Ford Motor e seu novo negócio de armazenamento de energia
A Ford Motor Company está se posicionando para se tornar uma forte opção em tendências promissoras do mercado, à medida que intensifica seus esforços no negócio de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS). Na última segunda-feira, a montadora anunciou que forneceria até 20 gigawatts-horas de capacidade de armazenamento para a EDF Power Solutions, uma desenvolvedora de energia renovável, ao longo de cinco anos. Este acordo representa a primeira grande negociação realizada pela Ford Energy, a unidade de BESS da fabricante de automóveis, que foi apresentada ao mercado na semana anterior.
Expectativas de analistas
Andrew Percoco, analista da Morgan Stanley, comentou que "o anúncio de hoje reforça a posição da Ford como um fornecedor doméstico de BESS… este pode ser o primeiro de vários grandes anúncios de clientes ao longo deste ano." A Morgan Stanley mantém uma avaliação neutra das ações da Ford, com um preço-alvo de $14, o que implica um potencial de valorização de aproximadamente 4% em relação ao fechamento da última sexta-feira.
A Ford Energy busca capitalizar o crescimento em inteligência artificial e outras tendências de investimento que exigem grande quantidade de energia e a infraestrutura que as sustenta. Com o acordo firmado, o novo negócio da Ford deverá garantir à EDF um acesso anual de até 4 GWh de sistemas de armazenamento de energia em bateria DC Block.
Joseph Spak, analista do UBS, também expressou otimismo, afirmando que, com a eventual bancada de contratos adicionais, as ações podem chegar a $21. "À medida que novos contratos são anunciados… e conforme o mercado comece a atribuir um múltiplo mais alto ao negócio de energia da Ford."
Reação do mercado
Apesar desse desenvolvimento aparentemente otimista, as ações da Ford apresentaram uma queda de 1% na segunda-feira, continuando uma correção após uma intensa valorização, semelhante a movimentos de ações "meme", observada na semana anterior. Desde a última quarta-feira, os papéis da empresa haviam saltado cerca de 21% em dois dias, impulsionados pela excitação dos investidores em relação à estratégia da Ford de se expor a setores de mercado mais virais por meio de sua vertical energética. Contudo, na sexta-feira, as ações perderam parte desses ganhos.
Embora a recente volatilidade possa ter afetado os preços das ações, a perspectiva do mercado em relação à Ford permanece positiva. Spak do UBS ressaltou que o anúncio na área de energia deve ser bem recebido, considerando o aumento do interesse nas possibilidades que esse negócio representa.
Vantagens competitivas
Além disso, o analista destacou que a Ford possui parcerias estratégicas, como a com a empresa chinesa de baterias Contemporary Amperex Technology Co. (CATL), o que pode ser vantajoso, uma vez que outras companhias podem enfrentar dificuldades em estabelecer alianças semelhantes. A UBS acredita que a oferta de produtos da Ford pode estar em conformidade com uma regulação que restringe o uso de materiais ou componentes de baterias oriundos de países como China, Rússia, Irã ou Coreia do Norte.
Análises de longo prazo
Em uma nota datada de 14 de maio, Dan Levy, analista do Barclays, observou que a capacidade das ações da Ford de "ocasionais injetar-se no ‘espírito meme’ do mercado" não deve ofuscar os fundamentos robustos da empresa, que devem sustentar um aumento no valor de suas ações no longo prazo. Levy observou que, embora essa movimentação no mercado não tenha uma justificativa racional evidente (considerando que a Ford ainda precisa demonstrar muitos resultados), no contexto da empolgação do mercado em torno de inteligência artificial e centros de dados, essa atitude se torna compreensível. O Barclays mantém uma classificação neutra das ações da Ford, com um preço-alvo de $13, indicando um possível recuo de aproximadamente 3% em relação ao fechamento da última sexta-feira.
Atualmente, os analistas estão, em sua maioria, tomando uma postura cautelosa em relação à Ford. Entre os 24 analistas que cobrem a montadora, 17 mantêm uma classificação de manutenção (hold), enquanto apenas cinco possuem avaliação de compra ou compra forte, segundo dados do LSEG.
Fonte: www.cnbc.com