Gastos com Defesa, China e Ucrânia: Principais Conclusões do Diálogo de Shangri-La 2026

Gastos com Defesa, China e Ucrânia: Principais Conclusões do Diálogo de Shangri-La 2026

by Patrícia Moreira
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Defesa no IISS Shangri-La Dialogue

Em Cingapura, entre os dias 29 e 31 de maio, líderes mundiais, oficiais de defesa e executivos encontraram-se durante o IISS Shangri-La Dialogue, um dos principais fóruns intergovernamentais de segurança da Ásia. O encontro abordou temas cruciais, como gastos com defesa, a posição da China na região do Indo-Pacífico e as lições aprendidas com o conflito na Ucrânia.

Gastos com Defesa

Os países parecem ter, em geral, aceitado a premissa de que será necessário aumentar seus investimentos em defesa. Nações como Japão, Filipinas e Países Baixos estão planejando aumentos em seus orçamentos destinados a essa área. O Secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou em seu discurso que as nações deveriam destinar, pelo menos, 3,5% de seu PIB para a defesa. Mesmo a Nova Zelândia, que apresenta investimentos abaixo dessa marca, está aumentando seu gasto nessa área.

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem defendido essa ideia há anos, enfrentando inicialmente a resistência de muitos países. No entanto, atualmente, muitos deles demonstram apoio público à proposta. O vice-primeiro-ministro holandês, Dilan Yesilgoz-Zegerius, declarou que os EUA estão “certos” ao pedir aos países que aumentem seus gastos, ressaltando que a invasão da Ucrânia pela Rússia mudou essa percepção na opinião pública dos Países Baixos.

A General Jennie Carignan, chefe do Estado-Maior da Defesa do Canadá, enfatizou que “nenhum país pode fazer tudo sozinho”. Ela destacou a importância de “ter a capacidade de se unir para complementar as capacidades uns dos outros”, mas acrescentou que, para isso, é fundamental que cada país tenha sua própria defesa.

China Envia uma Delegação de Baixo Nível, Novamente

Mesmo antes do início da cúpula, houve destaque para a ausência do ministro da Defesa da China, que não participou do fórum pelo segundo ano consecutivo. A delegação chinesa foi liderada pelo Major General Meng Xiangqing, da Universidade Nacional de Defesa do Exército Popular de Libertação. A ausência do ministro Dong Jun foi sentida, com Hegseth comentando: “Eu gostaria que meu homólogo estivesse aqui na conferência, mas aguardo outras oportunidades para que possamos nos encontrar e nos comunicar”.

O ministro da defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, expressou sua “tristeza” pela ausência de Dong e pediu por mais diálogo com Pequim. Outros, como o chefe de defesa da Alemanha, General Carsten Breuer, afirmaram que a China está perdendo uma oportunidade de diálogo por não ter uma delegação em nível ministerial. O ministro da Defesa das Filipinas, Gilberto Teodoro, adotou uma postura abertamente crítica, declarando à CNBC que “a presença deles [da China] aqui se reduz a um mínimo… que é promover a linha do partido, em vez de se engajar de maneira construtiva; para mim, não é uma grande perda”.

Trocas de Ofensas

Embora uma delegação de baixo nível não tenha impedido os delegados chineses de defender suas posições de forma enérgica, Meng criticou os aumentos nos gastos com defesa do Japão e a expansão das vendas de armas, questionando se os países asiáticos confiarão em Tóquio se militarizar novamente, dada sua história na Segunda Guerra Mundial. Anteriormente, o ex-vice-ministro das Relações Exteriores da China, Cui Tiankai, afirmou que as tensões no Estreito de Taiwan são uma questão de integridade territorial e unidade nacional para a China: “Ninguém se importa mais com a estabilidade no Estreito de Taiwan do que nós, na China, porque, em ambos os lados do Estreito, é território chinês”.

Por sua vez, o ministro japonês Koizumi acusou os chineses de “falta de transparência” em sua expansão militar, enquanto Hegseth alertou Pequim sobre o “justo alarme” na região do Indo-Pacífico em relação ao aumento de suas capacidades militares. Teodoro, das Filipinas, adotou um tom bastante combativo, afirmando que o expansionismo chinês continua sem remorso: “Eles são impenitentes em seu expansionismo e perseverantes, e negar isso seria absolutamente desonesto”, declarou.

Lições da Ucrânia

A situação na Ucrânia continua a ressoar fortemente na comunidade internacional, e os métodos usados na guerra estão sendo observados por diversos países enquanto a Ucrânia luta contra a invasão da Rússia, que conta com recursos significativos. O conceito de “guerra assimétrica” transformou estratégias de defesa globalmente. O ex-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Pavlo Klimkin, declarou em entrevista à CNBC que “há um grande interesse nas lições aprendidas com a Ucrânia, e ao redor dela, tipo um entendimento de que primeiro a dissuasão assimétrica e o combate assimétrico são algo que importam”.

Klimkin também comentou que “o que está em jogo nesta guerra é o sentido de segurança como um todo — se temos ou não uma arquitetura de segurança na Europa e em torno da Europa, onde a Ucrânia pertence, e como consertá-la dentro da futura arquitetura de segurança”. Países como as Filipinas estão analisando as táticas da Ucrânia à medida que aumentam seus gastos com defesa. O chefe de defesa dos Países Baixos, General Onno Eichelsheim, mencionou que eles têm conselheiros ucranianos trabalhando com eles para avaliar o que é útil e o que não é ao alocar recursos.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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