Nota do Governo Brasileiro
Na tarde desta sexta-feira (29), o governo brasileiro emitiu uma nota contundente, na qual critica a “família Bolsonaro” e atribui a seus membros a responsabilidade pela decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de considerar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O comunicado, divulgado pelo Palácio do Planalto, ressalta que a “segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos”.
Acusações e Contexto
O governo federal ainda afirmou que tais ações são promovidas por “falsos patriotas envolvidos com o crime organizado”, que solicitam a intervenção de autoridades estrangeiras em assuntos internos do Brasil. É considerado “deplorável” que integrantes da família Bolsonaro tenham recorrido aos Estados Unidos para defender a intervenção externa, como já ocorreu anteriormente no “tarifaço”, que trouxe sérios prejuízos ao país. A nota menciona especificamente o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL), que reside nos Estados Unidos desde 2025, e seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Flávio Bolsonaro, que se apresenta como pré-candidato à presidência, visitou Washington nesta semana, onde solicitou diretamente ao ex-presidente Donald Trump, além de autoridades do governo americano e representantes do Departamento de Estado, a emissão da decisão sobre as organizações PCC e CV, a qual foi anunciada na noite anterior. Após a divulgação, o senador compartilhou nas redes sociais: “Grande dia”.
Colaboração Internacional e Soberania
Além das críticas aos Bolsonaro, o governo destacou que, ao longo de décadas, desenvolveu parcerias com diversos países, incluindo os Estados Unidos. Foi mencionada uma proposta apresentada ao Departamento de Estado americano em 16 de abril deste ano, focada em inteligência e cooperação internacional, que visa aumentar os controles sobre a lavagem de dinheiro realizada no exterior e sobre o tráfico de armas enviados ao Brasil.
A nota conclui que essa decisão pode representar um “possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos”. O governo reiterou que a soberania nacional é inegociável, rejeitando qualquer forma de interferência externa em questões internas do Brasil. A responsabilização pela definição de como o crime deve ser classificado e combatido no Brasil cabe exclusivamente aos brasileiros, dentro de suas instituições, leis e forças de segurança.
Texto Completo da Nota
O Brasil é uma nação soberana que enfrenta, de forma contínua, o combate contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e outras facções, assim como as milícias que operam em seus territórios, afetando milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com determinação é e continuará sendo uma prioridade do Estado brasileiro.
O terror imposto por essas organizações nas comunidades tem o objetivo de obter lucro através de atividades ilícitas, especialmente por meio do tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação empreendida por motivos ideológicos, políticos ou religiosos que caracterizam o terrorismo internacional.
A segurança da população é fundamental demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam disseminar confusão sobre esses conceitos. Falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, solicitam a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.
É lamentável que, novamente, membros da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender a intervenção externa no Brasil, de maneira similar ao que ocorreu durante o tarifaço, o qual causou significativos danos ao país.
Aprovamos recentemente uma legislação voltada ao combate às facções e milícias, cuja pena pode atingir até 80 anos de prisão – a mais alta prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que visa combater as facções e milícias desde o seu nível mais baixo até suas lideranças.
O crime organizado não respeita fronteiras, razão pela qual seu combate requer ações conjuntas. Ao longo de décadas, estabelecemos parcerias com vários países, incluindo os Estados Unidos. Em 16 de abril deste ano, apresentamos ao Departamento de Estado dos EUA uma proposta enfocada em inteligência e cooperação internacional, que visa aumentar os controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e o tráfico de armas para o Brasil.
Qualquer colaboração internacional que vise combater as facções será bem-vinda. Estamos abertos a construir soluções conjuntas que sejam benéficas para todos os países envolvidos. Contudo, não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias provenientes do exterior como justificativa para atacar nossa soberania e nossa economia.
Medidas unilaterais, que não tenham sido negociadas, podem enfraquecer a luta contra os criminosos e causar ações que coloquem em risco a vida de pessoas que nada têm a ver com o crime. Essas medidas podem comprometer a capacidade de intercâmbio de informações entre as polícias e afetar o nosso sistema financeiro e inovações nacionais, como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.
Em essência, trata-se de um possível retrocesso na luta contra o crime, que pode representar um risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos para o país.
A soberania nacional é inegociável. O Brasil não aceita nenhum tipo de interferência externa em seus assuntos internos. A determinação sobre como o crime é classificado e enfrentado no Brasil cabe exclusivamente aos brasileiros, dentro do âmbito de suas instituições, leis e forças de segurança.
Fonte: www.moneytimes.com.br