamento da nota de classificação pode ocorrer em caso de deterioração adicional das contas públicas ou na perda de credibilidade na política fiscal, especialmente se medidas não forem adotadas para garantir a sustentabilidade da dívida no médio prazo.
Fonte: br.-.com