Gestores acreditam que Ibovespa está subvalorizado e afirmam que guerra e eleições não afetam sua atratividade.

Atração das Ações Brasileiras

Nem mesmo a guerra ou as eleições devem comprometer a atratividade das ações brasileiras, embora esses fatores possam gerar certa volatilidade. Esta é a avaliação de alguns gestores de fundos, que acreditam que o Ibovespa ainda apresenta um desconto e espaço para crescimento nos meses seguintes.

Opinião dos Gestores

No 12º Fórum de Investimentos do Bradesco BBI, Sara Delfim, sócia da Dahlia Capital, mencionou que o investidor local continua excessivamente pessimista em relação aos ativos brasileiros. Segundo ela, o investidor frequentemente busca a combinação perfeita de fatores para realizar investimentos na Bolsa de Valores, na expectativa de um momento ideal. Contudo, a gestora acredita que sempre há espaço para investimentos em ações, e que a magnitude dessa exposição é dinâmico.

Delfim, durante o painel de fundos de ações, pontuou que o Brasil se situa bem em comparação a outras nações. Apesar das taxas de juros elevadas, as empresas têm demonstrado resiliência e aumentado seus lucros. A questão da dívida pública, frequentemente debatida entre os profissionais do setor financeiro, foi minimizada pela gestora: segundo afirmou, o endividamento é um problema global, não exclusivo do Brasil.

“Mesmo com a guerra, nosso país continua exportando petróleo e não está exposto de forma significativa”, destacou Delfim.

Desempenho do Ibovespa

A gestora também enfatizou que o desempenho do Ibovespa nos últimos anos é significativo. Nos últimos três anos — que abrangem parcialmente os anos de 2023, 2024 e 2025 —, a Bolsa superou o CDI, com um retorno de 71,3% frente a 48,4% do CDI. “A Bolsa não é sempre o patinho feio. Existe potencial. É necessário estar posicionado, evidentemente, com seletividade”, completou Delfim.

Freios para o Ibovespa?

No início do ano, o Ibovespa passou por uma fase de valorização impulsionada por investidores estrangeiros, levando o índice a ultrapassar os 200 mil pontos, um marco significativo. Para os próximos meses, André Lion, sócio e gestor da Ibiuna Investimentos, espera que esse fluxo de investidores estrangeiros continue, mesmo que em menor escala.

Atualmente, o fluxo de investimentos perdeu força, principalmente devido à aversão ao risco gerada pela guerra no Oriente Médio. No entanto, Lion destaca que os investidores estrangeiros não estão tão preocupados com as taxas de juros locais nem com a dívida pública brasileira.

A principal questão é a continuidade do conflito e a possibilidade de acordos. “Tudo está completamente em aberto. O que sabemos até agora é que o preço da energia subiu globalmente. Portanto, a discussão atual gira em torno dos preços de energia e das taxas de juros”, ressaltou Lion.

Para ele e outros gestores, a redução das taxas de juros poderá atuar como um fator motivador para os investidores locais, enquanto a resolução do conflito externo será essencial para atrair o retorno dos investidores estrangeiros.

Cenário Internacional e Político

Neste contexto, o prazo para um acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã está se aproximando. O presidente Donald Trump advertiu em sua conta nas redes sociais que “uma civilização inteira morrerá” caso o Irã não aceite as propostas dos EUA. Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã alertou que um ataque rápido de sua parte “mudaria a face do planeta”, e adverte: “não testem a paciência que se transforma em um furacão”.

André Caldas, sócio e gestor da Springs Capital, minimiza essas trocas de ameaças, considerando que são apenas ruídos. Ele acredita que a disposição do Irã em negociar indica que o país não está inclinado a estender o conflito por um longo período. Caldas prevê que a guerra não se prolongará por mais do que três meses.

Apesar desse cenário, a expectativa é de continuidade na queda das taxas de juros. Porém, a certeza sobre até onde o Banco Central poderá ir em suas reduções dependerá da resolução do conflito no Oriente Médio.

Oportunidades de Investimento

Nem todas as ações e setores são recomendáveis para compor a carteira de investimentos. Apesar da resiliência demonstrada pelas empresas, o ambiente financeiro ainda é marcado por incertezas e volatilidade.

De uma forma geral, todos os gestores estão direcionando suas atenções para um setor específico: o de energia. “No início do ano, falávamos de petróleo a US$ 60 e US$ 50. Atualmente, as discussões giram em torno de US$ 80 a US$ 90. Já aumentamos nosso investimento no setor de energia como um todo”, afirmou Lion.

Caldas também vê oportunidades em títulos públicos indexados à inflação, como os do Tesouro Direto, conhecidos como Tesouro IPCA+ ou NTN-Bs. Segundo ele, os prêmios desses títulos estão elevados por conta das taxas de juros e do debate sobre as contas públicas. Contudo, a expectativa é de uma redução nas taxas de juros e de uma mudança política com as eleições presidenciais se aproximando.

“A grande oportunidade do momento está nas NTN-Bs. Existe um potencial significativo de redução da taxa, o que refletirá também no mercado de ações, pois há um grande potencial de alta”, comentou.

Rodrigo Santoro, diretor de equities da Bradesco Asset Management, revelou que a empresa está posicionada em ações com bons resultados, que podem se beneficiar de juros mais baixos. Além disso, ele salientou que a posição em caixa continua alta, diante da volatilidade acentuada observada nas últimas semanas.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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