Futuros do Dow Jones: Proposta de tarifas globais de 15% de Trump, discurso de Waller se aproxima, queda nos preços do petróleo.

Futuros do Dow Jones: Proposta de tarifas globais de 15% de Trump, discurso de Waller se aproxima, queda nos preços do petróleo.

by Ricardo Almeida
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Os futuros das ações nos Estados Unidos apresentaram uma leve queda na segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026. O movimento ocorre em um contexto em que os mercados continuam a processar as implicações da decisão da Suprema Corte que invalidou as tarifas emergenciais do presidente Donald Trump.

Em resposta à decisão, Trump propôs rapidamente a implementação de novas tarifas globais de 15%. Essas tarifas, no entanto, são temporárias, gerando incertezas entre investidores e parceiros comerciais sobre o futuro da política tarifária dos EUA.

Declínio nos Futuros das Ações

Os futuros das ações americanas indicavam uma abertura em baixa, com investidores ponderando a nova decisão de Trump de estabelecer tarifas gerais temporárias após a recente deliberação judicial.

Às 08h18 (horário de Brasília), os futuros do Dow Jones apresentavam uma queda de 101 pontos, correspondente a 0,20%. Os futuros do S&P 500 recuaram 13,5 pontos, ou 0,19%, e os futuros do Nasdaq 100 diminuíram 84,5 pontos, equivalendo a 0,34%.

No fechamento da semana anterior, os principais índices de Wall Street haviam registrado altas, impulsionados por um otimismo em torno do esperado veredicto da Suprema Corte. Apesar de a corte ter decidido pela invalidade do uso de poderes de emergência de 1977 por Trump para impor tarifas abrangentes, ainda há incertezas sobre as repercussões mais amplas, incluindo se as empresas afetadas poderão reivindicar reembolsos.

“A decisão da Suprema Corte na sexta-feira enviou um sinal forte sobre os limites do poder presidencial”, afirmaram analistas do ING em uma nota.

Entretanto, eles alertaram que é improvável que Trump recue de sua postura comercial assertiva, criando uma atmosfera de incerteza quanto à próxima fase da política tarifária nos Estados Unidos.

“A incerteza está de volta”, destacaram os analistas.

Novas Tarifas Propostas por Trump

Trump, ao descrever a decisão como uma “vergonha”, invocou disposições da Lei de Comércio de 1974 para implementar tarifas globais de 15% por até 150 dias. Ele alega que esta medida visa solucionar questões relacionadas aos “problemas de pagamento internacional”.

Uma comunicação anterior da Casa Branca indicava que as tarifas teriam uma taxa inicial de 10%, a entrar em vigor na terça-feira, mas Trump decidiu aumentar essa taxa ao longo do fim de semana.

O Congresso, que possui autoridade constitucional sobre questões comerciais e foi um fator decisivo na decisão da Suprema Corte, pode prorrogar as tarifas estabelecidas na Seção 122 por mais 150 dias, após a expiração inicial.

De acordo com analistas do ING, Trump também poderia, teoricamente, deixar as tarifas expirarem, declarar um novo estado de emergência e reiniciar o período de 150 dias, criando um que poderia ser considerado um “instrumento tarifário perpétuo de fato”.

Por outro lado, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA anunciou que não cobrará mais as tarifas que foram invalidadas pelo tribunal a partir das 00h01 (horário do leste dos EUA) na terça-feira. A agência não explicou as razões que levaram a cobrança das tarifas mesmo após a decisão judicial, nem se os importadores conseguirão reembolsos.

Reunião de Parceiros Comerciais

Os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos estão avaliando como a decisão pode impactar acordos comerciais recentemente negociados.

A Comissão Europeia, encarregada da negociação da política comercial da União Europeia, apelou a Washington para que honre os termos do acordo estabelecido para 2025, pedindo “total clareza” sobre como as políticas tarifárias irão se desenvolver após a decisão do tribunal.

Em um comunicado, a Comissão advertiu que o cenário atual “não é propício para alcançar um comércio e investimento transatlântico ‘justo, equilibrado e mutuamente benéfico’”, acrescentando: “Um acordo é um acordo”.

A China, que está conduzindo intensas negociações com os EUA após a disputa tarifária do ano passado, declarou que está realizando uma “avaliação completa” sobre a decisão tomada e instou Washington a abandonar as “medidas tarifárias unilaterais”.

O Ministério do Comércio da China enfatizou: “A cooperação entre a China e os Estados Unidos é benéfica para ambos os lados, mas a guerra é prejudicial”.

Comentários de Waller em Destaque

Os investidores também estarão atentos aos comentários proferidos pelo presidente do Federal Reserve, Christopher Waller, que tem uma palestra agendada para segunda-feira em Washington voltada para as perspectivas econômicas.

Waller estava entre os dois membros do Conselho de Governadores que se opuseram à decisão do Federal Reserve, em janeiro, de manter as taxas de juros inalteradas, variando entre 3,5% e 3,75%. Enquanto a maioria dos diretores citou a inflação estável e condições favoráveis no mercado de trabalho, Waller e o colega governador Stephen Miran defenderam a redução dos custos de empréstimos, expressando preocupações sobre possíveis enfraquecimentos nas tendências de emprego.

Apesar de o Fed ter reduzido as taxas de juros em várias ocasiões ao longo de 2025, ainda permanece a expectativa de que uma continuação do afrouxamento monetário ocorra ainda este ano. Contudo, persiste a incerteza em relação ao momento exato dessa mudança. A ata da reunião de janeiro sugeriu que aumentos das taxas ainda poderiam ser considerados caso a inflação permaneça acima da meta de 2% estabelecida pelo banco central.

Os mercados acompanharão de perto as declarações de Waller sobre inflação, condições de emprego e possíveis implicações econômicas decorrentes da decisão sobre as tarifas.

Queda nos Preços do Petróleo

Na manhã de segunda-feira, os preços do petróleo apresentavam uma diminuição, revertendo uma parte dos ganhos alcançados na semana anterior, em um cenário em que os investidores avaliavam novos desdobramentos geopolíticos e a incerteza comercial.

Às 08h18 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent caíam 0,7%, alcançando US$ 71,29 por barril, enquanto os contratos do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA apresentavam uma queda de 0,7%, sendo negociados a US$ 66,05 por barril.

Ambos os índices de referência tiveram uma alta de quase 6% na semana anterior, impulsionados por preocupações relacionadas a um possível confronto entre os EUA e o Irã, além de uma queda inesperada nos estoques de petróleo bruto dos Estados Unidos.

Os Estados Unidos e o Irã estão programados para realizar uma terceira rodada de negociações nucleares na quinta-feira, em Genebra, que ampliam as esperanças de uma solução diplomática capaz de mitigar o risco de interrupções no fornecimento de petróleo do Oriente Médio.

O Irã, um membro fundamental da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), possui algumas das maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo.

Fonte: br.-.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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