Banco norte-americano aumenta preço-alvo da USIM5 para R$ 10,50
A Usiminas (BOV:USIM5) voltou a atrair a atenção dos investidores nesta quinta-feira, 21 de maio, após o Goldman Sachs elevar a recomendação das suas ações de neutra para compra. Essa mudança ocorre em um contexto de visão mais otimista para o setor de aço no Brasil. O banco revisou também o preço-alvo para os papéis, passando de R$ 6,60 para R$ 10,50 em um período de 12 meses, o que sugere um potencial adicional de valorização para a companhia que está listada na B3.
Desempenho das ações
Por volta das 13h51, as ações da Usiminas, identificadas pelo código USIM5, avançavam 0,73%, com cotação a R$ 9,68, movimentando mais de 11,9 milhões de ações durante o pregão. No dia, suas cotações apresentavam oscilações entre a mínima de R$ 9,58 e a máxima de R$ 10,02, mantendo um forte desempenho acumulado em 2026. Até o momento, os papéis já registram uma alta de 60,7% neste ano e uma valorização de 76% nos últimos 12 meses.
Fatores que influenciam a recomendação
De acordo com os analistas do Goldman Sachs, a alteração na recomendação reflete uma melhoria expressiva na dinâmica de oferta e demanda do mercado brasileiro de aço, especialmente após anos de pressão devido ao aumento das importações asiáticas. Informações disponíveis indicam que as importações de aço caíram 42% em abril em comparação com o mês anterior, um movimento que foi favorecido pelo endurecimento das barreiras comerciais no Brasil.
O cenário de mercado é caracterizado por um aumento nas tarifas, implementação de cotas, medidas antidumping e custos logísticos mais elevados. Por exemplo, o frete marítimo entre a Ásia e o Brasil dobrou em decorrência do agravamento das tensões no Oriente Médio, enquanto os preços internacionais do aço também apresentaram um aumento recente.
Perfil favorável da Usiminas
Na análise do banco, esse ambiente favorece as siderúrgicas com maior exposição ao mercado interno e uma elevada alavancagem operacional em relação aos preços do aço — características que definem o perfil da Usiminas. O Goldman Sachs destaca que, para cada aumento de 1% nos preços do aço, o EBITDA da companhia pode crescer em torno de 8%, um desempenho que supera o observado em concorrentes como CSN (BOV:CSNA3) e Gerdau (BOV:GGBR4).
Concentração de operações e previsões futuras
Outro aspecto importante destacado pelos analistas é a forte concentração das operações da Usiminas no setor de aço no Brasil. Atualmente, cerca de 70% do EBITDA da empresa é oriundo das operações siderúrgicas no mercado doméstico, o que aumenta sua sensibilidade positiva em relação a reajustes de preços nesse segmento.
O banco também projeta novos aumentos nos preços do aço ao longo do segundo semestre de 2026, além de dois reajustes já realizados no decorrer deste ano. Com isso, a expectativa é de que o EBITDA da Usiminas possa crescer entre 49% e 107% nos anos de 2026 e 2027 quando comparado a 2025.
Revisão das projeções de EBITDA
Além da atualização na análise operacional, o Goldman Sachs elevou suas projeções de EBITDA da Usiminas em até 70% para os próximos anos, posicionando-se entre 13% e 30% acima do consenso do mercado. Apesar da recente valorização expressiva das ações USIM5, os analistas ainda enxergam um valuation atraente, com os papéis sendo negociados entre 3,3x e 4,8x EV/EBITDA para 2026 e 2027, um valor inferior à média histórica que se aproxima de 6x.
Riscos potenciais
Apesar do otimismo em relação ao desempenho da Usiminas, o banco também advertiu sobre riscos que podem impactar a tese de investimento. Entre os fatores de risco estão a possibilidade de uma eventual retomada mais agressiva das exportações de aço da China, pressões macroeconômicas e o aumento de custos nas operações de mineração.
Reações do mercado
No pregão desta quinta-feira, o mercado demonstrou uma reação moderadamente positiva ao relatório do Goldman Sachs. A ação da Usiminas começou o dia cotada a R$ 9,69 e chegou a atingir R$ 10,02 na máxima do dia, embora tenha reduzido parte dos seus ganhos subsequentemente. Este movimento destaca a atenção dos investidores para um novo ciclo do setor siderúrgico na bolsa de valores brasileira, especialmente em relação às companhias que têm uma maior exposição ao mercado interno.
Sobre a Usiminas
A Usiminas é uma das principais siderúrgicas do Brasil, com atuação no segmento de produção e comercialização de aço plano, mineração, transformação do aço e bens de capital. A empresa fornece produtos para diversos setores, incluindo automotivo, construção civil, máquinas e equipamentos, além de infraestrutura, competindo diretamente com empresas como Gerdau (BOV:GGBR4), CSN (BOV:CSNA3) e ArcelorMittal.
Fonte: br.-.com