Governo e BNDES revelam financiamento de até 40 anos para ferrovias, com previsões de R$ 600 bilhões em investimentos.

Nova Linha de Financiamento para Ferrovias

O governo federal, em colaboração com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), lançou uma nova linha de financiamento voltada exclusivamente para o setor ferroviário. O anúncio foi feito na sede da B3, localizada em São Paulo, durante o evento intitulado “Novos Caminhos sobre Trilhos”, na quinta-feira, 11 de outubro. Esta iniciativa amplia o prazo para o pagamento dos empréstimos, que agora pode chegar a até 40 anos, superando o limite de 30 anos que era tradicionalmente praticado pelo mercado de infraestrutura.

Objetivos da Iniciativa

A estratégia adotada tem como principal objetivo oferecer viabilidade financeira a contratos de longo prazo, além de atrair investidores internacionais e diversificar a matriz de transportes do Brasil, que historicamente tem sido dependente do transporte por rodovias. O Ministério dos Transportes estima que esse novo modelo pode resultar em até R$ 600 bilhões em investimentos.

A equipe econômica do governo projeta que a ampliação da malha ferroviária conseguirá reduzir os custos com frete, refletindo, assim, em diminuição nos preços dos produtos transportados.

Composição dos Investimentos

Dentre os R$ 600 bilhões estimados para esta carteira de investimentos, cerca de R$ 160 bilhões serão destinados a intervenções em trilhos já existentes e novas construções de ferrovias. Outros R$ 160 bilhões deverão ser obtidos por meio do leilão de 17 terminais de carga na Ferrovia Norte-Sul. O BNDES terá um papel fundamental no repasse de recursos, na estruturação de debêntures incentivadas e na participação acionária através de fundos. É prevista uma alocação de R$ 140 bilhões em suporte público direto para garantir as operações privadas.

Corredores Prioritários

O novo mecanismo de crédito se concentra em oito corredores estruturantes que estão distribuídos por diversas regiões do país. Um dos principais projetos mencionados é a Ferrogrão (EF-170), que terá uma extensão de 933 quilômetros, ligando Sinop, em Mato Grosso, a Itaituba, no Pará. O objetivo dessa ferrovia é facilitar o escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste até os portos localizados na Região Norte.

Na Região Sudeste, o foco inicial do projeto é a EF-118, que corresponde ao Anel Ferroviário do Sudeste. Essa ferrovia ligará Santa Leopoldina, no Espírito Santo, a São João da Barra, no Rio de Janeiro, abrangendo uma primeira etapa de 246 quilômetros. A carteira federal também inclui corredores como Fico-Fiol, na Bahia, a Malha Oeste em Mato Grosso, na fronteira com a Bolívia, além de outros corredores importantes como Minas-Rio, Rio Grande, Mercosul e Paraná-Santa Catarina.

Cronograma das Concessões

O cronograma de concessões que está sendo elaborado pelo Ministério dos Transportes prevê uma série de leilões ao longo do ano. O Corredor Minas-Rio foi o primeiro a ser incluído no calendário, ocorrendo no primeiro semestre. Em seguida, espera-se a realização de leilões para a Malha Oeste e para o Corredor Leste-Oeste (Fico-Fiol) durante o terceiro trimestre.

Para o final de 2026, estão programadas as concorrências relativas aos corredores da Malha Sul, que abrangem os corredores Rio Grande, Mercosul e a ligação entre Paraná e Santa Catarina. Simultaneamente, o Tribunal de Contas da União está analisando os estudos relacionados à EF-118, com a finalidade de liberar a publicação do edital correspondente.

Parcerias Internacionais

No que diz respeito à articulação internacional, o governo brasileiro também busca estreitar relações com o mercado asiático. O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, participou, de forma virtual, de um evento na China, onde destacou que a estruturação dessa carteira de projetos considera modelos que incorporam matrizes de risco inovadoras.

Adicionalmente, o Brasil firmou um memorando de entendimento com o governo chinês, cujo objetivo é realizar estudos de viabilidade econômica para um corredor bioceânico. Este plano visa conectar a malha ferroviária brasileira ao Porto de Chancay, localizado no Peru, com a intenção de criar uma rota direta de exportação em direção ao Oceano Pacífico.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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