Os futuros das ações nos Estados Unidos operam de forma mista nesta quarta-feira (29), enquanto os investidores aguardam a divulgação da mais recente decisão do Federal Reserve acerca da taxa de juros, além dos resultados trimestrais das líderes em inteligência artificial, Meta Platforms (NASDAQ:META) e Microsoft (NASDAQ:MSFT).
A renovação das tensões militares no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo, adicionando uma nova camada de incerteza aos mercados financeiros.
Negociação de futuros em uma faixa estreita
Às 07h50 (horário de Brasília), os futuros atrelados ao Dow Jones Industrial Average apresentavam uma queda de 0,24%, enquanto os futuros do Nasdaq mostravam um leve avanço de 0,08%. Os futuros do S&P 500, por sua vez, registravam uma alta de 0,18%.
Na sessão anterior, Wall Street fechou com desempenhos variados. O Dow Jones Industrial Average subiu 1,03%, e o S&P 500 avançou 0,21%. No entanto, o Nasdaq Composite recuou 0,22%, com as ações do setor de tecnologia ainda enfrentando pressão.
O setor de semicondutores continuou a afetar negativamente o desempenho do Nasdaq, com o Índice de Semicondutores da Filadélfia caindo pelo quarto dia consecutivo, atingindo seu menor nível desde maio.
A fraqueza observada deve-se a relatos de crescente concorrência por parte de fabricantes de chips chineses, além de preocupações persistentes após a Alphabet ter anunciado um orçamento de investimento elevado na semana anterior. A produtora sul-coreana de chips de memória, SK Hynix (NASDAQ:SKHY), também frustrou os investidores ao divulgar um lucro operacional recorde, que não atendeu às altas expectativas do mercado.
A ansiedade em relação à capacidade dos massivos investimentos em inteligência artificial serem convertidos em lucros sustentáveis continua afetando as principais ações de tecnologia.
John Higgins, Consultor Econômico Chefe da Capital Economics, comenta sobre o clima do mercado, afirmando que “os preços das ações de algumas das gigantes globais de tecnologia, que estão no centro da revolução da IA, enfrentaram pressão em meio a uma série de preocupações, levantando a questão sobre se o mercado de ações de IA está descarrilando”.
A decisão do Federal Reserve assume o protagonismo
O foco dos investidores está agora voltado para o Federal Reserve, que deve anunciar sua mais recente decisão de política monetária após a conclusão de sua reunião de dois dias ainda hoje.
Os formuladores de políticas estão avaliando o impacto inflacionário da recente volatilidade nos preços do petróleo, juntamente com o investimento contínuo e robusto em infraestrutura de inteligência artificial. Embora os dados de inflação de junho tenham ficado abaixo das expectativas, a retoma do conflito no Oriente Médio fez com que os preços do petróleo bruto subissem brevemente para além de US$ 100 por barril na semana passada, enquanto os gastos com infraestrutura de IA continuaram excepcionalmente altos.
O mercado de trabalho dos EUA também se manteve relativamente moderado, com variações mínimas em contratações e demissões.
Apesar de taxas de juros mais altas poderem ajudar a conter a inflação, elas também correm o risco de desacelerar o crescimento econômico e enfraquecer as condições de emprego.
Analistas da BofA Securities mencionam que a decisão de hoje pode depender grandemente do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, que está à frente de sua segunda reunião de política monetária desde que assumiu o cargo.
Eles afirmam: “Warsh enfrenta um dilema. Não elevar as taxas de juros poderia comprometer a credibilidade do Fed em relação à inflação. No entanto, aumentar as taxas contrariaria sua estratégia de ignorar choques de oferta.”
Segundo dados do CME FedWatch divulgados antes do anúncio, os mercados consideravam uma probabilidade de aproximadamente 70% para a manutenção das taxas de juros entre 3,50% e 3,75%, enquanto a probabilidade de um aumento de 25 pontos-base era de pouco menos de uma em três.
Os investidores também esperam pouca orientação sobre a política futura, visto que Warsh já indicou anteriormente que não pretende fornecer aos mercados um roteiro detalhado para futuras alterações nas taxas de juros.
A Meta enfrenta mais um teste em sua estratégia de gastos com IA
A temporada de resultados do setor de tecnologia ganha impulso após o fechamento do mercado nesta quarta-feira, quando a Meta Platforms (BOV:M1TA34) divulgará seus resultados trimestrais.
Os investidores estarão em busca de evidencia concreta de que o significativo investimento da Meta em inteligência artificial está se traduzindo em retornos financeiros mais robustos.
No começo deste ano, a empresa revisou suas projeções de despesas de capital para o período até 2026, passando a estimar entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões, em comparação com previsões anteriores que variavam de US$ 115 bilhões a US$ 135 bilhões.
A Meta também alertou sobre o aumento do escrutínio legal e regulatório contínuo na Europa e nos Estados Unidos, que pode impactar seu desempenho futuro. A companhia indicou que uma “perda material” pode resultar do aumento da supervisão sobre “questões relacionadas à juventude” e de “testes adicionais programados para este ano”.
Resultados da Microsoft em destaque
A Microsoft (BOV:MSFT34) também deverá atrair a atenção dos investidores, já que a gigante do software continua sua expansão agressiva em inteligência artificial.
A empresa sagrou planos para investimentos de capital recorde de cerca de US$ 190 bilhões para o ano fiscal de 2026, evidenciando a intensa competição entre as principais empresas de tecnologia para desenvolver e comercializar tecnologias de IA.
No entanto, os investidores seguem atentos à dependência da Microsoft em relação à OpenAI e se a adoção de seu assistente de inteligência artificial, o Copilot 365, está crescendo em um ritmo satisfatório.
O desempenho da receita de computação em nuvem da Azure será particular foco de atenção, com analistas esperando um crescimento em moeda constante entre 39% e 40% durante o quarto trimestre.
Mesmo que a Microsoft alcance essas metas, a expansão do Azure ainda estará atrás do crescimento que foi registrado pelo negócio de nuvem do Google.
Preços do petróleo sobem após novas greves no Oriente Médio
Os preços do petróleo experimentaram uma alta significativa após novas ações militares que envolvem os Estados Unidos, a Arábia Saudita e grupos apoiados pelo Irã, aumentando as preocupações relacionadas ao fornecimento global de energia.
Os últimos ataques ocorreram após a interceptação de mísseis balísticos iranianos que tinham como alvo forças americanas na Jordânia, encerrando uma breve trégua nas hostilidades que havia contribuído para a queda dos preços do petróleo bruto no início da semana.
Além disso, o Irã rejeitou uma proposta feita por Omã para dividir o controle do Estreito de Ormuz, reduzindo as esperanças de retomada das negociações diplomáticas com Washington.
Às 07h53 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent apresentavam uma alta de 5,22%, alcançando US$ 88,48 por barril, enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA registrava um aumento de 4,92%, alcançando US$ 83,17 por barril.
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Fonte: br.-.com