Prolongamento do Ambiente de Juros Elevados no Brasil
A guerra no Oriente Médio deve prolongar o ambiente de juros elevados no Brasil, devido à pressão sobre a inflação global e ao aumento das incertezas econômicas, de acordo com o Conselho Federal de Economia (Cofecon).
Impactos da Guerra
A entidade alerta que, mesmo com o início do ciclo de cortes na taxa de juros promovido pelo Banco Central na semana passada, o custo do crédito deve permanecer elevado por mais tempo, em virtude das condições externas desafiadoras.
"O IPCA acumulado nos últimos doze meses é de 3,8%. O atual nível da Selic, de 14,75% ao ano, resulta em uma taxa real de juros superior a 10% ao ano", afirma a entidade em comunicado divulgado na segunda-feira (23).
Esse cenário revela uma das maiores taxas de juros do mundo, o que eleva o custo do financiamento da dívida pública e fragiliza o acesso ao crédito para famílias e empresas, sobretudo para aquelas que já enfrentam endividamento.
Choques e Volatilidade
O aumento nos preços da energia, os impactos sobre as cadeias de suprimento e a volatilidade no mercado internacional dificultam uma redução consistente da taxa básica de juros no país.
“O quadro de volatilidade de preços, a insegurança de fornecimento e a incerteza sobre a duração dos ataques ampliam a instabilidade, afetando as expectativas globalmente. Observa-se uma desaceleração das atividades econômicas acompanhada pela elevação da inflação”, acrescenta o comunicado.
O Cofecon defende a continuidade da redução da Selic ao longo do ano, mas reconhece que o cenário internacional é um fator limitante significativo.
Fragilidades Estruturais
Além da influência sobre a política monetária, a guerra também revela fragilidades estruturais na economia brasileira, principalmente nas áreas de energia e fertilizantes.
“Os primeiros impactos da guerra são relacionados às dificuldades que afetam as cadeias internacionais de suprimentos”, observa a entidade.
As limitações de trânsito no Estreito de Ormuz têm elevado os preços do petróleo, resultando em lentidão e aumento nos custos de logística e transporte, especialmente de fertilizantes e outros insumos essenciais para a produção, tanto nas regiões afetadas quanto em outras partes do mundo.
Reserva Internacional e Colchão de Segurança
Apesar das pressões econômicas, o Cofecon destaca que o Brasil entra nesse episódio com um colchão de reservas internacionais robusto, estimado em US$ 365 bilhões, o que contribui para amortecer choques cambiais.
"Um diferencial que o Brasil apresenta em comparação às crises do petróleo do final do século passado é sua posição melhorada no balanço de pagamentos e um nível confortável de reservas cambiais. Isso ajuda a mitigar os choques externos sobre a taxa de câmbio", ressalta a instituição.
Dependência Externa e Políticas Necessárias
Diante deste contexto, o Cofecon defende a implementação de políticas que busquem reduzir a dependência externa em áreas estratégicas, como evidenciado no plano NIB (Nova Indústria Brasil). A entidade enfatiza que este é um momento propício para uma coordenação entre as políticas públicas e o setor privado.
“Em resumo, o cenário internacional geopolítico-econômico nos impõe desafios a curto, médio e longo prazos que exigem um aprimoramento do papel do Estado, das políticas públicas, dos bancos e das empresas estatais, assim como uma articulação efetiva com o setor privado para superar nossas fragilidades e criar oportunidades”, conclui.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br