Aspectos da Energia Nuclear
Quando o tema é energia nuclear, a associação imediata remete a Chernobyl, Fukushima e os riscos relacionados a vazamentos e explosões. Contudo, essa percepção é um tanto limitada. Os desastres que alimentaram o medo coletivo ocorreram devido a um modelo específico de reator atômico.
Enquanto a maioria ainda relaciona a palavra “nuclear” à fissão, que é a tecnologia por trás desses acidentes, a China está explorando uma alternativa. Recentemente, o país anunciou recordes significativos em seu projeto denominado “sol artificial”. Essa iniciativa ganha destaque em um contexto muito diferente da imagem de usinas caracterizadas por zonas de exclusão, sirenes e planos de evacuação. Agora, a discussão se volta para a natureza do problema: seria a tecnologia a raiz das questões relacionadas à energia nuclear ou o método de reação?
O reator experimental chinês EAST (Experimental Advanced Superconducting Tokamak), que se propõe a replicar na Terra a fusão que ocorre no núcleo do Sol, ilustra essa diferença de maneira quase didática.
Fissão: Funcionalidade e Vigilância Contínua
A fissão nuclear é a tecnologia amplamente conhecida, utilizada há várias décadas nas usinas atômicas comerciais. Ela opera através da divisão de átomos pesados, como o urânio, para liberar energia. Essa abordagem é eficiente, capaz de gerar eletricidade em grande escala e tem um impacto ambiental relativamente baixo.
Entretanto, a fissão nuclear possui um aspecto que não deve ser ignorado: a reação demanda vigilância constante. Na eventualidade de falhas nos sistemas de controle, existe o risco de ocorrer uma reação fora de controle, ocasionando superaquecimento do núcleo e a consequente liberação de material radioativo.
Históricamente, isso resultou em acidentes raros, porém impactantes. Ademais, a fissão gera resíduos radioativos que permanecem perigosos por milhares de anos. Nesse sentido, pode-se afirmar que a fissão é como um motor potente que requer monitoramento incessante; enquanto funciona, não permite tranquilidade.
Fusão: Aspectos de Segurança e Estabilidade
Por outro lado, a fusão nuclear opera de maneira inversa: ela consiste na união de átomos de substâncias leves, como o hidrogênio. Trata-se da mesma reação que mantém o Sol radiante há bilhões de anos e que os cientistas têm se esforçado para dominar ao longo de décadas.
A principal distinção reside no comportamento do sistema. A fusão, diferentemente da fissão, não se descontrola em uma cadeia de reações. Se ocorre uma anomalia, o plasma perde sua estabilidade e a reação simplesmente cessa. Não há risco de explosão, derretimento ou desastres catastróficos. Sob a perspectiva da segurança física, a fusão é considerada uma opção mais segura.
O “Sol Artificial” da China como Referência Experimental
O “sol artificial” da China é um exemplo relevantíssimo dentro desse contexto. O EAST não é uma usina convencional, mas sim um laboratório projetado para experimentação. Nos últimos anos, esse reator chinês alcançou recordes mundiais em termos de tempo de confinamento de plasma, mantendo a reação ativa por mais de mil segundos.
Em outras investigações, o reator também conseguiu atingir temperaturas em torno de 100 milhões de graus Celsius, o que é essencial para que a fusão possa ocorrer. Essa realização, apesar de significativa, não implica que a fusão esteja apta para uso comercial imediato; no entanto, sinaliza uma diferença crucial: o risco associado à fusão não é o mesmo da fissão.
Em caso de falha na energia, a reação na fusão se desvanece em questão de segundos. Portanto, o maior desafio enfrentado neste tipo de energia não reside na segurança, mas sim nos aspectos de engenharia.
Razões para a Continuidade do Uso da Fissão
A razão pela qual ainda utilizamos a fissão está na complexidade e nos custos associados à fusão. Produzir energia a partir da fusão é uma tarefa mais difícil, dispendiosa e longa. Este método requer controle magnético extremo e materiais avançados que possam resistir ao bombardeio de nêutrons, além de exigir décadas de pesquisa.
Até o presente momento, a produção de energia em quantidade superior à consumida de forma contínua continua sendo um desafio. A fissão foi implementada mais cedo no panorama energético, pois era uma solução viável. Em contraste, a fusão ainda não alcançou a maturidade necessária devido às exigências que impõe.
Fonte: www.moneytimes.com.br

