Valorização dos Contratos Futuros do Boi Gordo
Os principais contratos futuros do boi gordo negociados na B3 apresentaram uma valorização significativa desde a última sexta-feira, dia 16.
Desempenho dos Contratos
Entre o final da semana passada e o fechamento da terça-feira, dia 20, o contrato com vencimento em fevereiro (BGIG26) acumulou uma alta de 2,04%, o que corresponde a um avanço de R$ 6,70, encerrando as negociações a R$ 325,20. No mesmo período, o contrato de maio (BGIK26) registrou um aumento de R$ 6,15, representando uma valorização de 1,92%. Por sua vez, o contrato referente ao mês de outubro (BGIV26) teve uma elevação de 0,74%, passando de R$ 336,60 para R$ 339,10.
Análise do Mercado
Segundo Hyberville Neto, analista da HN Agro, este movimento é reflexo de uma recuperação após as quedas observadas nas semanas anteriores, que foram impulsionadas por uma série de notícias negativas, incluindo o anúncio de cotas e tarifas por parte de países como China e México.
“O movimento também está associado aos bons resultados das exportações brasileiras na semana anterior. No acumulado, notamos um aumento de 40% em comparação ao mesmo período do ano passado”, afirmou o analista.
Produção e Exportação
Além disso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou um relatório em dezembro, apontando que a produção brasileira de carne bovina deverá ser 5,3% inferior em 2026. Essa previsão indica uma tendência de queda na produção, enquanto as exportações podem sofrer uma redução de 5,9% em relação a 2025. Inicialmente, a disponibilidade interna já estava projetada para apresentar uma redução de 4,8%. Entretanto, nesta semana, a Abiec revisou suas expectativas e passou a prever estabilidade nas exportações de carne bovina.
“Com a produção menor e exportações estáveis, teremos uma disponibilidade interna ainda mais limitada do que a projetada pelo USDA. Essa é a nossa base para acreditar em preços firmes no mercado”, explicou Neto.
Fatores que Influenciam o Mercado
Diversos fatores adicionais também podem impactar o escoamento da produção ao longo do ano, como a proximidade do calendário eleitoral e a realização da Copa do Mundo. A oferta limitada tende a exercer pressão altista sobre os preços da proteína em toda a cadeia, de acordo com a análise do setor.
“Devemos observar, ao longo deste ano, uma série de medidas de natureza ‘eleitoreira’, como o aumento de gastos fiscais, que, embora discutíveis sob a ótica estrutural, costumam gerar um impacto positivo no curto prazo. Isso reforça o consumo e o escoamento da carne bovina”, complementou o analista.
Perspectivas para a Oferta de Carne
A percepção de uma oferta mais restrita de carne bovina no Brasil é compartilhada por outras instituições, como a Scot Consultoria.
“Recentemente, temos acompanhado boas chuvas, especialmente nos últimos dez dias, na região Centro-Norte do Brasil. Esse fator possibilita que os pecuaristas retenham os animais por mais tempo nas propriedades, conferindo-lhes maior poder de negociação com os frigoríficos. Essa restrição na oferta tende a se intensificar no médio prazo”, destacou o analista Pedro Gonçalves.
Adicionalmente, o patamar do dólar se encontra favorável para as exportações, o que pode também contribuir para a valorização da carne bovina no mercado interno.
Fonte: www.moneytimes.com.br


