Fitch Ratings Mantém Nota de Crédito do Brasil
A Fitch Ratings reafirmou, nesta terça-feira (16), a nota de crédito soberano do Brasil em "BB", com perspectiva estável. No entanto, a agência destacou a deterioração das contas públicas e a incerteza fiscal como os principais obstáculos para uma possível melhora da avaliação do país.
Situação Atual da Nota de Crédito
A nota mantém o Brasil dois níveis abaixo do chamado grau de investimento. Este grau é concedido a países que são considerados com baixo risco de inadimplência. Segundo a Fitch, a categorização do Brasil é um reflexo do tamanho e da diversificação de sua economia, assim como da solidez das contas externas, do elevado volume de reservas internacionais e da flexibilidade cambial. Estes fatores colaboram para que o país tenha uma capacidade maior de absorver choques econômicos.
Desafios e Limitações
Apesar dos pontos positivos, a Fitch avalia que a trajetória ascendente da dívida pública, a rigidez orçamentária, o baixo potencial de crescimento e os desafios em governança continuam a limitar a nota de crédito do Brasil. A agência ressalta que “a incerteza fiscal continua sendo um risco macroeconômico mais amplo”, conforme expresso em relatório divulgado nesta terça-feira.
Perspectivas Futuras
Em uma nota adicional, a Fitch comentou que as perspectivas para reformas estruturais que possam abordar os desequilíbrios fiscais do Brasil devem se esclarecer apenas após as eleições presidenciais de outubro. A agência antecipa uma corrida apertada entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Analisando os Mandatos Potenciais
De acordo com a avaliação da agência, em um eventual novo mandato, Lula provavelmente não demonstraria grande vontade de implementar reformas nas despesas públicas. Por outro lado, um governo liderado por Flávio Bolsonaro tenderia a priorizar uma agenda focada em corte de impostos, eficiência nos gastos e privatizações, mesmo que a implementação dessas medidas seja considerada "altamente incerta".
Projeções Econômicas
A Fitch projeta um aumento no déficit do setor público geral, que deve passar de 8,1% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2025 para 8,6% em 2026. Esse índice é significativamente superior à mediana de 3,5% observada em países que possuem classificação de crédito semelhante.
Por sua vez, a dívida bruta do setor público, que era equivalente a 76,3% do PIB em 2024, deverá aumentar para 78,6% em 2025 e superar 80% em 2026, de acordo com as estimativas da Fitch. O aumento no nível de endividamento é atribuído, principalmente, ao alto custo dos juros e aos déficits fiscais persistentes.
Crescimento Econômico
No cenário macroeconômico, a Fitch prevê um crescimento de 2,1% para a economia brasileira em 2026, após uma expansão de 2,3% em 2025. A atividade econômica deverá continuar sendo sustentada por um mercado de trabalho aquecido, aumento nos salários reais e pelos efeitos da reforma do Imposto de Renda aprovada no ano anterior.
Com informações da Reuters.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


