Visita do Presidente dos EUA à China e Questões Geopolíticas
Última Visita de um Presidente Norte-Americano a Pequim
A imagem aqui retratada é da última vez em que um presidente dos Estados Unidos em exercício fez uma visita oficial à China. O presidente Donald Trump esteve em Beijing em novembro de 2017, durante seu primeiro mandato, para se reunir com o presidente chinês Xi Jinping.
Foco na Guerra do Irã
BEIJING — A guerra no Irã deve ocupar o centro das atenções na cúpula entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e Xi Jinping, deixando menos espaço para resolver questões como tarifas e fornecimento de terras raras. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, já declarou que o Irã será um dos tópicos abordados nas reuniões, agendadas para os dias 14 e 15 de maio. Além disso, na semana passada, a China recebeu o Ministro das Relações Exteriores do Irã para a primeira visita desde o início da guerra no final de fevereiro, gerando esperanças de um acordo de paz, o que resultou na queda dos preços do petróleo e impulsionou os ganhos do mercado de ações.
Declínio da Interação Entre Empresas
O governo dos Estados Unidos recusou um convite da China para organizar reuniões específicas do setor entre líderes chineses e executivos de empresas norte-americanas, com o receio de que isso pudesse fazer com que as empresas americanas parecessem excessivamente alinhadas a Pequim, de acordo com um executivo norte-americano com conhecimento direto dos arranjos. Até a última terça-feira, a Casa Branca ainda não havia formalmente convidado executivos para acompanhá-los na viagem, e uma lista proposta com duas dezenas de líderes poderia ser reduzida pela metade, conforme informou a fonte.
Acompanha Executivos de Empresas
Os CEOs da Boeing e da Citigroup estão entre aqueles que devem acompanhar Trump, conforme confirmaram duas fontes distintas. A gigante da aviação dos EUA deverá firmar seu primeiro grande pedido da China em quase uma década durante a cúpula.
Lideranças Internacionais e Oportunidades de Negócios
Xi recebeu uma dúzia de líderes nacionais este ano, incluindo os do Reino Unido e da Coreia do Sul, que frequentemente vêm acompanhados de grandes delegações empresariais. No entanto, as corporações podem não se opor ao foco reduzido se isso ajudar a resolver um grande problema geopolítico para elas.
Impacto de um Acordo de Paz
Um fim à guerra no Irã seria uma "grande alívio para os negócios globais", afirmou Hai Zhao, diretor de estudos políticos internacionais na Academia Chinesa de Ciências Sociais, um think tank ligado ao governo. Isso seria "lembrado como um grande sucesso" para a cúpula entre Trump e Xi.
Conflitos Recorrentes na Estrada de Hormuz
Entretanto, os EUA e o Irã voltaram a trocar disparos no Estreito de Hormuz, com cada lado acusando o outro de ter iniciado o ataque. Poucos dias antes, um petroleiro de propriedade chinesa também foi atacado, conforme relatado pela mídia chinesa Caixin. A CNBC não conseguiu confirmar independentemente a informação.
Diferenças na Composição da Delegação
Caso um grupo menor de executivos acompanhe a visita de Trump à China, isso será um contraste em relação à viagem do presidente à Arábia Saudita em maio do ano passado, quando mais de 30 executivos dos EUA o acompanharam. Durante a visita de Trump à China em 2017, quando foi o último presidente norte-americano em exercício a fazê-lo, quase 30 CEOs estavam presentes, assinando 37 contratos importantes totalizando mais de 250 bilhões de dólares.
Sinalização para o Mercado Chinês
Entretanto, as imagens esperadas de Trump e Xi juntos podem ainda enviar um sinal dentro da China de que é mais aceitável novamente engajar-se com empresas norte-americanas, disse Michael Hart, presidente da Câmara de Comércio Americana da China, com sede em Pequim.
"Desde as ações militares dos EUA no início deste ano, os oficiais chineses têm sido mais hesitantes em se envolver com a comunidade empresarial americana", afirmou Hart.
Expectativas do Governo Chinês
A China acolhe a expansão dos negócios norte-americanos e espera que as empresas possam continuar avançando nas relações econômicas bilaterais, conforme declarado pelo ministério das Relações Exteriores da China à CNBC. O ministério do Comércio da China não respondeu a um pedido de comentário.
Mudanças nas Questões Comerciais e Tecnológicas
Enquanto isso, a urgência de algumas questões relacionadas aos negócios está diminuindo. Ambos os países estão recuando em confrontos recentes sobre sanções dos EUA e tecnologia, ao mesmo tempo em que visam a cooperação frente à crescente ameaça da inteligência artificial, segundo relatórios.
Potenciais Acordos Comerciais
Ainda assim, algum progresso pode ser alcançado. Espera-se que Trump consiga firmar acordos sobre compras chinesas de soja e aviões Boeing, segundo Scott Kennedy, conselheiro sênior e presidente do conselho de estudos de negócios e economia chinesa no Center for Strategic and International Studies, com sede nos EUA.
Ele também antecipa que Trump discutirá planos dos EUA para estabelecer organizações de comércio e investimento — chamadas de "conselhos" — para lidar com questões bilaterais específicas.
Cenário Atual das Relações EUA-China
"O encontro provavelmente solidificará as vantagens que a China obteve no último ano", disse Kennedy. O foco de Pequim provavelmente estará em tarifas, no status de Taiwan e nas restrições dos EUA ao acesso da China a tecnologias avançadas. A China foi o primeiro grande país a retaliar contra as tarifas anunciadas pela administração Trump em abril de 2025.
Enquanto isso, mudanças nos controles de exportação de terras raras da China, que se tornaram cada vez mais rigorosos, terão impacto em todo o mundo e afetarão todos os países, não apenas os Estados Unidos.
Fonte: www.cnbc.com