Gasolina nos EUA atinge maior preço desde outubro de 2023

Alta dos Preços do Petróleo e Gasolina

Os preços do petróleo e da gasolina permaneceram elevados nesta segunda-feira, 16 de outubro, após os ataques a instalações petrolíferas no Oriente Médio no fim de semana. Além disso, a Casa Branca indicou que o conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã poderia durar mais algumas semanas.

Aumento dos Preços da Gasolina

De acordo com a American Automobile Association (AAA), os preços da gasolina nos Estados Unidos sofreram um aumento de 2 centavos de dólar, alcançando uma média de pouco menos de US$ 3,72 por galão. Este é o preço mais alto registrado para a gasolina comum desde 7 de outubro de 2023. Desde o início da guerra com o Irã, os preços da gasolina subiram 74 centavos de dólar por galão. O aumento de 26,9% nos preços da gasolina durante o último mês representa a maior elevação mensal desde o furacão Katrina.

Essa alta nos preços coloca em risco um dos principais argumentos do presidente Donald Trump: a queda dos preços da gasolina durante seu segundo mandato, quando os preços chegaram a menos de US$ 3 por galão em dezembro, o que foi o menor valor desde maio de 2021.

Impactos nos Preços do Diesel

Os preços do diesel, por sua vez, aumentaram significativamente desde o início do conflito, subindo US$ 1,24, com a média atual sendo de US$ 4,99 por galão. Esse cenário está se aproximando da marca de US$ 5 pela primeira vez desde dezembro de 2022. Algumas empresas de transporte rodoviário já começaram a aplicar sobretaxas consideráveis em função dos custos elevados do combustível, o que poderá ser repassado aos consumidores finais.

Cotação do Petróleo

Na mesma data, o petróleo Brent foi negociado a US$ 100,21 o barril, enquanto o WTI fechou a US$ 93,50 por barril. Ambas as commodities registraram uma elevação significativa na semana anterior, atingindo os níveis mais altos desde 2022. Esses aumentos ocorreram após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o que levou o governo de Teerã a fechar o Estreito de Ormuz para a maioria dos petroleiros, provocando a maior interrupção do abastecimento global de petróleo já vista. Aproximadamente 20% do fornecimento mundial de petróleo transita por essa região.

Perspectivas de Conflito e Riscos no Abastecimento

Atualmente, há poucos sinais de que a guerra, que já está na terceira semana, chegue ao fim em breve. Os recentes ataques dos Estados Unidos à ilha iraniana de Kharg na sexta-feira, 13, intensificaram os temores em relação à segurança do abastecimento de petróleo, dado que a maior parte do petróleo do Irã é exportada a partir desse local. Estrategistas de commodities do ING alertaram, em uma nota divulgada nesta segunda-feira, que, embora os ataques pareçam ter como alvo infraestruturas militares, eles ainda representam riscos potenciais para a rede de abastecimento, especialmente considerando que o petróleo iraniano é na sua maioria o único transitado pelo Estreito de Ormuz.

Incidentes Relacionados

Após os ataques à ilha de Kharg, partes de um drone iraniano interceptado também caíram sobre um importante terminal petrolífero nos Emirados Árabes Unidos. Este fato levou à suspensão das operações na instalação, ressaltando a ameaça que o conflito representa às infraestruturas petrolíferas da região.

Embora, até o momento, os Estados Unidos tenham evitado atacar a infraestrutura petrolífera do Irã, Donald Trump fez uma publicação na rede social Truth Social no dia 13, alertando que reconsideraria essa abordagem se o Irã continuasse a interferir na passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.

Preocupações Financeiras e Intervenções

Jim Reid, chefe de pesquisa macroeconômica do Deutsche Bank, destacou que os mercados ainda estão preocupados com uma possível escalada do conflito. Ele comentou que, conforme os dias passam, os investidores têm ajustado suas expectativas, precificando um conflito mais prolongado.

No domingo, 15, Trump solicitou que a China e os aliados dos Estados Unidos enviassem navios de guerra para ajudar a mitigar as interrupções no Estreito de Ormuz. Ele ainda alertou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) pode enfrentar um futuro complicado se não houver apoio. Até o momento, nenhuma nação se comprometeu a enviar embarcações para a área.

Aumento de Pressão e Resposta do Irã

Por sua vez, o Irã tem aumentado a pressão, colocando minas no Estreito e anunciando que atacará qualquer infraestrutura de petróleo e gás natural associada aos Estados Unidos. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, mais de uma dúzia de embarcações foram alvo de ataques no Estreito de Ormuz. Em uma entrevista à CBS News no último domingo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, comentou que Teerã está disposta a negociar com países que buscam acessar o Estreito de maneira segura.

Liberação de Reservas de Petróleo

A Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou, no domingo, que as reservas emergenciais de petróleo começarão a ser liberadas para os mercados globais. Esta decisão segue a concordância dos países membros da AIE em liberar 400 milhões de barris de petróleo. Os estoques provenientes da Ásia e da Oceania estarão disponíveis imediatamente, enquanto as reservas das Américas e da Europa têm previsão de liberação apenas para o final de março, conforme informado pela AIE.

Iniciativas do Governo dos EUA

Durante o recente fim de semana, o governo Trump adotou várias medidas com o intuito de expandir a produção de petróleo nos Estados Unidos, como uma estratégia para contrabalançar o aumento dos preços dos combustíveis. No sábado, 14, foi aprovado um novo projeto da BP na costa do Golfo do México. Este é o primeiro novo projeto da empresa desde o vazamento de petróleo da Deepwater Horizon, em 2010. Além disso, o secretário de Energia, Chris Wright, emitiu uma ordem para que a Sable Offshore Corp. reiniciasse as operações de plataformas de petróleo e oleodutos na costa sul da Califórnia.

Consequências do Conflito

O Estreito de Ormuz, considerado uma rota vital, afeta não apenas o mercado de petróleo, mas também a agricultura global. Isso inclui a dependência de fertilizantes que transitam por essa hidrovia, o que pode impactar os preços dos alimentos. Os produtos perecíveis, como laticínios, frutas, verduras e peixes, poderão ser os primeiros a registrar uma alta nos preços devido a essas interrupções.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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